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Alegria |
Quando menina vivi na cidade que menina também era .A vida cantava suas cantiga nos riachos.
Entre as calçadas brotavam florezinhas, mini jardins a clamar por mais ternura !
Formigas marchavam despreocupadas erguendo suas bandeiras e troféus
Entre as pedras caladas, o som das flores conseguíamos ouvir !
Os musgo tenros que , em verde frescor atenuavam lágrimas de inocentes frustrações.
Joaninhas faziam a festa em seu terninho preto, bordado de amarelo.
Cigarras aos montes deixavam sua velha pele nos cinamomos em flor.
Vaga-lumes acendiam idéias de mais não dormir .
Havia um canto em asas multicor.
Entre espumas e canudinhos de mamona dançavam os sonhos em bolhas de sabão.
Dentro delas , as fadas acenavam com brincos e vestidos de algodão !
Um sapo no jardim trazia em sua fala os segredos da lagoa.
Mensageiras de chuva ,formigas com asas, bailavam na luminária espantando a
quietude do corredor
Farelos de pão sobre a mesa, brinquedo entre a chatice do silêncio à mesa do jantar .
Na xícara de café o Mar saudoso ! Afinal deitava meus olhos sobre o grande oceano
novamente, faltava sei lá quanto tempo para voltar a praia !
Temporal que alegria , faltava luz, vinham as velas e os jogos de sombra, com eles as
estória de fantasmas e as risadas macabras do meu irmão.
Degraus ,muitos degraus a saltar dentro de casa, que delícia, ainda mais pular para tocar
a marquise da porta .
Na sala de brincar, que passou a ser a varanda, jogar bola contra parede verde, "paredão"
era "treino" de verdade !
Nas tardes de final do inverno colher ameixinhas amarelas no pomar, fazer saladinha de
frutas e colocar no congelador .Os picolés de leite nunca ficam no ponto, de cinco em
cinco minutos abria-se a geladeira e colocava-se o dedinho para provar !
Aniversários com balões, docinhos e os salgadinhos " palito" não podiam faltar.
Brincadeiras a tarde inteira , sem palhaços .Éramos nós a trapacear de cabra cega ao Passa
/ passapassaraio , Terezinha de Jesus, a canoa virou, ovo podre , e a dança da cinderela e o
príncipe, ah ! sempre faltavam meninos !
Brincadeiras ousadas nos tornavam heróis; de bicicletas na calçada em pleno centro da
;carinho de "rolimã," "chilitra" no terreno baldio. Na casa em construção tínhamos um
universo de criação. As caixas de cimento, após a chuva viram canoas ,qualquer pedaço
de pau um remo e lá, mar a dentro iniciava a viagem. Cavar "cavernas "no terreno irregular,
escavações arqueológicas de suma importância !
As uvas ainda verdes já eram saborosas ,amoras deixavam a boca "preta"! Íamos nos olhar
no espelho, surpreendente!!!
Pétalas de balsaminas ,vermelhas , viravam esmalte e baton nas brincadeiras de "princesa".
Roupas velhas de festa da mãe ficavam longos com cauda de dar inveja
Caminhar no telhado, espreita a primeira estrela bem de perto , espiar a luz entre as telhas,
restos da casa a permear o céu !
No galho da goiabeira fiquei pendurada pelo tirante da saia xadrez, olhando para meus pais na
cozinha a rirem-se a não mais poder
Na grande pereira havia um galho especial quase perfeito ,para uma "casa da árvore", que nunca
consegui construir !
Lembro ainda dos balanços um logo na saída para o jardim dos fundos, outros dois no terreno de
trás logo que foi aterrado e a barra de ginástica do meu irmão !
Os gatos, sempre tivemos um gato em casa, geralmente eram de meu irmão, o desta época
chamava-se "nico quenquém quenico", era amarelo listrado.
Grande conquista ,pular do trampolim de cinco metros na piscina do clube Aliança , depois aquele
cachorro quente com o sabor do cloro penetrado nas narinas e pelo corpo todo , que cheiro e
sensação fascinante ! Cabelos esverdeados (cloro) no mês de novembro era um chilique !
Utilizar as máquina de escrever e de calcular do meu pai me faziam uma intelectual !
Fazer vestidos de boneca na máquina de costura de minha mãe , tornava-me "grande estilista" !
Independente e corajosa sentia-me ao ir ao dentista sozinha, aos oito anos pois os dentes de leite
não queriam cair! De óculos ,bolsa vermelha e lencinho na mão Interessada em qualquer situação !
Meu vizinho o Pedrinho era "carola" ,ia todos os domingos ao culto e eu, ah! Não podia perder a oportunidade de desfilar independente dos pais, com Pedrinho conheci a Igreja e fascinei-me com
as cores ,os lustres e principalmente a música, ia de braços dados com o amigo, bolsa e sapatos
vermelhos, e só ia se ele me levasse no mezanino, ao lado do Órgão , desejei ardentemente crescer
e virar cantora do coro. Anteriormente queria ser violinista , em 1959 a TV chegou na minha casa e
das orquestras sinfônicas me apaixonei. Meu primeiro grande amor secreto, o Maestro , de gravata
borboleta, passei a venerar meu irmão que também usava gravata borboleta!
