Virgínia Fulber

Alegria

Quando menina vivi na cidade que menina também era .A vida cantava suas cantiga nos riachos.

Entre as calçadas brotavam florezinhas, mini jardins a clamar por mais ternura !

 

Formigas marchavam despreocupadas erguendo suas bandeiras e troféus

Entre as pedras caladas, o som das flores conseguíamos ouvir !

 

Os musgo tenros que , em verde frescor atenuavam lágrimas de inocentes frustrações.

 

Joaninhas faziam a festa em seu terninho preto, bordado de amarelo.

Cigarras aos montes deixavam sua velha pele nos cinamomos em flor.

 

Vaga-lumes acendiam idéias de mais não dormir .

 

Havia um canto em asas multicor.

Entre espumas e canudinhos de mamona dançavam os sonhos em bolhas de sabão.

Dentro delas , as fadas acenavam com brincos e vestidos de algodão !

Um sapo no jardim trazia em sua fala os segredos da lagoa.

Mensageiras de chuva ,formigas com asas, bailavam na luminária espantando a

quietude do corredor 

Farelos de pão sobre a mesa, brinquedo entre a chatice do   silêncio à mesa do jantar .

Na xícara de café o Mar saudoso ! Afinal deitava meus olhos sobre o grande oceano

novamente, faltava sei lá quanto tempo para voltar a praia !

Temporal que alegria , faltava luz, vinham as velas e os jogos de sombra, com eles as

estória de fantasmas e as risadas macabras do meu irmão.

Degraus ,muitos degraus a saltar dentro de casa, que delícia, ainda mais pular para tocar

a marquise da porta .

Na sala de brincar, que passou a ser a varanda, jogar bola contra parede verde, "paredão"

era "treino" de verdade !

Nas tardes de final do inverno colher ameixinhas amarelas no pomar, fazer saladinha de

frutas e colocar no congelador .Os picolés de leite nunca ficam no ponto,     de cinco em

cinco minutos abria-se a geladeira e colocava-se o dedinho para provar !

Aniversários com balões, docinhos e os salgadinhos " palito" não podiam faltar.

Brincadeiras a tarde inteira , sem palhaços .Éramos nós a trapacear de cabra cega ao Passa

/ passapassaraio , Terezinha de Jesus, a canoa virou, ovo podre , e a dança da cinderela e o

príncipe, ah ! sempre faltavam meninos !

Brincadeiras ousadas nos tornavam heróis; de bicicletas na calçada em pleno centro da

;carinho de "rolimã," "chilitra" no terreno baldio. Na casa em construção tínhamos  um

universo de criação. As caixas de cimento, após a chuva viram canoas ,qualquer pedaço

de pau um remo e lá, mar a dentro iniciava a viagem. Cavar "cavernas "no terreno irregular,

escavações arqueológicas de suma importância !

As uvas ainda verdes já eram saborosas ,amoras deixavam a boca "preta"! Íamos nos olhar

no espelho, surpreendente!!!

 Pétalas de balsaminas ,vermelhas , viravam esmalte e baton nas brincadeiras de "princesa".

 Roupas velhas de festa da mãe ficavam longos com cauda de dar inveja

Caminhar no telhado, espreita a primeira estrela bem de perto ,  espiar a     luz entre as telhas,

restos da casa a permear o céu !

No galho da goiabeira fiquei pendurada pelo tirante da saia xadrez, olhando para meus pais na

cozinha a rirem-se a não mais poder

Na grande pereira havia um galho especial quase perfeito ,para uma  "casa da árvore", que nunca

consegui construir !

Lembro ainda dos balanços um logo na saída para o jardim dos fundos, outros dois no terreno de

trás logo que foi aterrado e a barra de ginástica do meu irmão !

Os gatos, sempre tivemos um  gato em   casa,    geralmente   eram de meu irmão,   o desta época

chamava-se "nico quenquém quenico", era amarelo listrado.

Grande conquista ,pular do trampolim de cinco metros na piscina do clube Aliança , depois aquele

cachorro quente com o sabor do cloro   penetrado   nas narinas e pelo  corpo todo ,  que    cheiro e

sensação fascinante ! Cabelos esverdeados (cloro) no mês de novembro era um chilique !

Utilizar as máquina de escrever e de calcular do meu pai me faziam uma intelectual !

Fazer vestidos de boneca na máquina de costura de minha mãe , tornava-me "grande estilista" !

Independente e corajosa sentia-me ao ir ao dentista sozinha, aos oito anos pois os dentes de leite

não queriam cair! De óculos ,bolsa vermelha e lencinho na mão Interessada em qualquer situação !

