Vilma Cunha Duarte

 Canto De Ninar

 Quero consolar mil carências...

E tal número saberia

O montante das tristezas?

Sinto, meus braços são asas

Gangorrando  o  meu corpo

Na cadência do compasso

No espaço

Como se eu fosse...

O berço de ninar o mundo.

No peito, de memória

O amor milagreiro

Vai tocando notas certas

Libertas.

De entreter saudades

Ungir feridas

Pintar sonhos de verde.

Nesse vai-e-vem.

Com tantas penas sofridas

E curtidas

Vou fazendo meu ofício

De acalanto e remissão.

Afasto nuvens cinzentas

Descortino o céu de anil

Do Brasil

Até chegar de noitinha.

Agora, sou uma estrela

Com a bênção do luar.

E faiscando alegria

Fiz chorar tanta carência

Que se foi como orvalho

De lavar um outro dia

Com Poesia...

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