Dra. Lou de Olivier

A Importância do Vínculo Entre Pais E  Filhos

Antes de qualquer colocação, é preciso salientar que ter um filho é uma imensa responsabilidades que deve-se assumir pela vida toda. Por isso, um filho deve ser muito planejado e querido para evitar várias situações desconfortáveis que, diariamente, levam tantas pessoas aos consultórios e clínicas terapêuticas.

Um filho jamais deve ser gerado apenas por acidente, ou para satisfazer um instinto materno/paterno ou para solucionar casos de solidão, para seguir carreiras que os pais não puderam seguir ou ainda para "prender" o parceiro a si ou qualquer outro motivo que não seja apenas, a vontade de colocar alguém no mundo e ser-lhe útil, ensinar-lhe e aprender com ele.

Quando uma criança é planejada e amada da forma certa, dificilmente apresenta traumas/distúrbios e a vida em família passa a ser prazerosa ou, ao menos, bem aceita.

A partir daí, é preciso criar vínculos corretos com essa criança para que a vida em família seja a melhor possível e também para que essa criança cresça segura de seu papel na sociedade e em relação aos outros.

Desde cedo, ou seja, desde o nascimento, essa criança precisa ter boas referências (em todos os sentidos) de seus pais. Desde os cuidados com higiene e alimentação até responsabilidades em geral devem ser passadas à criança para que tenha referências e bons exemplos. Deve estar claro para a criança que seus pais a amam, cuidam dela em todos os sentidos e que aconteça o que for, sempre estarão ao seu lado, sempre serão seus pais. Claro que fatalidades podem ocorrer como a morte de um ou dos dois pais, mas isso, se ocorrer, deverá ser também trabalhado muito bem, neste caso, por um bom Terapeuta. Mas deixando as fatalidades de lado e lidando com uma realidade mais amena, é preciso dar segurança a criança em todos os sentidos.

Dessa forma, mesmo se o casal vier a separar-se ou houver alguma fatalidade, a criança estará bem estruturada e pronta a lidar com a situação.

Tenho deparado-me com alguns casos em que um dos pais, para vingar-se do outro, aos poucos, "convence" o filho de que o outro é ruim ou não é digno de confiança ou qualquer outro motivo que acaba afastando o filho de um dos pais e isso, além de uma grande perversidade, acaba revertendo contra a própria criança. Geralmente é ela quem vai parar numa clínica terapêutica tentando reencontrar-se quando quem precisa de séria terapia é o pai/mãe que a coloca contra o outro. Isso parece ser comum em casamentos desequilibrados ou, principalmente, em alguns processos de divórcio, onde o que vale é "ganhar" a causa, doa a quem doer...

Sempre digo que, dependendo das circunstâncias, às vezes é melhor estar num bom divórcio amigável do que num péssimo e conflitante casamento. E isso vale não só para o casal, mas também para os filhos. Quando o divórcio é bem dialogado e resolvido, torna-se muito mais saudável para o casal, e principalmente para os filhos, do que viver num clima de discórdia, muitas vezes " lendo " nos olhos dos pais ou mesmo ouvindo verbalmente que só continuam juntos " por causa dela ", sentindo-se culpada por ser o "elo de ligação " entre duas pessoas infelizes e insatisfeitas.

Portanto, nada tenho contra o divórcio, desde que seja bem resolvido. Falo é do divórcio (ou casamento) cheio de desentendimentos, usando filhos como armas e escudos, o que os torna inseguros, apresentando problemas de aprendizagem, dificuldades em relacionar-se afetivamente e, em casos mais graves, crescendo com aversão ao casamento, à família, etc.

Quando um casal que tem filhos decide que o melhor a fazer é separar-se fisicamente, deve tentar estabelecer ao máximo um clima de amizade, ao menos, na presença dos filhos, por mais custoso que seja. Se isso for impossível, é melhor manter os filhos afastados durante o processo. Por mais dolorosa que seja a separação será melhor do que ver o casal se estapeando pelos cantos brigando por bens materiais ou por motivos tolos. Pois, como já disse, eles precisam sentir-se amados, protegidos e, acima de tudo, desvinculados da relação/separação dos pais. Ou seja, é preciso deixar claro para a criança que, casados ou divorciados, juntos ou separados, seus pais continuam amando-a, cuidando e amparando-a em todos os momentos. Aconteça o que for, o pai será sempre pai, a mãe sempre mãe. E, mesmo se os pais casarem com outras pessoas, serão sempre seus pais. Isso trará segurança e tranqüilidade a todos. Se os filhos forem bem preparados diante da situação, mesmo que se sintam um pouco inseguros no início do processo, certamente superarão a fase e se tornarão crianças felizes, seguras, sem nenhum problema afetivo ou de aprendizagem. E crescerão sabendo que os adultos podem errar, reconhecer erros, recomeçar, que casamento não é um mal incurável e é possível até casar-se mais de uma vez até encontrar a pessoa certa para si.


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Dra. Lou de Olivier – Psicopedagoga e Multiterapeuta

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