Dra. Lou de Olivier

A importância do brinquedo no desenvolvimento da criança
Esta matéria foi publicada no nº 2 da Revista Mãe Moderna (Brasil) e é parte integrante da coluna "Relações Humanas" publicada neste site. Proibida qualquer reprodução sem autorização escrita da autora ou de seus representantes legais.

O ato de brincar é, por si só, uma fonte inesgotável de prazer e aprendizados em todos os sentidos. Brincar, além de descontrair, estimula todos os sentidos e deve ser constante na vida de crianças e até adultos. Afinal, é possível "brincar a vida" com muita maturidade e seriedade, é claro!

Em se tratando do desenvolvimento físico e intelectual das crianças, os brinquedos tornam-se essenciais, desde que escolhidos de acordo com suas funções e respeitando a idade a que se destinam. A maioria dos brinquedos, principalmente os chamados educativos, têm especificações quanto à sua aplicação, objetivos e a idade a que se destinam.

De um modo geral, podemos classificar os brinquedos e suas funções da seguinte forma:

Dos zero aos seis meses de vida: Nesta fase, o bebê precisa ser estimulado a desenvolver seus reflexos e a reagir aos estímulos tais como sons, luz, carinho... Para ajuda-lo a desenvolver-se neste sentido, deve-se usar brinquedos bem coloridos que tenham sons facilmente diferenciáveis e, preferencialmente, que também sejam macios ao toque e fáceis de manusear. Isso ajudará o bebê a desenvolver seu tato e perceber cores e sons, o que é essencial para desenvolver inclusive a fala, audição e visão.

Dos seis aos vinte e quatro meses: É uma das fases mais gostosas da infância, onde haverá certo controle dos instintos e da atividade motora, isso fará com que a criança consiga brincar bastante, distraindo-se com os brinquedos por períodos longos e sempre curiosa em suas descobertas. É também nesta fase que a fala começa a ser desenvolvida sendo que, por volta dos dezoito meses, ela já saberá pronunciar um bom número de palavras, ainda que de forma errada. Ainda neste período inicia-se a fase da separação simbiótica que não relatarei neste artigo, por ser um assunto que requer muitas informações. Poderei falar sobre isso em outra oportunidade. Importante é saber que a fase simbiótica é importantíssima e deve ser estimulada no sentido da criança ter um objeto que será como uma "extensão da mãe", poderá ser um bichinho de pelúcia, um travesseiro, enfim, um objeto que ajudará a criança a atravessar esta fase, sentindo-se segura em todos os momentos. Também é bom estimular a criança com brinquedos como quebra-cabeça, jogos de encaixe com diversas formas e cores e os que ajudem a estimular seu engatinhar e, na seqüência, seu andar, tais como carrinhos e outros objetos com rodas ou que deslizem pelas superfícies, pois estimularão a criança a empurra-los e, consequentemente deslocar-se.

ATENÇÃO: Ao escolher os brinquedos, deve-se evitar os muito frágeis, com peças pequenas e fáceis de retirar, pois podem facilmente ser levados à boca, nariz ou ouvidos, causando muitos acidentes. A preferência deve ser para brinquedos bem confeccionados em material resistente e sem detalhes pequenos.

No período dos dois aos cinco anos, a criança irá desenvolver bem a fala, conseguir autonomia nas funções corporais ( comer, beber, evacuar, etc. ) e já deverá ter coordenação em exercícios que envolvem pulos e corridas. Então deverá ser estimulada com jogos de letras e números que irão estimular sua aquisição de leitura/escrita e seu aprendizado em matemática. Também poderá ser estimulada a desenhar, pintar e fazer recortes e colagens. A partir dos três anos já poderá ser iniciada em algum esporte (um dos melhores é a natação), ou em alguma modalidade de dança. Mas neste ponto é preciso verificar se a criança demonstra afinidade com a dança ou esporte. Caso não demonstre, não deve ser forçada pois só haverá um bom aproveitamento se partir dela o desejo de participar destas atividades.

A partir dos três anos já é possível iniciar a criança nas técnicas básicas de teatro, principalmente de fantoches. Esta atividade é muito rica pois, além de estimular a coordenação motora e a criatividade na confecção e manuseio dos bonecos, ainda permite que se invente uma estória com as personagens criadas e, na seqüência, é possível até escrever a estória criada, o que irá estimular a alfabetização.

Neste período é comum as crianças brincarem de casinha, de médico e outras brincadeiras deste tipo. Alguns pais preocupam-se com esta brincadeiras por, em alguns casos, sugerirem conotação sexual ou pelo preconceito como no caso dos meninos que brincam de casinha, bonecas ou meninas brincando com carrinhos. Então, devo dizer que, a menos que a criança demonstre algum sério desvio, como agressividade, malícia exagerada ou atitudes estranhas à sua idade, (alterações que deverão ser tratadas por um bom terapeuta), é muito saudável fazer estas brincadeiras, pois desenvolvem conceito familiar, responsabilidades, definição dos papéis dentro da família e da sociedade, além de promover a integração dos participantes.

Este é um assunto muito abrangente que, certamente, não pode ser totalmente desvendado neste simples artigo. Mas espero ter fornecido a você, leitor, o essencial para o entendimento do assunto. Para aprofundar-se neste e em outros temas referentes ao desenvolvimento de crianças dos zero aos cinco anos recomendo meu livro "Problemas de aprendizagem na pré escola", onde mostro claramente o normal, o problemático e o distúrbio neste período do desenvolvimento infantil. Estou a disposição para maiores esclarecimentos ou para consultas no fone 0xx11-33263523 ou pelos emails portaldofuturo@terra.com.br   Meus site: http://planeta.terra.com.br/educacao/portaldofuturo  está em constante atualização e também poderá ser consultado.

Um abraço e até a próxima oportunidade:
Dra. Lou de Olivier – Psicopedagoga e Multiterapeuta

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