Dra. Lou de Olivier

A Multiculturalidade no Brasil
Segunda Parte
Matéria extraída de pesquisa científica realizada por:
Dra. Lou de Olivier - Psicopedagoga e Multiterapeuta
Escrita em junho de 2001 – São Paulo – Brasil

Proibida qualquer reprodução total ou parcial sem autorização escrita da autora, salvo os canais de divulgação aos quais colabora continuamente e a publicação a que destina-se a pedido
da Profa. Dra. Alice Tomé - Portugal

 Na região de Alagoas, vê-se a dança de São Gonçalo, Coco e Vaquejada. Estas danças cantadas derivam-se de um lado das danças rurais portuguesas ( representadas por rodas que correspondem à ciranda em outras regiões do Nordeste ) e por outro lado, das danças pertencentes ao batuque angoloconguense ( denominadas coco, samba ou pagode. Estas podem ter surgido apenas em Alagoas, como na região de fronteira Alagoas e Pernambuco ). Fora dessa região, estas danças não são conhecidas e nem cultuadas.

Além destes festejos típicos da influência portuguesa, pouco se vê pelas ruas do que seria o folclore português. Em São Paulo existem alguns clubes fechados e restritos aos associados que costumam tocar fados e festejar algumas datas, mas sempre com acesso exclusivo aos associados. Na culinária a influência parece não ultrapassar a bacalhoada, principalmente em dias santificados e pontualmente em todas as "sextas da paixão", nas mesas de todos os católicos. Não há um bairro específico da cultura portuguesa, até porque a mescla com o Brasil é tamanha que a cada rua encontra-se um português ou um seu descendente. E, certamente, em cada padaria, encontra-se um próspero e gentil senhor, geralmente de sotaque carregado nos "ss" e "rr", tentando ensinar o ofício aos filhos, que nem sempre esperam seguir os passos do pai...

Africanos: A cultura africana, sem dúvida também influenciou e continua influenciando o Brasil como um todo. Alguns pais-de-santo insistem em dizer que as religiões e seitas como Candomblé, Umbanda e derivados não surgiram na África, mas quando questionados não sabem ao certo qual a real origem. De qualquer forma, até que se prove o contrário, parece lógico que estas crenças tenham entrado no país através de escravos africanos e até hoje continuam cultuadas. De norte a sul é possível ver estas e outras variações de crenças, mas as manifestações mais concentradas estão no eixo Rio-São Paulo e, sem dúvida, no Nordeste, especialmente ( Salvador ) Bahia. Independente da data em que se comemoram em cada região, os festejos mais conhecidos são os de Iemanjá, para alguns, Janaína, para outros. Deusa do mar, sereia, dona do mar, mãe da procriação e, em algumas regiões, mãe de todos os Orixás ( deuses cultuados pelas religiões ). Comidas como acarajé e vatapá também parecem típicas, mas sem dúvida, o prato que mais influenciou a cozinha brasileira foi a feijoada. Não há um único brasileiro que nunca tenha saboreado o prato que, segundo o que se sabe, foi inventado pelos escravos que colhiam os restos que os senhores desprezavam para seus banquetes com leitões/porcos (?) e com estes restos misturados ao feijão e temperos fortes fabricavam o delicioso prato para ser saboreado com farinha e arroz ( quando havia esta opção ). Hoje, esta culinária simples tornou-se sofisticada ao ponto de em São Paulo existir um restaurante especializado em servi-la a preços dignos de um caviar ou algo do gênero. Desta forma, há feijoada para todos os gostos, pode-se saborea-la no restaurante simples de bairro por aproximadamente sete reais, pouco mais do que três dólares ou no restaurante especializado por cem reais ( aproximadamente quarenta e cinco dólares ). Não desmerecendo o referido restaurante, e sem querer mudar o rumo desta pesquisa, é preciso comentar que, para quem está acostumado a freqüentar lugares variados, o restaurante de bairro geralmente serve maior quantidade e com melhor sabor. (?) Os cabelos e tranças "afro", roupas soltas, crenças, simpatias, superstições diversas e a música como samba também são parte da grande influência africana. Sendo que o samba sofreu tantas influências desde o início até os dias de hoje que já não se sabe ao certo qual sua real definição. Dentre as variações, o samba de breque, o sambão e o pagode parecem melhor exprimir as diferentes formas de expressão deste ritmo, hoje tão brasileiro. E atenção: este "samba" e "pagode" pouco ou nada têm a ver com as danças citadas anteriormente e próprias de uma região específica do país.

Outras influências: Dos índios que, somente na primeira metade do século passado tiveram cinqüenta e cinco de seus povos extintos, pouco ou nada restou. Os poucos indígenas que ainda transitam pelas cidades usam roupas comuns, falam o idioma nacional e não os dialetos e idiomas originais de suas tribos, brigam por terras, contraem doenças "de brancos". Enfim, quase nada restou das origens indígenas no país. Talvez alguns poucos artesanatos ou algumas receitas de chás miraculosos e nada mais.

Esse talvez seja o ponto mais importante desta pesquisa, pois é comum ouvir-se comentários de que, no Brasil, só há índios, que por aqui só encontra-se selva e, alguns mais irônicos, chegam a comentar se "Brasil afinal é alguma fruta ou o quê?". Não pode haver nada mais triste do que um povo ser totalmente extinto de suas próprias terras, sem direito a nada. E, mais terrível do que isso, só mesmo os comentários maldosos de pessoas que nunca sequer pretenderam conhecer um dos países mais lindos deste planeta. Se é mal governado e direcionado, aí já questiona-se outros fatores.

Mas isso não o impede de ser um dos mais belos, de ter habitantes inteligentes, criativos e sempre dispostos a seguir em frente, a vencer todos os desafios. Um povo forte e lutador e que, provavelmente o seja justamente pela miscigenação.

Pela mistura de tantas raças, parece ter surgido uma raça única, lutadora e dinâmica. Um povo sempre disposto a ajudar, a estender a mão aos semelhantes e, acima de tudo, a recomeçar quantas vezes se fizerem necessárias, para quem sabe um dia, levar sua bandeira aos quatro cantos deste mundo e, desta vez, deixando bem claro que Brasil não é fruta, não tem índios assassinos nem plantas carnívoras. Nem tampouco oferece sexo fácil como alguns catálogos turísticos de baixo nível teimam em mostrar. Brasil é um país habitado por portugueses, italianos, americanos, espanhóis, africanos, japoneses e outras várias raças e que, por causa dele ( Brasil ) mesclaram-se e criaram a raça brasileira.

OBS: Esta matéria, fruto de pesquisa científica, destina-se a mostrar a multiculturalidade no Brasil. É preciso considerar que, como em qualquer país do mundo, há pessoas de boa e de má índole. Desta forma, o Brasil também tem seu lado abominável, com assaltos, crimes diversos, e outros contratempos que ocorrem em qualquer país. A intenção não é pintar o país de cor-de-rosa, nem mostrar apenas o lado bom. Visitantes, principalmente turistas estrangeiros, devem resguardar-se, pois como em qualquer lugar do mundo, o Brasil também oferece riscos aos turistas desavisados.

Dra. Lou de Olivier

Psicopedagoga e Multiterapeuta

http://planeta.terra.com.br/educacao/portaldofuturo

http://www.ecdlo.hpg.com.br

  m abraço e até a próxima oportunidade:
Dra. Lou de Olivier – Psicopedagoga e Multiterapeuta

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