Dra. Lou de Olivier

Autobiografia...

 Se eu escrevesse minhas memórias

Muito, ou nada, teria a contar

Momentos de glórias, vitórias

E momentos de profundo penar...

 

Do meu pai ficou bem pouco

Bom ou ruim: Um ser iluminado

Um cientista incompreendido e louco

Que se foi para o Universo estrelado...

 

Minha mãe, a primeira rival

Criança que nunca cresceu

Confundiu meu ser e meu astral

E, sem entender porquê, simplesmente morreu...

 

Meus pais juntos muito construíram

Tudo o que se pode ter de material

Mas o amor não possuíram

Amaram-se em estradas opostas, eterno temporal...

 

Nasci, cresci e, cedo, entendi

Que todos na casa dependiam de mim

Não importava o que dissesse, percebi

Já que todos só me diriam sim...

 

Meio criança, meio mulher, pelo meio

Parti rumo à minha vida acidentada

Vida e morte me atingiram em cheio

Busquei respostas na vida conturbada...

 

A dança da noite me atraindo

Enquanto amadurecia, senti o poder

Amando, sendo ferida e ferindo

Conquistando tudo que não podia ser...

 

Cada vez mais experiente

Me vi adulta e, às vezes, atriz

Ora médica, ora paciente

Ora artista, santa ou meretriz...

 

Nas mulheres, poucas amizades

Mas estas muito sinceras

Compensaram as maldades

Das centenas que me vieram como feras...

 

Poucas amizades propriamente ditas

E muitos colegas de trabalho

Acolhendo a todos em horas malditas

Nas benditas, servindo-me de espantalho...

 

Quis dividir meus conhecimentos

Com todos os povos e nações

A grande mídia viu em mim só lamentos

Poucos entenderam minhas intenções...

E assim, o tempo  passou

Sem que eu olhasse minha própria vida

Um irmão, uma cunhada, o que me restou

E, no coração, uma grande ferida...

Ah, quase me esqueci

De falar do bem maior de uma mulher

Aquele que vem para não partir

O homem que toda mulher quer...

 

Sincero, amigo, devotado

Sedento de arrebentar a cama

Companheiro, amante e namorado

Único universo de quem ama...

 

Mentiria se dissesse que ele não me viu

Muitos vieram e muito me amaram

Mas, em todos, meu sonho se partiu

E, com outras, eles se casaram...

 

Para encerrar esta autobiografia

Admitiria meu destino selado

Gritaria no mais alto convés:

Que tive inúmeros homens aos meus pés

Alguns contra mim: Que covardia!

E nenhum, absolutamente nenhum ao meu lado...

 © Lou  de Olivier 26/11/01

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