Vilma Cunha Duarte

Vestir As Fantasias

Já  chega a hora da tradicional Festa Nossa

A alegria do povo desfila a tradição patropi

O maior espetáculo da terra vai começar!

 

Morro desce a avenida, na roupa de rei, outra vida

Pouco importa o dinheiro, e a peleja do ano inteiro

A ilusão vai passar!

Agora o povo é o dono, tem a coroa de Momo

No alto da majestade, o povo comanda a cidade

Tem direito de reinar!

É hoje que o mundo é do “Zé e suas asas no pé

Nos passes de capoeira, com sua alma brasileira

O mundo vai encantar!

Na passarela ele passa, desfilando a sua raça

Afro-índio-europeu, de sonho que sobreviveu 

Fevereiro de sonhar!

O “Zé” canta sua história, coreografada de glória

E defende na Bandeira, as cores da terra altaneira

Quem precisa mais chorar?

Depois de levantar a platéia, na delícia da leréia

O “Zé” descansa o amor, banhado no seu  suor

Agora o vai o “Zé”vai gozar!

E qual escola é aquela? vestida da triste balela

De enganar todo dia “Zé” do céu, que ousadia

Pôr o real a sambar!

Despedir o faz-de-conta, e buscar aquela tonta

Nem guru JoãozinhoTrinta, sua verve sua tinta

Podia aquilo criar!

Ouve, “Zé, o samba-enredo, feio de dar medo

O refrão sem sintonia, e que estranha alegoria

A gente tem que rezar!

Os próprios das falcatruas põem safadeza na rua

Na dança dos fingidos, nus seriam bem-vestidos

É muito pra eu olhar!

Nossa, “Zé”, quanta gente, nessa nudez diferente

Da verdade nua e crua, pelada inteirinha na rua

Que não sabe empolgar!

Quero não “Zé,” traz o povo dança tudo de novo

Faz a alegria voltar!

Corre, chama a poesia para a festa  da alforria

Realidade é dureza não dá desconto à beleza  

No seu jeito de cobrar!

Agora é o Carnaval

De enfeitar a fantasia, descansar o dia-a-dia

No samba, na marcha, no frevo. 

Sem cobranças...nem te devo...

Ou lutas de bem contra o mal.

É encanto é Carnaval, graças a Deus, Carnaval

Terra do céu cor de anil, do povo bom do Brasil!

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