Raymundo Silveira

Respiro Letras 

Respiro letras,

Choro lágrimas de versos,

Diversos.

Sejam lágrimas de dor

Ou de alegria.

Meu alimento é um texto,

Em forma de prosa ou poesia.

O “ar” que eu respiro

Nem sempre sou eu mesmo

Quem produz,

As “lágrimas” que derramo

(Aquelas que podem ser

De dor, ou de saudade;

De amor, de felicidade)

Geralmente são alheias

Mas também podem ser minhas.

O sangue que circula em minhas veias

De frases e de rimas ele foi feito.

Lindas sentenças, frases feias

Versos primorosos ou imperfeitos.

Sem lágrimas  seria vã toda beleza,

Pois chorar é entoar uma canção

Composta - nos momentos de tristeza

Ou de prazer – no âmago do coração,

Em louvor à natureza.

Sem sangue, a vida é um desalento

Quer seja o nosso próprio ou transfundido.

Sem ele a vida nem existiria

Pois é o sangue que nos mantém unidos

Ao universo,

 Num passe mediúnico ou de magia,

Pelo cordão umbilical da Poesia.

Sem alimento, a vida se esvai

E o nosso corpo inane morreria.

Que venha, portanto, a refeição,

Seja o trivial ou a iguaria,

Da nossa ou de outras lavras.

Sem textos, sem frases, sem versos

Da vida eu me retiro.

Para criá-los, a matéria prima

É este bendito “ar” que eu respiro.

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