IRMÃS EM PARCERIA - Foto à esquerda
Ao vermos esta coluna diante de nossos olhos refletimos que, na verdade, não pensamos na natureza das relações, apenas a vivemos. De certa forma isto é bonito e espontâneo. Mas nos impede de saborear a real partilha que pode advir da livre consciência de uma afetividade.
Foi
neste caminho de pensamento que chegamos a considerar o que é realmente ter uma
irmã. Somos filhas dos mesmos pais e temos parte de um passado que vivemos
juntas. Temos em comum outros irmãos, tesouros concedidos por nosso Deus, e
trazidos por nossos genitores. Amamos a mesma terra, que nos viu crescer,
sorrir, sonhar e chorar. Existe em nossa memória a mesma casa, o mesmo quintal
que nos abrigou com nossos folguedos infantis. Nossos gritos da infância
ecoaram nas mesmas paredes, levados pelos mesmos ares e tivemos sobre nossas
cabeças o mesmo céu, grande e acolhedor, em que tantas vezes nossos olhares se
perderam.
Ao escrevermos nesta coluna, podemos agora exercitar nossas emoções, partilhando recordações e vivendo todo amor que vem da casa paterna. Podemos regressar juntas ao espaço tão querido, explorar, agora com olhar adulto, cada canto, cada fato, cada gesto. Podemos nos apossar dos detalhes perdidos e entender sentimentos guardados em nossas almas.
Falamos da vivência de parte do passado, mas podemos também construir juntas parte do futuro. Dentro dele caminharemos, colocando em textos e poemas, nossos sonhos, nossos anseios e podemos partilhar com alegria e cumplicidade.
Então compreendemos que ser irmã é sonhar o mesmo sonho e chorar com a mesma dor. É não depender da proximidade para estarmos unidas. É enfim poder mergulhar numa mesma história que tem a mesma origem, e permitir também juntas, que todos entendam e participem desta cumplicidade.
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Reflexões
Noturnas
Maria Cristina Moreira Safadi
terça-feira, 6 de fevereiro
A noite cai e meu pensamento corre solto, como a desejar me levar para longe. E eu, dócil e entregue a meus sentimentos, fazendo da alma meu guia, posso sentir o gosto da liberdade. Experimento uma leve sensação de felicidade. E esta chega suave e... Apesar dos pesares. Sim, sinto-me bem ao perceber que a felicidade, ali, naquele momento, independe do que consegui até então, de quantas pessoas me amaram, do número de lágrimas que havia derramado pela vida.
Minha vida... Posso olhar para ela de frente e alcançar a larga estrada que se descortina a minha frente. Subitamente, compreendi todo o valor da luz que me ilumina, dos pensamentos que brotam sem cessar, e, principalmente de poder estar assim, apaixonada por cada instante que ainda iria viver.
É bom sonhar, sofrer, chorar e sorrir. É bom sentir esta coragem, que ignoro de onde ou como nasceu. Sinto que seria capaz de colocar o coração livre, que só assim saberia caminhar.
Compreendo também o valor das dificuldades que se me apresentam. Precisei chegar perto do medo, do abismo, para sentir o prazer de uma companhia suprema. Que supera todo e qualquer problema.
E, passo a passo, vou me aprofundando nos mares revoltos da existência humana e saboreando o mel que adoça meus lábios quando tenho coragem de me despojar de desejos e mágoas e voar... Para bem distante... Em terras, onde minha alma se desprende dos limites infindáveis da rotina e da sempre almejada segurança.
No momento presente nada disso importa, apenas quero sentir a solidão de meu existir. Sem medos, sem culpas, sem mágoas. Estou de frente com a tão temida individualidade e ela me faz bem. A noite escura continua a me envolver, enviando-me seus ensinamentos que só podem ser plenamente assimilados, em completo silêncio.
E amei... amei aquele silêncio, amei estar só, amei o anseio de minha alma, quieta, serena, carente de Deus. Só assim posso senti-Lo, só assim posso escutá-Lo.
Amei meu coração, pleno da existência divina.
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Reflexões
na Madrugada
Vânia Moreira Diniz
Costumo dormir muito tarde. Olhando a noite que se descortina nesses últimos dias belíssimos, com o céu a nos demonstrar em seu magnífico mistério a prova evidente de uma força misteriosa e superior sinto uma energia que vem de dentro com estranho vigor.
