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Pai de todos os planetas Reinando solene nesta terra Torne-me mais justo e sereno Menos explosivo e descrente
Faça de mim alguém, capaz De olhar a vida por muitos ângulos Que nunca me cale diante do imprevisto E nem fale tanto que não possa reavaliar
Que eu nunca me omita, nunca minta Nem peque por excesso de franqueza Que eu trate a todos com igualdade Da pobreza até a realeza Todos sejam apenas humanidade
Que eu veja além dos olhos humanos Mas, sabiamente, finja-me cego Que meu riso não incomode o leigo E minhas lágrimas não lhe dêem alegria
Se eu ainda puder amar Que seja alguém espelho meu Reine nos ventos, no céu e no mar Rondando em noites de luar Entre tantos que só sabem vagar
Que meu silêncio mais profundo Seja meu leito neste mundo E que eu perca-me em poesia Quando tudo o mais se exterminar E, quando houver apenas adeus Que eu seja, enfim, meu próprio deus... |