Dra. Lou de Olivier

Evolução das Relações

Seja qual for o objetivo da relação (amor, amizade, negócios), a principal característica que justifica a união é a identificação. Pessoas associam-se, unem-se por afinidades. E seguem juntas enquanto há afinidade. Acontece que cada um tem seu tempo, seu caminho e sua assimilação de aprendizado, resumindo, pessoas evoluem (ou regridem ou estacionam) em tempos diferentes. E aí vem a separação ou a acomodação ao lado de alguém com quem não há mais identificação...

Numa amizade pura e simples, é mais fácil desvincular-se. Apesar dos laços já estabelecidos, a conscientização de que os envolvidos encontram-se em níveis diferentes, acaba distanciando um ou os dois amigos. E isso, ainda que não pareça, geralmente está claro para os dois. E, mesmo assim, haverá sempre um deles que pensará: "Mas porque será que o meu amigo não mais me contatou?

Mas, se numa amizade, o máximo que poderá acontecer será um dos dois questionar o porque do distanciamento, numa sociedade ou casamento, as coisas não serão tão simples. Numa sociedade, certamente, já haverá muitos acordos, contratos, contatos, enfim, muitas responsabilidades assumidas em parceria, o que dificultará muito o distanciamento. Num casamento então, nessas alturas, certamente, existirão filhos, cachorro, amigos em comum, plano de saúde familiar e mais inúmeros entraves que, no mínimo, adiarão o afastamento. E além de tudo isso, ainda contarão anos de convivência e isso, sem dúvida, será um empecilho para a separação. Diante disso, vemos muitos casais arrastando uma relação acabada e sócios seguindo para a empresa como se fossem para a forca, sem sequer questionarem se não haverá alguma solução..

Claro, solução sempre há, basta conciliar, esta é a palavra mágica, conciliar o que, em algumas situações, significa também conceder. Numa empresa, deve-se estipular seu principal objetivo. Geralmente é o financeiro, mas também pode ser o social (em casos de filantropia) ou outro objetivo. Estipulado o principal objetivo, deve-se excluir questões pessoais, ou seja, características pessoais dos sócios deverão ser desconsideradas em função do objetivo da empresa. Deve-se estipular o perfil da empresa e todos (sócios e funcionários) deverão seguir esse conceito. Seguindo este caminho, dificilmente haverá discórdia e a empresa cumprirá sua função na sociedade, seja qual for

Num casamento ou relação duradoura, o caso torna-se muito mais complexo porque não dá para deixar características pessoais de lado já que, afinal, a relação por si só já é pessoal. Então, há basicamente duas formas para conciliar e uma mais radical que, na minha opinião, é a melhor e que falarei na seqüência. As duas formas básicas que temos são

A – Divergência consciente: O casal conversar constantemente sobre suas idéias, evoluções, mudanças de temperamento/ideais/idéias... Os dois deverão ter consciência de que estão em constante aprimoramento e portanto, sujeitos a evoluções diferentes e até contrárias. Com essa consciência e com muita franqueza, será possível um casal conviver por muitos anos em harmonia, mesmo que tenham atividades, idéias, ideais diferentes e até divergentes. Mas, que fique claro que esta é uma relação que, ao longo dos anos, deixará de satisfazer, visto que os dois terão em comum apenas o básico que é o dia-a-dia, o sexo, filhos, e, infelizmente para muitos, a novela das oito que acaba suprindo o amor de deveria existir entre o casal

B – Comunhão total: Esta forma que exige muito dos envolvidos, é a comunhão de idéias, ideais, atividades, etc. Assim, os dois evoluirão juntos e terão sempre as mesmas metas, conciliando tudo o tempo todo. Isso exigirá muitas concessões e também reais afinidades já que não dá para fingir satisfação numa atividade que não lhe diz respeito. Trabalhar na mesma área, até mesmo, em sociedade, freqüentar os mesmos lugares sociais, praticar os mesmos esportes ou atividades recreativas. Enfim, seguir de fato juntos. Isso só vale para casais que realmente tenham afinidades parecidas ou iguais. Não adiantará um dos dois passar o final de semana fazendo equitação, pára-quedismo ou treinando uma nova dança latina e depois passar dias reclamando da dor nas costas, das varizes, do enjôo provocado pela nova atividade. E por ai vai... Se as atividades do seu parceiro estão lhe causando dores e enjôos, troque de parceiro e de atividades também..

Há uma terceira opção que julgo ser a mais acertada, mas que fique claro que é minha opinião pessoal e nada tem a ver com regras estipuladas. Creio que a melhor forma de relacionar-se e crescer ao mesmo tempo, é procurar um parceiro com muitas afinidades e seguir com ele enquanto for possível, mas sem nenhum vínculo definitivo. A partir do momento em que um dos dois (ou os dois) evoluir de forma divergente ou muito mais rápida, trocar de parceiro e seguir assim até ter certeza de que atingiu seu ponto máximo de evolução. Neste ponto, talvez lá pelos sessenta anos, será possível finalmente, encontrar alguém para seguir até o fim. Desta forma será possível crescer a vontade, encontrar seu real caminho e, na velhice, procurar alguém com escala parecida ou igual de desenvolvimento, mesmo nível de aprendizagem e então realizar o sonho de ter alguém pelo resto da vida. Até porque, nem sempre é para o resto da vida. Exceto por um acidente a que todos estamos sujeitos, certamente, a morte levará um dos dois antes e o que ficar seguirá tão sozinho como se tivesse sempre estado assim

Então, longe de regras e de fugas da solidão, o melhor mesmo, é amar muito, procurar conhecer as pessoas a fundo, entregar-se às emoções sem regras nem impedimentos porque a vida é efêmera e, apesar de tudo o que escrevi aqui, amar alguém ainda vale muito a pena..

Dra. Lou de Olivier

Psicopedagoga e Multiterapeuta

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