
Domus Áurea
Roberto Corrêa
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A quaresma perdeu o seu significado nos novos tempos. A laicização da sociedade avança a passos largos e a religião católica apesar de ainda constituir maioria, se encontra encolhida, cedendo paulatinamente seus adeptos para outros segmentos religiosos. Não é fácil explicar, mas o marketing dos adversários do catolicismo se apóia numa mais fácil conquista dos bens materiais, sem tantas renúncias de prazeres, amplamente tolerados e aceitos pelos demais. Essa acomodação cristã-católica obriga a nós outros, simpatizantes e leigos de longa data, tentar alguma reação, mesmo que ,aparentemente, possa apresentar alguma fragilidade. Lendo hoje, pequeno trecho da epístola de S. Paulo aos Coríntios, fiquei impressionado: “Acaso não sabeis que os injustos não herdarão o Reino de Deus? Não vos iludais: nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem gananciosos, nem ébrios, nem ofensores, nem salteadores herdarão o Reino de Deus.” (1 Cor., 12/14). Pelo maciço estimulo dos meios de comunicação à pratica de todos esse pecados, relatados por S. Paulo, torna-se evidente que poucos se salvarão e que precisamos nos redobrar de cuidados para estarmos incluídos nessa pequena safra. Por isso nos encontramos temerosos com a total ou sensível ausência dos sermões nos alertando e nos encorajando a cuidar do conhecimento e principalmente da prática de salutar vivência religiosa. Encontramo-nos mergulhados em intermináveis tarefas materiais e na área de lazer, os “mais socializados” se interessando pelas Olimpíadas de Vancouver, “a nação” corintiana pela Libertadores da América e a maioria, desguarnecida de objetivos, ansiando pela Copa do Mundo, a iniciar-se em junho próximo. Voltando à quaresma, relembramos que é tempo de reflexão e trabalho com mais intensidade, inclusive a título de penitência, pois hoje não se adotam formas antigas (jejuns, abstinências, orações noturnas, etc.). Lastimamos também que as iníquas forças ocultas tentem arrastar o conformado e enfraquecido ser humano seduzindo-o irreversivelmente com os prazeres materiais. Este ser, que erra e peca, face a própria frágil natureza, felizmente pode ser recuperado pelo sacramento da confissão. É o que salienta o comentarista da passagem de S.Paulo, que citamos no início: “Depois do Batismo o sacramento da Penitência, recebido com as devidas disposições, devolve-nos a graça santificante e é, por isso, o meio querido por Jesus Cristo para conservar e aperfeiçoar a graça recebida: o sacramento da Penitência contribui eficazmente para fomentar a vida cristã.” (Bíblia Sagrada Ed.Theológica pg.832). Roberto
Corrêa, natural de S. Paulo (Capital), fez ginásio e
colégio com os Irmãos Maristas e bacharelou-se em
Direito pela Faculdade Paulista de Direito da Pontifícia
Universidade Católica de S. Paulo. Foi Delegado de
Polícia concursado, por dois anos, lecionou em
faculdades por igual tempo, cursou pós-graduação
pela USP em D. Civil participando de outros de
especialização e, como advogado, aposentou-se como
Procurador do Estado. Há cerca de 10 anos passou a
escrever crônicas ou artigos para jornais diversos do
interior paulista e atualmente se aperfeiçoa nesse
mister, embora com as restrições de praxe. Quando se
sente inspirado, faz poesias. Publicou dois livros de Direito , dois
de crônicas e um de poesia. Outros dados sobre o
autor podem ser encontrados em www.cadê.com.br
e www.usinadeletras.com.br. |