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Algumas
Considerações sobre " Ninguém acende uma lâmpada para
colocá-la em lugar
escondido ou debaixo do alqueire, e sim sobre o
candelabro, a fim de que os
que quando te ilumina com seu fulgor."
(Lc:11, "Dois ditos sobre a lâmpada").
Em
determinado momento da existência nos
perguntamos quem
sou eu ? Lamentavelmente, muitos
iniciam o "olhar
para o céu" apenas
na angústia,
originárias das crises de identidade, e que
se apresenta em várias fases
da vida. Porém, na idade adulta interessa prestar atenção ao EU que anseia por
ser o si mesmo .Sabemos que somos o resultado de uma trama sócio-cultural
e genética, mas da investigação
compromissada com
a verdade surgem os fantasmas do passado, da infância.Nesta
oportunidade o medo deve ser encarado e novamente a
infância nos é
bastante útil. Para tanto, retomar o"Herói" que já nos
"visitou" é
fundamental, este pequeno
guerreiro que nos guia na
senda do auto conhecimento .
Hoje,
é bastante comum
nas terapias que
integram o
Xamanismo, conhecimentos dos povos Silviculas , indicar-se o
encontro com "o animal de poder "
e, que este guie
o paciente. Porém, o " homem de poder " já
nos foi apresentado na infância ,
nas fábulas através dos heróis (1),
bem como na Mitologia.
Acredito de muito valor reencontrar com o "Herói" em
nós de nossa infância
e pedir ajuda à ele, neste momento
em que o medo de continuar
investigando se apresenta.
Tenho
observado que as pessoas não se vêem objetivamente, primeiro nível da
couraça muscular do caráter em W. Reich. Integramos à nossa "visão
"a visão dos nossos antepassados e primeiros contatos íntimos na
primeira infância,
que vieram distorcer nossa visão de mundo e do si mesmo. Importa pois, verificar,
questionar a quem está em busca duma vida
mais consciente
questões de teor íntimo, considerando:De quem são os olhos com
os quais me vejo ante ao espelho
? Algumas
pessoas crêem-se inadequadas fisicamente por terem sido
comparadas, terem ouvido comparações , ou mesmo observações
tais como: fulano é bonitinho,
magro, alto, cabelos longos, corajoso, cuidadoso,
educadinho, etc. Observações
que refletem o olhar
de quem
julga o que
a criança
faz, apenas objetivamente, sem intuir a motivação íntima, o
desejo de revelar algo que não passa pela consciência moral, ou
pela Razão.
Tenho
observado pessoas
muito bonitas que apesar dos
elogios recebidos, mesmo
prêmios , neste sentido de aprovação estética, não se reconhecerem
como "aceitáveis, bonitas, e mesmo
além da média ,
pois em seu espelho "mágico", primitivo, ainda há uma
"bruxa" que responde – "não estás
nos meus padrões" , entendendo-se que "meus padrões"
são aqueles internalizados pela
imagem dos "velhos fantasmas", extremamente bonitos ou
exigentes quanto a Estética . E a aceitação que
buscam é sempre ainda,
apesar de alguns terem pais falecidos, a destes !
Isto estende-se à outros
aspectos da experiência
existencial destas pessoas. Independente dos "modelos"
estéticos propostos pela mídia,
há pessoas que não são vulneráveis ao preestabelecido,
pois construíram
a auto estima "suficientemente
boa" (para lembrar a brilhante observação de Donald
Winnicott). E esta advém, em grande parte, do modo como foram tratadas
na
infância, do conhecimento dos adultos que dela cuidaram,
da interferência das opiniões sobre a construção
do imaginário infantil.
Precisam, assim, da aprovação constante daqueles a quem amam e
admiram. Outras
observações negativas quanto ao comportamento são determinantes no
"mal estar " que já se apresentava
na antiga Grécia através da tragédia grega, e que em Freud vimos
derivar-se do conflito
entre o Ego, Id e Super
Ego ( Mal Estar na
Civilização) que
atormentará o indivíduo
em sua existência em
sociedade . Conflito este que
está na base das neuroses, depressões e pânicos.
