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Virgínia Fulber
Ao
Sabor De Cálidas Lembranças
Já há
neblina em torno da lua, bem queria sair alguns dias, passear ao sol,
ficar à toa na rua e esquecer de noites tão frias.
Resguardo-me em raiz, preparando as flores do porvir, mas treme em
branco a folha sem versos, enquanto as mãos ocupam-se do chá.
A previsão é de mais chuvas meus amigos e, eu não tenho mais um cão a
esperar-me com a alegria que faz esquecer que agosto é chegado. Foi no
dia quatro, de um agosto que, sem gosto, meu pai se foi, deixando vazia
minha boca de palavras e a chapa do fogão...
Eram bons tempos aqueles de inverno, retornávamos da viagem de férias e
ele reunia amigos na cozinha de fora onde havia o fogão rústico à lenha
, para vinho, estórias, risadas e cozido de peixes. Enfiava-me entre
eles, como mais uma mascote, fazia de tudo para penetrar as reuniões,
xeretar as conversas instigantes que versavam sobre os mais diversos
assuntos.
Tudo era quente e incrivelmente vivo naquela casa, quando era ainda
criança; No jardim enorme, os bancos ao sol, as frutíferas, o telhado
pelo qual adora passear... Havia também um gato vagabundo de pelo
listrado, ou era uma gata? Como o cão pareceu e foi ficando ganhando
nossa admiração.
Vai chover e, não quero molhar os pés nas poças de ausências, desejo um
amanhã com o sorriso dos tempos de sopa de peixe e pão quentes e, se
possível, um livro de estória para colorir e acordar as sementes do
amanhã.
Nota- Publicado sob o título de Há gosto II no recanto das Letras e nos
blog Discutindo Literatura e além mar
Virgínia f. de além
mar /2009
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