O assoalho da lavanderia furei de tanto dançar com sapatos de saltinho de metal da minha irmã, já
mocinha, a dança flamenca que vi na TV e "aprendi" direitinho ! Desisti do canto e do violino –
serei bailarina!
Mas a cientista e pesquisadora gritavam forte e minha coleção de pedras cresceu tanto que tive que
tirar as roupas do armário para dar espaço a elas !Continua crescendo, embora a tenha distribuído
entre as casas nas quais vivi. A de cáctus reiniciei.
Deixei minha coleção de bonecas na casa de meus pais, quando dela saí para SP. Meu segundo
sobrinho com ela exterminou, menos mal aproveitou, bem como os discos da adolescência sobre os
quais sapateou.
Novas música, novos tons, há nesta cidade Ipês, Paineiras e novos Guapuruvús, muitas árvores nas
Avenidas, nada disto havia . Há Internet ,e novos amigos virtuais e reencontros dos de além mar.
Há uma Universidade ,o Marciano Schmitt com sua arte e seu "ser gente "que chega a doer de tão
belo e singelo. Há um rio no qual nadei que definha, contudo emerge uma legião de Amigos do
Parcão, área de preservação ambiental, e da consciência dos valores a cultivar .Ainda existe o Prof.
Ernest Sarlet , que fala na rádio União FM agora, fala de Nietzsche e Heidegger vez por outra, ele
que foi rígido educador hoje um terno pronunciador!
Em meu simbólico imaginário as borboletas permanecem como signo de renovação.
Já não tenho aquelas fortes pernas ,tampouco a cidade é uma menina, porém sou tudo que em mim
vibrou e ainda pulsa esta que correu ,pulou, dançou e por tudo isto, hoje em pensamento vôo, corro ,
pulo e danço nestas teclas ao som de Alegria do Cirque du Solei.
( No livreto a bailarina arrebata a memória do misto de fantasia e realidade que eu vivi na infância.
Num sonho de euforia em plena tarde e, em mim eu não mais cabia . As células senti vibrarem,
numa expansão à flor da pele , o fluído da mágica voz no ouvido estremeceu ventura, e no êxtase
dum encontro no mesmo ponto, em ritmo e aventura , o passado adentrou o presente e se fez maior
a delícia de reviver num mesmo instante a energia saltitante da criança que em mim ainda havia .)
Virgínia (Fulber) de Além Mar( memórias pertinentes ao período de 03 aos 09 nove anos de idade)
PS/Sou grata a estes afetos e a voces novos afetos por dançarem comigo em letras agora que para
mim dançar, pular, subir em árvores andar e viajar tornaram-se prazeres de memória.
Eu só poderia acreditar em um deus que soubesse dançar. Aprendi a andar; desde então, deixo-me
correr. Aprendi a voar, desde então não preciso mais que me empurrem para mudar de lugar. Agora
sou leve, agora eu vôo... agora um deus dança em mim.Assim falava Zaratustra."Nietzche
<< G.Deleuze: perante o intolerável, "o possível, senão sufoco". >>>
Letra >>
Come un lampo di vita
Alegria
Come un pazzo gridar
Del delittuoso grido
Bella ruggente pena,
Seren
Come la rabbia di amar
Alegria
Come un assalto di gioia
Alegria
I see a spark of life shining
Alegria
I hear a young minstrel sing
Alegria
Beautiful roaring scream
Of joy and sorrow,
So extreme
There is a love in me raging
Alegria
A joyous,
Magical feeling
Alegria
Como la luz de la vida
Alegria
Como un payaso que grita
Alegria
Del estupendo grito
De la tristeza loca
Serena
Como la rabia de amar
Alegria
Como un asalto de felicidad
Neste Link Nossa Comunidade http://groups.msn.com/4ms1ts1j46bo2h5g/nietzschelouasalombyvica.msnw
Página Doc.Vica poderão acessar muitos de meus doc. e registros Sobre Psicologia Freud, Jung, Winnicott, Filosofia Nietzsche, Heidegger, Deleuze, Foucalt, Artes e Técnicas Orientais http://groups.msn.com/4ms1ts1j46bo2h5g/meusdocumentos.msnw?fc_p=%2Fdocumentos%20vica
Link Para Poesias e crônicas de varios autores HUMANISTAS nas áreas de Medicina,Psicologia,Filofofia , direito e claro LITERATURA e muito mais...http://www.vaniadiniz.pro.br
Estou em http://www.vaniadiniz.pro.br/colunas.htm
Malito vicamf@jfreirecosta.com