Raymundo Silveira

Paz na Internet  

Eu tenho dois mundos,

Dois universos,

Portanto, duas vidas:

Logo eu sou plural!

Dizem que só uma existe

Porque é Real;

A outra inexiste

Porque é Virtual.

No primeiro mundo

Eu nunca fui feliz

“No outro também não és”

(É o que todo mundo diz),

“Como queres estar bem no nada?”

“Como podes querer o que não é?”

Então eu perguntei ao dia:

O que é a noite, ela é real?

“É isso o que ela diz? Coitada!

Sem mim a noite é  uma piada!”

Então eu perguntei à noite:

O que é o dia, ele é real?

“Qual nada!

O dia não passa

De uma noite virtual!”

 

Depois eu perguntei ao ar:

O que é o vento?

“O vento não existe!

O que chamam de vento,

Sou eu mesmo em movimento”.

  eu perguntei à Musa

O que é a Poesia?

“Apenas um fantasma que me usa;

Não passa de utopia!”

Perdão, divina Musa

O que é então a Arte?

“Outra ‘entidade’ virtual

Que nem de  mim faz parte!”

Divina Arte, linda Poesia,

Podeis dizer-me o que é a Musa?

“Nada! A Musa não existe,

Não é Real!”

 

Se não existe o vento,

Se não existe a noite,

Se não existe o dia,

Se não existe a Arte,

Nem mesmo a Poesia;

Se a deusa Musa não passa

De uma ilusão a mais

Deixai-me viver virtualmente;

Quem sabe só assim eu terei paz

 E talvez possa ser feliz realmente! 

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