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Dona Aninha e seus muitos maridos... Era uma vez uma jovem, não tão jovem assim... Teoricamente já deveria ser tratada como uma senhora, mas seu rosto luminoso, seu sorriso espontâneo, revelando marotas covinhas, seu corpo bem delineado, sua pele macia... Enfim, tinha tantos predicados que mais parecia uma adolescente dançando a vida... Tinha tido alguns namorados, alguns casos, alguns somente paqueras, que ela ia descartando, deixando pelo caminho sempre à procura de seu homem ideal (?). Os ex, inconformados, sempre pediam para voltar, mas ela seguia firme, decidida a encontrar o homem de sua vida. Até que, um dia, aconteceu... Encontrou seu grande amor. Um homem lindo, sensual, bondoso, carismático, enfim, o homem que ela esperara pela vida toda. O problema é que todas as outras mulheres do mundo pareciam achar a mesma coisa e ele vivia às voltas com tantas cantadas e convites que nunca tinha tempo para encontrar-se com a dona Aninha... Ela passou meses fazendo tudo para que ele a notasse. E até que ele notava, mas logo notava um bando de outras mulheres e acabava tudo na base do dito pelo não dito... Mas, apesar de não saírem juntos, o rapaz era sempre muito atencioso com a nossa protagonista. E, em troca de sua atenção e alguns favores, dona Aninha lhe dava presentes e mimos. Não que ele pedisse, mas também não reclamava ao recebê-los... Um dia, toda agradecida por um grande favor prestado pelo rapaz, que serviu para ela economizar um bom dinheiro e ainda evitar um grande transtorno, dona Aninha resolveu dar o golpe de misericórdia, comprou todos os apetrechos e ingredientes e ela mesma confeccionou uma linda cesta. Dentro colocou todos os ingredientes para um inesquecível café da manhã, com direito a perfume, óleo perfumado para banho e algumas camisinhas que ela esperava que ele usasse com ela, claro! O pessoal do escritório onde o rapaz trabalhava já a olhava meio torto, quando aparecia procurando por ele, então ela resolveu ligar e perguntar se havia algum endereço onde seu presente fosse entregue com mais privacidade. Era um sábado e ela só poderia encontra-lo no celular. Então ligou, caiu na caixa postal. Ligou mais tarde, caixa postal... Desanimada, resolveu fazer uma nova tentativa no dia seguinte. Não demorou muito, o celular dela tocou. Viu o número no visor e a voz que disse alo era dele... Atendeu toda feliz, mas não é que o palhaço desligou?!. Talvez por timidez ou por não tê-la ouvido do outro lado da linha ou, quem sabe, com tantas cantadas que vivia levando não tivesse ligado para ela por engano??? Dona Aninha, muito chateada, ficou questionando se deveria dar-lhe aquele presente apetitoso e erótico ao mesmo tempo... Estava pensativa, quando seu telefone tocou. Era um ex, que ela não via há mais de seis anos, convidando-a para tomar um drinque e “lembrar dos velhos tempos”. Ela recusou. Foi tomar um banho, nem bem ligou o chuveiro, o telefone tocou novamente. Era outro ex, dizendo-se apaixonado e querendo voltar... - Já se passaram uns cinco anos... (disse ela, meio incrédula)- Mas para mim parece que foi ontem, meu eterno amor. (respondeu melosamente o ex)Ela recusou também este ex, mas logo outro ligou e foi logo perguntando se poderia passar na casa dela. Ela disse que estava de saída e o rapaz disse que voltaria a ligar para marcar um encontro pois estava louco de saudades dela... Dona Aninha desligou o fone fazendo as contas de quanto tempo havia passado longe deste ex, no mínimo uns três anos... Ela não conseguia entender porque tão de repente seus ex resolveram ligar. Entrou num demorado banho e, do chuveiro podia ouvir o telefone tocando insistente. Provavelmente algum outro ex enlouquecido de amor repentinamente nostálgico... Ela imaginou que deveria ser uma dica do destino. Tantos homens apaixonados por ela e ela sendo apenas mais uma correndo atrás daquele deus grego que, definitivamente, não parecia querer nada com ela. Saiu do banho com muita fome e, olhando para aquela grande e apetitosa cesta, não teve dúvidas. Pôs-se a comer todas as deliciosas guloseimas... Também usou o óleo para banho e o perfume. Só não usou as camisinhas por motivos óbvios. Estas ela guardou para uma ocasião especial talvez com um dos ex que tanto queriam voltar. Não sabia ainda qual deles escolheria. Pensou que poderia fazer um concurso. O ganhador seria brindado com uma inesquecível noite de amor... E assim termina a estória de dona Aninha e seus muitos maridos. Aquela que teve todos e nenhum ao mesmo tempo. Aquela que sempre amou quem não lhe pertencia e descartou quem a queria. Aquela que, mesmo errando muito, acertou em cheio conquistando definitivamente o coração dos homens que passaram pela vida dela... FIM © Lou de Olivier 30/10/04 Dra. Lou de Olivier Psicopedagoga e Multiterapeuta |