Vanderley Caixe

De baixo Da Lona preta

 "Debaixo da lona preta,

na terra crua e batida,

nos espaços áridos da vida,

surgem àquelas mãos,

sujas do desemprego,

renegadas do latifúndio maldito.

Ocupam o espaço de chão,

Na lavra labuta diária, em sol a pino,

Regam com o suor do corpo dorido,

A esperança.

 

Mas vem a “justiça” expedita

Do latifúndio,

Vem com tropas ou capangas,

Matar o corpo em despedida.

Novo despejo e os trecos na estrada,

Nova espera e a dor maldita.

 

A certeza é, no entanto, sábia

Na desigualdade.

Vai novamente construindo esperança,

Enquanto espera a oportunidade.

 

Ninguém de fome vai morrer mais.

A marcha segue outra vez,

Mais uma vez, mais uma vez.

 

Já não são dez,

Já não são cem,

Com mulheres e crianças já somam mil.

 

Novamente a terra está ocupada

mãos  seguras desta vez não erra,

É ocupar e resistir,

Já não há mais porque partir.

 

Desse chão e dessa terra,

Fértil e prenha do cultivo

constroem da semente bendita,

a nova planta da vida e

a nova nação."

 

 

Vanderleycaixe 01-03-2005 escritório

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