Nós,
heróis, tal qual os heróis da antiguidade, precisamos
conviver com o conflito de ter que fazer escolhas que implicam em servir à sociedade ( polis)
ou aos "céus". Neste conflito há sempre alguém (ou algo) a
abandonar, para alcançar o si mesmo, entregar-se aos "céus" e
sofrer o desprezo,
indiferença do
meio mundano ou entregar-se à sociedade, confundindo-se com os outros.
Penso que hoje servir às Leis do "céu de si mesmo" é
este encontro com o Self, o Ser, estar em conformidade com a sua própria
natureza
em seu devir , num retorno. Não podemos servir à dois senhores !
O Ego não pode ser abandonado,
e sim reconhecido, conforme o conhecimento nas obras orientais.
E no exemplo de Jesus que "desligou-se
muito cedo da autoridade dos pais, sendo assim que
seguiu em sua peregrinação
, por sua própria vocação,
sem
desrespeito, sem
desobediência, sem medo de errar, sem afronta ao mundo.
A
passagem bíblica que relata o medo, que Jesus, como homem, também
sentia, está descrita na oração no monte da Oliveiras, onde foi preso.
A angustia de Jesus face à prisão e à morte na cruz é claramente
relatada em Lucas.
Pais
que aceitam em seus
filhos talentos distintos dos seus estão contribuindo para a saúde
física e mental de seus filhos, bem como
para uma sociedade mais humana e justa. A postura
verdadeira de cada um de
nós face à sociedade é
aquela centrada no "si mesmo",
construído sobre as bases da compreensão e da liberdade de agir.
De
quem são os medos que me atormentam ?
Esta
é uma segunda questão que penso crucial
, "Eu"
tenho realmente tal "medo "? ou estes medos me foram
impostos?
Olhar sobre os medos materno/ paterno (falta de fé) neste momento
é interessante, para distinguir
entre os medos impostos os medos necessários diante da aventura "heróica"
do existir.
"
De quem são os valores que cultivo? Quem são meus "senhores"?
Deixo
estas questões àqueles que ainda não se a fizeram. E a lembrança de que "olhar para o Céu" é um
exemplo de dedicação constante
e ininterrupta que nos
deixou Jesus, fonte da luz que ilumina a vida, do olhar sobre a experiência.
"Jesus
orava de madrugada. Subia ao monte mais solitário e orava sozinho, como
ele gostava. Também foi assim com algumas curas, onde os enfermos eram
levados ao silêncio e ao afastamento do mundo."
"Quanto
ao "olhar o mundo", Jesus disse o que significa, na passagem
em que algumas crianças, na ânsia de vê-lo de perto, foram
barradas pelos discípulos, para que não incomodassem o Mestre:
"Deixai vir a
mim os pequenos, não os incomodeis, pois deles é o Reino de Deus.
em verdade vos digo, aquele
que não ver o Reino de Deus como uma criança, não entrará
nele" (Lc:18)
Jesus
iluminou seu corpo terreno com o amor ao mundo, com a dedicação e
estando conosco como criança,
como alguém que não aceita a descrição que os outros fizeram,
faz questão de ver com seus próprios olhos.
Virgínia Fulber de Além Mar Dez/2004 Indico
as obras de James Hillman, Psicologia Junguiana Meus agradecimentos à amiga Miriam Lemos (Psicologa, RJ) que me auxiliou ,pois fez algumas incursões em teologia, orientada por dois pastores, um dos quais falava inúmeras línguas e a ensinou a ler alguns trechos da Bíblia, muito traídos pelas traduções, agradeço a amizade e colaboração nas passagens Bíblicas no texto incluídas. Para observações acerca dos cuidados maternos esta indica a obra Margareth Mahler, que reúne além de um incrível detalhamento das experiências mãe-filho, dados antropológicos de valor http://www.vaniadiniz.pro.br Site VMD em Coluna I e Amigos http://www.vaniadiniz.pro.br/virginia_fulber/
Site VMD em Coluna I e Amigos
Escritors http://www.ferool.info/ecosindex.htm
Jornal Ecos http://www.ferool.info/jornalecosfulber.htm http://vicamf.multiply.com/journal http://groups.msn.com/4ms1ts1j46bo2h5g/nietzschelouasalombyvica.msnw
Malito vivamf@yahoo.com.br |