Dra. Lou de Olivier

Negação do amor como mecanismo de defesa.

Atenção: Os homens que cito nesta matéria são apenas os que apresentam uma declarada negação do amor como mecanismo de defesa. Não tenho a intenção de generalizar.  É preciso ter consciência de que há inúmeros tipos de homens e mulheres. E, em nenhum caso, há como generalizar

Durante tantos anos atuando como Psicopedagoga e Multiteterapeuta, tenho visto passar pelo meu consultório inúmeros casos que vão desde um simples distúrbio de aprendizagem até um grande desvio de conduta. Dentre todos os distúrbios apresentados, um dos mais intrigantes é a negação do amor. Não só por todo o complexo que representa, mas também e principalmente por  experiência própria, onde por várias vezes, me vi envolvida com pessoas que apresentavam esta atitude diante dos sentimentos. Devido a estes fatores, decidi repensar situações, aprofundar-me nesta pesquisa e decifrar, se pode ser chamado assim, os porquês deste comportamento totalmente contraditório.

Em primeiro lugar, uma grande curiosidade é que somente ou quase somente homens colocam-se em negatividade ao sentimento de amor. As mulheres parecem lidar bem melhor com este sentimento. Outra curiosidade é que esses homens não deixam de amar. Mas transferem seu amor das mais estranhas formas. Alguns fazem questão de manter distância de “suas amadas” afastando-se de seu convívio. Outros querem apenas saber da existência de seu objeto de adoração. Podem visitar a mulher, dar-lhe presentes, portando-se de forma totalmente estabanada diante dela. O que caracteriza uma forte atração e admiração. Mas, nunca se declarando. Deixando claro seu interesse apenas na amizade. Outros ainda, chegam a demonstrar algum interesse, mas fogem se percebem a reciprocidade. E outros até acabam envolvendo-se com outras mulheres que não amam para “fugir” deste envolvimento.

Os homens alegam como desculpa para a atitude, principalmente, medo de sofrer, medo de perder, traumas antigos, romances frustrados ou tudo isso ao mesmo tempo. Este tipo de atitude também pode ocorrer quando o homem se acha feio ou desajeitado ou sem nenhum atrativo e a mulher em questão é muito bonita, sensual e/ou popular.  Isso faz com que o homem, de forma inconsciente, imagine nunca ser correspondido. Ou imagine ser traído na primeira oportunidade. Ou ainda, ser ridicularizado pela bela mulher que, se souber de seu fascínio por ela, certamente irá humilha-lo ou algo assim.

Há também aquele tipo que casou-se muito cedo ou envolveu-se muito profundamente uma vez e a relação, por qualquer motivo, não deu certo. Uma das frases mais comuns desses homens para justificar sua decisão de negação do amor, é “Já sofri muito uma vez, chega. Não sofrerei mais”. Parece faltar aos homens a capacidade de compreender a vida como um todo, como um grande aprendizado. E cada amor como único, merecedor de chances e, acima de tudo, fonte de amadurecimento. Acham que já sofreram uma vez, então basta.  Meio covardes recusam-se a lidar com um novo amor. Este, na verdade, nem chega a surgir. Pois, ao primeiro sinal de amor, fogem. Acabam refugiando-se numa relação sem envolvimentos onde não amam, independente de serem ou não amados.

            Em meu livro “Acontece nas melhores famílias”, falo um pouco do falso vínculo que atrai muito as pessoas frágeis, que não conseguem ou acham-se incapazes de conseguir manter um vínculo forte de amor. Então procuram pessoas incompatíveis com quem  têm pouca ou nenhuma afinidade. Essa busca deve compensar antigas desilusões, perdas, frustrações, etc. Relacionando-se com alguém incompatível não se corre o risco de amar e ser amado.

            Mas, se no falso vínculo, a característica principal é  o “não amor” de ambas as partes, na negação isso pode ou não ocorrer. Isso significa que, o homem procura alguém incompatível por que, tem certeza de que não sentirá nada além de atração física. E, às vezes, nem atração. Mas seu par, em algumas situações pode envolver-se. Já que, geralmente, nem desconfia de sua condição nula dentro da relação. Essas relações podem ser bastante complicadas. Pois essa mulher pode acabar engravidando, até mesmo para “fortalecer” a relação. Ou pode descobrir que está sendo usada. Ou outros fatores podem vir a desencadear alguns finais bem difíceis e até trágicos para os envolvidos. Sendo assim, melhor mesmo é que as pessoas, em geral,  aprendam a lidar com seus sentimentos de forma satisfatória.

            Quando duas pessoas se conhecem e sentem-se atraídas seja física, intelectual ou espiritualmente ou por todos os ângulos ou, ainda por qualquer outra atração, o normal é que voltem a encontrar-se, façam o possível para conhecerem um ao outro com profundidade. Até mesmo para saber se o envolvimento realmente pode ser amor ou é apenas atração que passará com o tempo. Essa é, sem dúvida, a melhor atitude a tomar.

