Textos em Prosa
Sonia Maria Delsin Lencione

A violência para com a mulher

Penso que a violência engloba um todo, mas quero falar aqui um pouco sobre a violência que tantas mulheres sofrem.

Eu, graças a Deus, sempre tive uma relação de paz com todos os homens que, de uma forma ou de outra, participaram de minha vida.

A começar pelo meu pai, meu avô materno (não cheguei a conhecer meu avô paterno), meus tios, primos, irmãos, amigos, colegas de trabalho, namorado, marido, filhos.  Enfim, com todos os homens que cruzaram meu caminho, que a compartilham comigo.

Agora, me ponho a pensar nessas mulheres subjugadas, humilhadas, martirizadas com a violência masculina.

Penso nesses homens que vêem a mulher como objeto de prazer colocando na relação somente a imposição de seus mais íntimos desejos.

E naqueles que, frustrados com seus próprios fracassos, desabafam na mulher todas suas insatisfações.

Penso nas mulheres violentadas, castigadas, envergonhadas.

Impotentes, tantas vezes, diante de homens que só deviam lhes proporcionar prazer, bem-estar, alegria e em disso a tratam como a um pano velho. Pior que isso, fazem delas seus capachos, suas escravas.

E os filhos que conseguem ser violentos com suas mães, que lhes deram a vida, que sofreram e sofrem por eles? E elas são capazes de continuar amando-os apesar dos maus tratos, perdoando-os apesar de tudo! Eu acredito que os filhos deveriam apenas reverenciar suas mães e beijar-lhes as mãos. Porque o amor que uma mãe sente pelo filho é um sentimento tão casto, tão sublime, que chega a ser quase divino. Quando penso que são capazes que espancá-las, sinto-me tão revoltada. A carne maltratada se cura com o tempo.  Mas, e as cicatrizes da alma, quem as curará?

Tudo isso é muito complexo e de difícil compreensão mesmo.

Penaliza-me saber que tantas mulheres calam-se sofrendo uma dor tão grande.

Acho que por vergonha de expor-se, outras vezes por medo da reação dos parceiros, dos filhos violentos, por insegurança, pela própria descriminação que existe acerca do assunto muitas mulheres se calam e chegam até a morte. Assassinadas tantas vezes ou torturadas por aflições e desgostos que as levam a perder o amor pela vida e deixar-se morrer. O desamor levando-as a um lento suicídio. E elas sofrem sem procurar uma ajuda externa.

Estou me adentrando num assunto que foge a minha alçada, já que não sou profissional da área e estou fora do problema. Mas já que comecei... vou continuar mais um pouco.

Acho que a mulher não é o sexo frágil, mas também não é o forte. Dentro da mulher vivem dois seres distintos.

Sua fragilidade se mistura à valentia.

O seu lado frágil é a parte que leva o homem a deseja-la. A delicadeza da mulher atrai o homem no sentido de entender um ser que é movido só pelo coração, pelas emoções e pelos sentimentos.

Agora o lado valente da mulher leoa, que vai à luta, que tem o domínio sobre a situação, que protege a cria.

A força e a fragilidade na mulher fundem-se formando uma mistura homogênea. Uma mistura que lhes dá um charme todo especial.

Desvie-me do verdadeiro assunto que me levou a escrever esta crônica.

Bom, conheço homens que parecem verdadeiros gentis-homens, têm uma camada de verniz que lhes dá uma falsa aparência. Esses homens  tratam a todos com maneiras tão polidas e têm modos tão finos e nos parece impossível que dentro de suas próprias casas, com suas mulheres e filhas possam ser verdadeiros  “animais”.

Outras vezes chegamos a ver pais capazes de estrupar as filhas, enteadas, etc.

Vemos filhos que tratam suas mães pior do que tratariam um cão de rua e as pobrezinhas ainda lhes entendem as mãos.

Choca-me a violência que os homens cometem contra a mulher e ainda está difícil reverter este quadro. Feministas conseguem com seus movimentos emancipar a mulher, fazer com que ela conquiste cada vez mais seu espaço no mundo.

Aos poucos o homem está mudando, transformando-se mais no companheiro. Com um amor sem medidas vemos homens ajudando a criar os filhos e cuidar da casa com tanta naturalidade que, nos parece que a mulher conseguiu enfim ser respeitada, valorizada.

Não digo igualada ao homem, porque a diferença que existe é que faz a diferença. Mulher é afetividade... e eu pelo menos não quero ser igual a um homem. Quero sempre caminhar lado a lado com meu companheiro de jornada, ser por ele amada e valorizada. Desejo meu espaço no mundo, mas femininamente.

Agora, o que fazer para que mulheres deixem de ser agredidas  por seus maridos, filhas maltratadas pelos próprios pais?

Sei que muitas mulheres são tão perversas, tão ciumentas, têm tantos defeitos que conseguem levar um homem à loucura. Mas não seria melhor afastar-se de uma mulher assim do que espancá-la?

Seja por motivo de ignorância pura, por efeito de drogas, por machismo,  por ciúmes doentios ou por tantas outras coisas que levam um homem a agredir física ou mentalmente uma mulher eu abomino homens assim.

Freud explicaria muito bem talvez...

... mas seria preciso curar muitas mentes doentias...

Eu acredito que uma mulher que sofre violência deve procurar ajuda de fora; deve enfrentar a realidade e procurar uma vida diferente. Sei que muitas vezes é um caminho difícil, sei que elas saem de uma relação destas muito machucadas; mas sempre vale a pena.

voltar