Meu vizinho o Pedrinho era "carola" ,ia todos os domingos ao culto e eu, ah!  Não podia perder a oportunidade de desfilar independente dos pais, com Pedrinho conheci a Igreja e fascinei-me com

as cores ,os lustres e principalmente a música, ia de braços dados com o  amigo, bolsa   e sapatos

vermelhos, e só ia se ele me levasse no mezanino, ao lado do Órgão , desejei ardentemente crescer

e virar cantora do coro. Anteriormente queria ser violinista , em 1959 a TV chegou na minha casa e

das orquestras sinfônicas me apaixonei. Meu primeiro grande amor secreto, o Maestro , de  gravata

borboleta, passei a venerar meu irmão que também usava gravata borboleta!

O assoalho da lavanderia furei de tanto dançar com sapatos de saltinho de metal da minha irmã, já

mocinha, a dança flamenca que vi na TV e "aprendi" direitinho ! Desisti do canto e do violino  

serei bailarina!

Mas a cientista e pesquisadora gritavam forte e minha coleção de pedras cresceu tanto que tive que

tirar as roupas do armário para dar espaço a elas !Continua crescendo, embora a tenha   distribuído

entre as casas nas quais vivi. A de cáctus reiniciei.

Deixei minha coleção de bonecas na casa de meus pais,   quando dela saí para   SP.  Meu   segundo

sobrinho com ela exterminou, menos mal aproveitou, bem como os discos da adolescência sobre os

quais sapateou.

Novas música, novos tons, há nesta cidade Ipês, Paineiras e novos Guapuruvús, muitas árvores nas

Avenidas, nada disto havia . Há Internet ,e novos amigos virtuais e reencontros dos    de além  mar.

  uma Universidade ,o Marciano Schmitt com sua arte e seu "ser gente "que chega  a doer de tão

belo e singelo. Há um rio no qual nadei que definha, contudo    emerge uma   legião de Amigos do

Parcão, área de preservação ambiental, e da consciência dos valores a cultivar .Ainda existe o Prof.

Ernest Sarlet , que fala na rádio União FM agora, fala de Nietzsche e Heidegger vez por outra,   ele

que foi rígido educador hoje um terno pronunciador!

Em meu simbólico imaginário as borboletas permanecem como signo de renovação.

Já não tenho aquelas fortes pernas ,tampouco a cidade é uma menina, porém sou tudo que em  mim

vibrou e ainda pulsa esta que correu ,pulou, dançou e por tudo isto, hoje em pensamento vôo, corro ,

pulo e danço nestas teclas ao som de Alegria do Cirque du Solei.

( No livreto a bailarina arrebata a memória do misto de fantasia e realidade que eu vivi na infância.

Num sonho de euforia em plena tarde e, em mim eu não mais cabia . As   células    senti  vibrarem,

 numa expansão à flor da pele , o fluído da mágica voz no ouvido estremeceu ventura, e no  êxtase

dum encontro no mesmo ponto, em ritmo e aventura , o passado adentrou o presente e se fez maior

a delícia de reviver num mesmo instante a energia saltitante da criança que em mim ainda havia .)

Virgínia (Fulber) de Além Mar( memórias pertinentes ao período de 03 aos 09 nove anos de idade)

 PS/Sou grata a estes afetos  e a voces novos afetos  por dançarem comigo em letras agora que para

mim dançar, pular, subir em árvores andar e viajar tornaram-se prazeres de memória. 

Eu só poderia acreditar em um deus que soubesse dançar. Aprendi a andar; desde   então,  deixo-me

correr. Aprendi a voar, desde então não preciso mais que me empurrem para mudar  de lugar. Agora

sou leve, agora eu vôo... agora um deus dança em mim.Assim falava Zaratustra."Nietzche

<< G.Deleuze: perante o intolerável, "o possível, senão sufoco". >>>

Letra >>

Alegria Cirque du Solei

Come un lampo di vita

Alegria

Come un pazzo gridar

Del delittuoso grido

Bella ruggente pena,

Seren

Come la rabbia di amar

Alegria

Come un assalto di gioia

 

Alegria

I see a spark of life shining

Alegria

I hear a young minstrel sing

Alegria

Beautiful roaring scream

Of joy and sorrow,

So extreme

There is a love in me raging

Alegria

A joyous,

Magical feeling

 

Alegria

Como la luz de la vida

Alegria

Como un payaso que grita

Alegria

Del estupendo grito

De la tristeza loca

Serena

Como la rabia de amar

Alegria

Como un asalto de felicidad

 

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Página Doc.Vica poderão acessar muitos de meus doc. e registros Sobre Psicologia Freud, Jung, Winnicott, Filosofia Nietzsche, Heidegger, Deleuze, Foucalt, Artes e Técnicas Orientais http://groups.msn.com/4ms1ts1j46bo2h5g/meusdocumentos.msnw?fc_p=%2Fdocumentos%20vica

Link Para Poesias e crônicas de varios autores HUMANISTAS nas áreas de Medicina,Psicologia,Filofofia , direito e claro LITERATURA e muito mais...http://www.vaniadiniz.pro.br

Estou em http://www.vaniadiniz.pro.br/colunas.htm

Malito vicamf@jfreirecosta.com

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