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Raymundo Silveira Omnia Omnia sum. Impessoal. Não há eu, não há você não existem nós. Universo é verso uno. Uni-verso. Omnia é. Todas as coisas são. Vivas ou não. De um grão de areia às maiores galáxias. Dos vírus hiv aos arbustos da Amazônia. De uma ameba, ao homem mais poderoso da Terra. E de fora dela também. Omnia pulsa: nos pulsares, nos quasares, nos batimentos cardíacos, nos canalículos de um protozoário, no magma e nos vulcões das profundezas planetárias, nas vastidões infinitas do cosmo, nas fusões e fissões dos átomos estelares, no sopro do vento, nas marés e nas ondas dos mares. Tudo é ser. Não há não ser. A não ser na antimatéria, que apesar de não ser, é. Pois entre as duas, existem hiatos e atos. Ligando e separando a um só tempo. Não há mais ou menos criatura. Divinizar humanos é mais absurdo do que humanizar baratas. Talvez, a única separação entre ambos, não passe de uma tênue película imaginária. Pois enquanto os primeiros sobrevivem na sucessão do tempo, os insetos subsistem na suposta eternidade do momento. Mas todos saíram do mesmo ralo primordial. Então, personalizar seres vivos através de pronomes é tão insensato quanto registrar pedras dando nomes. Não existem menos perfeitos, nem mais-que-perfeitos. Há fortes e fracos. Dominadores e dominados. Porque Omnia, em conjunto, é igualdade. Embora sejam desiguais as suas partes. Quando um corpo celeste se espatifa de encontro a outro, sempre restarão fragmentos maiores que atraem os menores, e estes passam a gravitar em torno deles. Não há superioridade: há “superidade.” O fragmento maior supera o menor. Por mero acaso. A Poesia também é Omnia. Não há maior ou menor, a não ser por simples contingência. Palavras já inventadas ou por inventar, jamais se combinarão para compor versos tão harmoniosos e perfeitos quanto os que marcam o ritmo do bailado das estrelas. A arte é Omnia. Nenhuma tela pintada ou por pintar será mais bela do que as imagens de um berçário de sóis. Nenhum mistério científico, já esclarecido ou por esclarecer, se equipara às estranhezas do Universo. Ele não é apenas mais misterioso do que se imagina. É mais misterioso do que o próprio Omnia é capaz de imaginar... http://www.raymundosilveira.net/ "A
literatura é uma das possibilidades da felicidade humana. Sou feliz
quando escrevo e penso que posso dar um pouco de felicidade aos
leitores". |