Raymundo Silveira

Será Multidemiúrgica a Literatura do Futuro?


Em outras palavras, o conceito de autor, tal qual entendemos hoje, permanece ou vai acabar? Não é absurda a especulação. A circunstância já existe. Conheço textos idênticos atribuídos a autores diversos que jamais entraram em contacto. É o resultado caótico do interagir e da revolução internética, como acontece, sem exceção, em qualquer revolução. Mas a Internet pode se organizar e se harmonizar convencionalmente, para conviver com uma Literatura quase apócrifa – sem nenhuma atribuição pejorativo a essa palavra. Os livros do futuro só trariam títulos, pois seriam escritos por numerosos autores anônimos. Não passariam, portanto, de extensos e múltiplos cut-ups. Pelo menos teoricamente a possibilidade existe. Se for um bem ou um mal, é uma outra conversa. Então, os Shakespeares, os Dostoievskis, os Balzacs, os Guimarães Rosas, os Rimbauds, os Machados do porvir, declarariam seu Imposto de Renda, como Pessoas Jurídicas. A revolução digital promete alfinetar muitos egos inflados...

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