Hoje quero contar-lhes
sobre uma das curiosidades mais freqüentes da Horta Comunitária,
relacionada ao seu constante enriquecimento cultural e de
variedade de plantas.
Quando faço a vistoria diária, geralmente pela manhã, não é raro
encontrar doações de novas mudas ou sementes colocadas ali por
pessoas não identificadas. A sorte é que por aqui transitam
cidadãos das mais diversas regiões do País e que de fato
acrescentam informações valiosas ao nosso trabalho. Percebo que,
quando se trata de condimentos, os sulistas é que são os papas;
no que diz respeito a ervas curativas, não há que entenda melhor
que o pessoal do norte e nordeste; horticultura? fale com os
mineiros e os goianos, que você vai se impressionar com a
sabedoria que eles detém; já a grande maioria dos cariocas,
baianos e capixabas, geralmente não estão nesta praia, mas na
outra onde a terra se chama areia e os rios se chamam mar.
Às vezes aparecem plantas já conhecidas, o que facilita a
definição do seu espaço e o plantio no local de luminosidade e
temperatura adequadas. Outras vezes não sei do que se trata e
fico dias pesquisando apenas pelo aspecto físico da planta até
encontrar sua função na natureza ou desistir. Se desisto,
escolho um local qualquer e a coloco ali, mantendo-a sob
observação. Geralmente acaba passando alguém que a reconhece
pelo seu nome popular e lá vou eu coletar informações mais
completas a respeito do seu papel que, quase sempre, é de
benefícios à saúde. Mas há aquelas pessoas que são mais
participativas e que entram em contato comigo por telefone ou
pela internet. Aí fazemos uma boa troca de informações, antes
que a planta passe a compor nosso acervo. Nesta última semana,
foi o caso do Diógenes, que me apresentou ao Cipó de São João.
Primeiro ele me perguntou se eu conhecia a planta, informando
que se tratava de uma trepadeira; depois quis saber onde
conseguir uma muda: indiquei alguns locais prováveis; em
seguida, retornou com a informação de que havia conseguido e,
finalmente, me trouxe um belo exemplar, deixando-o no jardim
discretamente, sem aviso prévio. E lá está ela, esperando que eu
defina onde vai ser sua nova morada.
Vamos conhecê-la? Bem, pode ser encontrada em todo o Brasil,
especialmente na Região do Cerrado, onde parece florescer mais
para abrandar as cores cinza e marrom da vegetação de inverno,
assim como acontece com os ipês. Galhos próprios de trepadeira
delicada e folhas verdes tenras e abundantes, produz grande
quantidade de flores alongadas em vários tons de cor alaranjada,
especialmente nos meses frios e secos. Decorativa para muros,
cercas, coberturas como caramanchões e treliças, é bastante
utilizada na decoração das barracas das festas de São João -
origem do seu nome mais popular.
Erva perene, genuinamente brasileira, foi batizada
cientificamente como Pyrostegia venusta, da família Bignoniaceae.
Popularmente também é conhecida simplesmente como
flor-de-são-joão e cipó-vermelho.
De constituição física resistente, pode ser encontrada nas matas
à beira das estradas. Para produzir mais e melhor, recomenda-se
cultivá-la em solo fértil com regas regulares sempre a sol
pleno, como convém a qualquer flor que se preze. Uma boa
adubação com farinha de osso e cinza mais regas regulares, na
modalidade de chuveirinho, estimulam uma floração abundante.
Multiplica-se por sementes e por estaquia.
Considerada tônica, toda a planta (flores, folhas e raízes) é
indicada para combater diarréia e desinteria.
Embora não haja referência a resultados positivos no combate ao
vitiligo, está constando da literatura como uma das
possibilidades de tratamento para esse problema, ao lado da mais
famosa Mama Cadela, que é muito citada como solução para
amenizar as manchas na pele.
Ainda a respeito dessa erva e de outras opções de tratamento
contra vitiligo, os leitores interessados poderão encontrar no
Fórum de debates citado na bibliografia abaixo.
Fontes:
http://inforum.insite.com.br/
http://www.jardineiro.net/br/banco/pyrostegia_venusta.php