            Mas, quando duas pessoas se atraem e uma delas se retrai, dizendo ter medo de sofrer   novamente, pois já sofreu antes ou alegando qualquer desculpa para o romance não deslanchar, coloca-se em posição passiva e cômoda. Transferindo toda a responsabilidade para o outro ( geralmente para a mulher ).

A mulher que, geralmente é tão ou mais sofrida do que o referido homem, vê-se numa enorme bifurcação:

Se insistir na relação, “convencendo” o homem a ficar com ela e, ao menos tentar. ( Atitude aliás, muito normal, quando homem e mulher se atraem, como já disse anteriormente ) Pois bem, se a mulher insistir na relação e algo sair errado, irá sentir-se culpada pelo resto da vida por ter insistido. Por ter forçado uma situação que o homem não queria.

Se, ao contrário, ela concordar com ele. E afastar-se de uma relação amorosa, seguindo apenas como amiga ou colega, irá sentir-se sempre uma incompetente. Alguém que não teve coragem de insistir, de atirar-se a uma relação que poderia até dar certo. E, sempre haverá a curiosidade, de ambos, em saber como teria sido se a relação de amor se estabelecesse entre os dois.

 A mulher pode ainda, na tentativa de esquecer este homem, envolver-se com um terceiro, o que tornará a situação mais complicada ainda.  Principalmente se os dois mantiverem contato constante.

Há ainda a hipótese da mulher investir na relação, fazer tudo para “conquistar” o homem e, após muito tempo cansar de sofrer, de ser desamada, desatendida e desistir. Justamente quando o homem se entrega à relação. Se isso ocorrer, então, o homem terá argumentos fortíssimos para denunciar a imprestável. Afinal, ele bem desconfiou desde o início, que ela só queria “usa-lo” e depois “descartá-lo”. Em nenhum momento ele pensará que a mulher simplesmente cansou-se de amar alguém que parece incapaz de entregar-se por inteiro ao relacionamento.

Ou seja, com toda a responsabilidade nas costas, não importa o que aconteça, a mulher sempre irá sentir-se culpada.

Acima de tudo, a mulher que se encontra nesta situação deve ter em mente que uma relação só acontece de verdade quando os dois estão envolvidos. Portanto, um relacionamento em que só a mulher se envolve, enquanto o homem se retrai, seja qual for o motivo, está fadada ao fracasso. Simplesmente porque o homem já entra pensando no final, na perda, no grande sofrimento que será ver a mulher partindo. Isso tudo antes mesmo de começar. E, obviamente, o que já começa esperando pelo final, tende a terminar o quanto antes.

Diante disso, a melhor atitude parece ser um bom diálogo. Onde a mulher deve deixar claros seus sentimentos, intenções e também sua disposição e disponibilidade para investir nesta relação. Mas, apesar disso e diante da insegurança do homem, ela deve afastar-se logo após este diálogo, para que ele pense. Ele deverá decidir se a quer ou não. Se quer viver uma relação madura, prazerosa e, obviamente, sujeita ao término, como tudo o que começa.

Ao afastar-se, a mulher também deve dar um prazo para que o homem decida, caso contrário, correrá o risco de esperar pelo resto da vida por uma definição. Ou então, deixar o prazo em aberto, mas frisar que, caso o homem demore muito a procura-la, correrá o risco de encontra-la numa outra relação. Já que a vida é curta e não há mesmo como esperar muito por um amor que parece aceso apenas para a mulher.

Creio que esta seja a melhor atitude diante desta situação. Pois, qualquer outra parece deixar apenas a mulher exposta e, em conseqüência, sujeita  a todas a responsabilidades. É preciso estabelecer um equilíbrio na relação. E, neste equilíbrio, os dois devem querer uma relação a dois, decidindo juntos o início, os rumos do relacionamento. E, se preciso for, o término da relação e a forma como seguirão após o final. Se houver final.

 Já que, ao meu ver, não há pior final do que o “nunca começar”. Nada pode ser mais vazio do que uma relação que não deixou lembranças porque não aconteceu.  E não há nada mais prazeroso do que a certeza de ter feito o melhor. De carregar as marcas que só os corajosos carregam porque tentaram e foram até o fim. E, no fim, sempre buscaram um recomeço.

Em meu livro Acontece nas melhores famílias”, é possível aprofundar-se em assuntos como relacionamentos diversos, casamento, divórcio, triângulo amoroso, homossexualismo. Além de saber toda a história da Arteterapia e Psicopedagogia desde Pitágoras até os dias atuais.

Dra. Lou de Olivier

Psicopedagoga e Multiteterapeuta.
http://psiconeuroarte.hpgvip.com.br
http://planeta.terra.com.br/educacao/portaldofuturo
 

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