Não saberia com precisão avaliar a direção de onde vem e muitas vezes tenho conversado com minha irmã Cristina sobre Deus e sua onipotência, mas embora ambas tenhamos nascido dos mesmos pais e aprendido as mesmas coisas ela teve um encontro maravilhoso com a fé que mudou sua vida de pouco tempo para cá. Quanto a mim, infelizmente ainda careço de muitas reflexões. Desde que meu irmão morreu há dois anos atrás tenho dificuldade para rezar embora minha fé seja a mesma.
Habituei-me a cismar pela madrugada. Gosto dessas primeiras horas da manhã e acho que é o melhor momento de trabalhar, pensar e até conversar.Tenho tirado estranha, porém profundas conclusões nesse período talvez porque esteja tudo tão silencioso que me predisponha a entrar um pouco dentro de mim mesma vendo com mais nitidez meus defeitos habituais e pelo menos querendo corrigi-los. Nem sempre é fácil porque temos uma esquisita tendência a visualizar com olhos benignos e protetores nossas próprias imperfeições. Esse modo benevolente de sentir os nossos defeitos chama-se egoísmo, eu acho. Mas sempre achei que devia ser dura para com ele. O egoísmo corrói o que de bom possa haver em nós. É necessário algumas vezes como autodefesa, mas precisamos ficar em guarda.
As madrugadas nos tornam a par disso mais coerentes sob certos aspectos. Parece que o mundo dorme (pelo menos aqueles que tem o nosso fuso-horário) e então podemos nos expor frente a nós mesmos. E detecto tanta coisa em que devo me aperfeiçoar que quase chego a desanimar. Procuro não enxergar as minhas qualidades nesse momento para ser mais rígida, mas é tão difícil! Costumo fazer essa abordagem sobre o meu eu interior e verifico cada vez mais e com grande intensidade como nos conhecemos pouco.
Muitas vezes olho ao meu redor e desfruto aquele momento de paz. Que em certas ocasiões é profundamente angustiante e em outros quando estamos mais tranqüilos é como um paraíso. Ultimamente a paz é sumamente importante para mim.
Entretanto uma conclusão sempre tiro: A vida pode ser em certos aspectos doída e aflitiva, mas a felicidade de estar vivo se sobrepõe a tudo. Cada pedaço do tempo é importante. O instante que não mais voltará. E também concluo que não importa que não sejamos entendidos o que realmente é relevante é que façamos com boa fé e cumprindo o que nosso coração dita.
Claro que cada pessoa tem seus valores próprios, mas o importante é que esses valores sejam respeitados. E principalmente por nós mesmos.
A madrugada me traz a certeza que valeu a pena nascer, crescer, conhecer pessoas e entendê-las como elas são, sem querer modificá-las. E me leva a amar tudo e todos que vivem ou não ao meu redor. Enfim, me faz reconhecer a vida e querer cada dia mais vivê-la desesperadamente e desejar intensamente que todos a vivam, sem o que a nossa perderia o fascínio.
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Cristina Arraes Moreira Nasceu no Rio de Janeiro em 14 de dezembro. Graduada em Ciências Estatísticas pela Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE), no Rio de Janeiro.
Vem de uma família religiosa onde aprendeu desde menina o gosto pelo estudo e conhecimento de Deus e tudo que o cerca.
Publicação do e-book Escrevo em 2008 e Raízes em parceria com minha irmã, a escritora Vânia Moreira Diniz em 2007.
http://www.letraseraizes.blogspot.com
http://www.cristinaarraesmoreira.com.br
É colunista do Portal Vânia Diniz e também coordenadora da Página
Inclusão do Espaço Ecos que está dentro do Portal Vânia Diniz
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Vânia Moreira Diniz
Portal:
Escritora, Poeta, Pesquisadora e humanista. Autora do Romance Laura. Co-Autora do livro Manual sobre a Saúde Física e Mental do Servidor Público. Outros livros: Olhos Azuis (poemas), Pelos Caminhos da Alma (poemas), Pelos Caminhos da Vida (crônicas e contos), Ciganinha (infantojuvenil) Publicação em 30 Antologias Publicação de 12 e-books
Membro Nacional Vitalício da Academia de Letras
do Brasil- Cadeira nº. 001/ALB /DF-2009 - Escritora Imortal
Pertence a UBE (União Brasileira de Escritores) e à Rebra Vânia Moreira Diniz |