Virgínia Fulber

 Considerações pessoais sobre a relação entre
Jogos e Relacionamentos Afetivos

      "Quando somos capazes de compreender o lado rico de estar só, quando perdemos o medo de nos defrontar com nossa solidão, rebelamo-nos contra muitas das pequenas e múltiplas regras de convívio. Então nos tornamos mais livres, inclusive para recompor as bases dos relacionamentos que nos aprisionam. As normas terão de se ajustar aos novos tempos, passando a respeitar mais a individualidade recém-adquirida e a liberdade que vem junto com ela. Impossível abrir mão de uma conquista tão prazerosa." Flavio Gikovate em artigo Concessões, uma forma de evitar atritos> 

"Enquanto a sociedade feliz não chega, que haja pelo menos

fragmentos de futuro em que a alegria é servida como

sacramento, para que as crianças aprendam que o

mundo pode ser diferente. Que a escola,

ela mesma, seja um fragmento do

futuro..." Rubem Alves

     Quando  guria  dos 07 aos 15 anos )  joguei muito frescobol e tênis, no frescobol meus

grandes parceiros sempre foram adultos ,pai e amigos deste, jogávamos  até cansar, uma delícia,já com os meninos, uma barbaridade, queriam vencer, não entendiam o jogo, as meninas,  também não entendiam muito, tinham medo da bola, distraíam-se e furavam o jogo, desastre. Nas quadras de tênis nunca fui muito boa, pois ainda queria “jogar ”frescobol” , fazer um jogo bonito e gostosos, infelizmente, ganhava dos meninos de minha idade, apesar dos seus esforços em derrotar-me, pois virava o jogo quando percebia que ali queriam era testar força, então eu usava um pouco de percepção e inteligência, o que lhes faltava pelo imediatismo em  acabar com o jogo, e vencer rapidamente ( ejacular ?)   Com meninas perdia, pois as da   minha idade   treinavam e eram carreiristas ,vencedoras  ( competitivas) por natureza ? Havia nelas muita garra e raiva, . Certa vez meu professor de educação física, início dos anos 70,  na época eu jogava basquete, chamou-me atenção, pois eu reclamava da violência com que as adversárias se colocava. Disse_ Mulheres em jogos coletivos precisam de uma rede para separá-las , ! Eu larguei o basquete, fiquei no time de voley  (R*)

     Meu interesse sempre foi participar, brincar ,as disputas realmente não  me agradavam     particularmente, alegria maior estava em  buscar o saudável exercício físico ao mesmo tempo em que as relações pessoais  e as amizades cresciam , as rivalidades  crescentes nas disputas, levaram-me  ao gosto do ciclismo, da natação e  do mergulho subaquático, neste  último esporte encontrei  a  incrível colaboração, estando em ambiente estranho , não mergulha-se só, necessitamos do parceiro  que nos cuida , o cuidado é recíproco. Há um silêncio inerente a este esporte, há descobertas isoladas que são fontes de  trocas quando vir  à superfície, como no ato sexual ,uma boa conversa pode surgir após as sensações novas, estímulos a serem trocados, deste silencioso e intenso exercício de percepção e colaboração recíproca em busca de  prazer e mais vida a descobrir. 

 

      O velejar também é um bom modo de exercitar o respeito a algum parceiro. Concluindo esta reflexão, e deixando aberta a relatos e comentários , penso que o homem quando diante da adversidade cria laços, aprende a arte do diálogo e da amizade, motivo porque alguns casais fecham-se  em seu amor romântico  adquirindo um inimigo comum, forjando certas vezes, e no caso de adolescentes o inimigo  são os pais por desejo de  liberdade dos códigos  e normas impostas.. Pessoas que aprendem a  ser e , conhecer-se e respeitar-se primeiramente, estão mais aptas  a encontros alegres, onde o que conta é  as descobertas em qualquer jogo ou atividade , descobertas e aprofundamento de si e dos outros,  em investidas honestas ,onde há espaço para reflexão ( espaço)  O amor Romântico é idealizado, fechado ...e fadado ao rompimento !

     Destaco o valor da amizade ,pedra fundamental de qualquer  relacionamento duradouro ,este sentimento nasce  muita vezes, por algum interesse  comum, seja ele a liberdade, o respeito a si próprio, à vida ou mesmo algum mais generalizado como uma filosofia, um autor ,uma disciplina, artes, matemática, etc;  Alguns  interesses mudam, porém o desejo pela vida, e este  se não despertados na infância, deveria ser  procurado  e direcionado   com  valores éticos e com integridade  mais tarde. As escolhas  ,inerentes a interesse genuíno pelaVIDA, é por si só um  modo de ver e viver no mundo com mais sabor e desejo de desperta nos que o cultivam vontade de partilhar tal interesse, e nisto há com certeza um passo em direção ao outro, se este estiver aberto às descobertas  e não simplesmente  fixado seu interesse  no jogo de poder sobre os corpos

     Virgínia F. de Além Mar

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