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Se eu escrevesse minhas memórias Muito, ou nada, teria a contar Momentos de glórias, vitórias E momentos de profundo penar...
Do meu pai ficou bem pouco Bom ou ruim: Um ser iluminado Um cientista incompreendido e louco Que se foi para o Universo estrelado...
Minha mãe, a primeira rival Criança que nunca cresceu Confundiu meu ser e meu astral E, sem entender porquê, simplesmente morreu...
Meus pais juntos muito construíram Tudo o que se pode ter de material Mas o amor não possuíram Amaram-se em estradas opostas, eterno temporal...
Nasci, cresci e, cedo, entendi Que todos na casa dependiam de mim Não importava o que dissesse, percebi Já que todos só me diriam sim...
Meio criança, meio mulher, pelo meio Parti rumo à minha vida acidentada Vida e morte me atingiram em cheio Busquei respostas na vida conturbada...
A dança da noite me atraindo Enquanto amadurecia, senti o poder Amando, sendo ferida e ferindo Conquistando tudo que não podia ser...
Cada vez mais experiente Me vi adulta e, às vezes, atriz Ora médica, ora paciente Ora artista, santa ou meretriz...
Nas mulheres, poucas amizades Mas estas muito sinceras Compensaram as maldades Das centenas que me vieram como feras...
Poucas amizades propriamente ditas E muitos colegas de trabalho Acolhendo a todos em horas malditas Nas benditas, servindo-me de espantalho...
Quis dividir meus conhecimentos Com todos os povos e nações A grande mídia viu em mim só lamentos Poucos entenderam minhas intenções... E assim, o tempo passou Sem que eu olhasse minha própria vida Um irmão, uma cunhada, o que me restou E, no coração, uma grande ferida... Ah, quase me esqueci De falar do bem maior de uma mulher Aquele que vem para não partir O homem que toda mulher quer...
Sincero, amigo, devotado Sedento de arrebentar a cama Companheiro, amante e namorado Único universo de quem ama...
Mentiria se dissesse que ele não me viu Muitos vieram e muito me amaram Mas, em todos, meu sonho se partiu E, com outras, eles se casaram...
Para encerrar esta autobiografia Admitiria meu destino selado Gritaria no mais alto convés: Que tive inúmeros homens aos meus pés Alguns contra mim: Que covardia! E nenhum, absolutamente nenhum ao meu lado... © Lou de Olivier 26/11/01 |