
Ensaios
Vânia Moreira Diniz
DIREITO DOS SERES HUMANOS
Fala-se tanto em Direitos Humanos, porém na imensa maioria de vezes não sabemos porque pronunciamos essa frase, hoje em dia, relativamente corriqueira.Referimo-nos a ela num momento de discussão acalorada e muitas vezes porque o assunto em uma roda de amigos a requer.
Mas temos que parar para pensar que antes de tudo, em Direitos humanos está inserido como principal item, o respeito. E dele provêm a humanidade, compreensão, retidão, e principalmente a bondade.
Direitos Humanos com a empregada doméstica, com o trabalhador, com o pobre, o mendigo, os velhos, os excluídos de várias categorias, o jovem, o estudante, o ser humano em geral.
Quando nos omitimos, em várias atitudes com displicência e não vemos ou fechamos os olhos para injustiças e atitudes em que a humanidade está ausente, não é um caso de Direitos Humanos?
Porque esses direitos são muito mais abrangentes do que nós queremos demonstrar. Muito mais.
E na atitude de todos os dias, num gesto confortador, num sorriso amigo, no aperto de mão caloroso, no entendimento dos sofrimentos alheios vai a nossa avaliação e prática desse direito constitucional. Só que aí é uma versão peculiar e particular, questão de foro íntimo e de solidariedade.
Em época tão propícia em que comemoraremos não só a paixão de Cristo mas o sofrimento de Tiradentes e seus seguidores muitos dos quais foram degredados e o líder atormentado e morto, nessa época que sem querer, nos reportamos a sofrimentos, pelo menos estudados e aprendidos em nossa infância e ainda nos colégios, é a hora certa de refletirmos um pouco.
É verdade que muitas vezes comemoramos essas datas sem entrarmos no cerne dos acontecimentos. Deveríamos, entretanto aproveitar, o instante para fazer uma análise particular de tantos direitos humanos violados quase conscientemente.Contudo reversíveis se uma atitude for tomada ainda em tempo.
Crianças são abandonadas, violentadas, exploradas; adolescentes levados e dirigidos para o que a vida apresenta de mais vil em todos os aspectos, cortando-lhes o direito de escolherem sua própria consciência.
Pessoas inocentes atacadas, mulheres estupradas, jovens assassinados, tiros que atingem inocentes tolerados, pessoas humilhadas, discriminação permitida, olhos fechados á maldade e ao indiferentismo, tudo isso são direitos humanos não exercitados em sua forma mais simples. Esses são aqueles que ferem e lesam a nossa própria consciência.
Que dizer daqueles assinalados na Constituição Federal? Mas não é especificamente com os direitos apenas dos presos ou detidos que devemos nos preocupar. Esses merecem, claro porque são cidadãos muitas vezes assassinos que não pensaram duas vezes para acabar e eliminar pessoas e famílias, mas são gente.
Quando falam dessas pessoas muitas vezes esquecem que também os lados atingidos (as maiores e as mais tristes vítimas) estão à mercê de qualquer bandido.Sem praticamente defesa porque muitas vezes, por medo, omitem os assaltos dos quais foram vítimas.
Que mundo é esse, eu pergunto, onde pessoas atingidas, marcadas, que sofreram agressão e barbarismo têm que se esconder? Contraste revoltante e amargo, os valores que se invertem, a vida que parece não ter mais sentido, e a população inerte, apavorada e infeliz a esperar uma solução indefinida.
E são justamente aquelas mais indefesas, carentes de proteção, culturas e amizades as maiores vítimas num silêncio constrangedor.
Isso sem falar nos direitos humanos daqueles que não tem acesso à saúde e em condições de ter um plano de saúde e educação decentes que lhe dêem uma visão mais ilimitada do amanhã ou pelo menos uma luz ainda frágil que brilhe vacilante ao redor de suas vidas, tirando-lhes a desesperança e infiltrando-lhes uma nesga de alento.
E não é mais um grito nem gemido que precisamos emitir. É um brado. No momento que Direitos humanos não são compreendidos na sua expressão mais ampla, que nós mesmos nos descomprometemos de maneira mesmo parcial vale um brado. Um brado de socorro. Um imenso e lamentoso brado.