Virgínia Fulber

Às Mulheres

Nesta  semana   trago prosa   e   versos às mulheres ,   companheiras de   luta   ante um  mundo que ainda  privilegia demasiadamente a mentalidade  masculina, principalmente àquela mulheres  meninas às quais esta mentalidade continua  atormentando , e que são vítimas de si mesmas  agora, por desconhecerem sua  força e sensibilidade e ou não darem ”ouvidos” a sua voz interior ,Luz que brilha  em si e para si  e que muitas vezes  esta  “voz sentido “ reprimida só é evidenciada em sintomas físicos .Sim sintomas de uma sociedade   doente que ainda ,   discrimina mulheres,   mães!    Triste   perceber   que   estas   mesmas, muitas vezes aceitam tais discriminações,   baixam  a   cabeça  e  submetem-se   docemente  aos  insensíveis,   certamente   vítimas   da sociedade educação, cultura  , porém nada justifica   a violência contra às  mulheres e seus corpos  , esteio da  sociedade ,peitos que   amamentam, colos que   aquecem,   não “virgens santas”.  tampouco ”bonequinhas de luxo”, e sim seres humanos que necessitam respeito e cuidado .São fulminadas pela mídia que    favorece à baixa auto estima destas criaturas ,  vendendo  imagens  de  corpos sarados,  siliconizados, rostos  entalhados pelas clínicas  de cirurgia plástica !   Mulheres, meninas  que    submetem-se   às atrocidades  do bisturi antes mesmo de tomarem consciência de que mais  que nada são  pessoas e não objetos de consumo.

     Mulheres  cuidem de si , cultivem o Ser,  não temam   perder  neste jogo insane de   poder sobre os corpos ! Perde-se de si  mesmas, esta sim é uma perda desnecessária que  se refletirá nas próximas gerações . Amem, amem muito porém antes de buscar quem as ame, amem-se  a   si mesmas e  procurem conhecer  seus corpos, amá-los,   ouvi-los e sobretudo   passem este   conhecimento   de   si ao   seus   companheiros,  àquelas que se conhecem tem mais chances de obter prazer sexual

     Plenitude e realização pessoal , estando mais   próximas a   si mesmas  através   do auto  conhecimento têm mais chances de    conhecer  um   parceiro  que a complete   com respeito ,amizade  e     afeto verdadeiro, uma velhice sadia , inicia-se na infância ,porém sempre é tempo de  descobrir ,e colorir a vida com o encantamento  de uma vida mais plena  e satisfatória.

                                Pantera /Samurai /Águia amanhecida

     Ao perceber   naqueles que  me  circundam  o  desejo de posse  sobre  minha mente,      minhas idéias, meu corpo,  sacudo-me ligeiramente, numa agilidade felina desprendo do pelo qualquer  insidiosa pretensão alheia.

Há um preço nisto, o preço de  vagar  certas vezes, solitária em desertos , porém este deserto jamais é de  mim mesma,   estrangeira  ao  mundo estando  no mundo,  livre para  pertencer   à   todos e  a ninguém, uma mente

maior  me governa, algo  que chamo tempo/natureza, à ela  fiel não por escolha e sim necessidade,  pois nesta Natureza/Tempo  há uma  indiferença  às  normas que  me  atrai, apesar do cruel desejo de tantos em  cercá-la, aprisioná-la, surpreendem-se  aos seus  trovões, erupções, desmandos !

     Estou em tudo e a nada pertenço, estou contigo, comigo, e, se vires bem dentro  de meus olhos sentirás que não pertenço a ti, somente a mim mesma ! Rogo a cada respiração, seja ampla, esteja inteira no presente  !           Observa teu sentir ante  à vida e dela tira teu instrumento ,  teu diapasão !   Observa   atentamente àqueles que  dizem “vem por aqui !”  A maioria quer  a razão que não é de ninguém, e de todos, cada qual com suas razões  Respeito  o momento  alheio. sigo , não posso esperar-te, já ví este  episódio,  tenho outros campos a  semear ! Um ritmo próprio que, demasiadamente me  conduz  à   meu destino de  ser humana,  indivíduo,  única,  assim como é  minha digital,   nenhuma tatuagem  deixo   marcar, as  linhas   que  a mim,   somente a  mim,    foram  presenteadas !  Ao deitar-me  presto  contas à minha consciência, reverencio  diante  a  fluidez   dum  rio   que escorre  em minhas veias , meu mar vermelho   a ele deixo-me  pertencer !

     Ondas me sacodem  e chamam  a cada segundo,  preciso manter-me viva, e se para isto  sem  teus   olhos  e peito terei que seguir...que mal há nisto ?  sigo inteira mesmo  assim, ligeira  pantera   olhando  abismo   de si !

Agora Incorporei  olhos e asas de Águia ,para viver entre  abismos e desertos,/ ,da  fera/mulher ,  ego perdido em  desejos , me despeço  e sorrio contigo conosco em  pleno farfalhar de asas em busca do infinito !  “Decifra-me ou te devoro !”

Virgínia F. de Além Mar  1986   

         Leoa Cativa

 Entre um sim e um não

 Dardo feroz,

 cruel malícia em sofreguidão 

 dissipada tua voz

 Tens além de belo pêlo

 membranas, garras e longa passada

 Um credo em desvelo

 Temes girar na selva  calçada

 

 Saliva  , lambida ,cuspida , rugido

 Comprido, lamento, fermento  de  Albatroz !

 

Maré vem, maré enterra , só és na  terra

Dos homens cruéis !

Dou-te,  por agora, um sopro nas narinas

Ergue-te entre  as mandíbulas

Imita  jangada que é fera

Em driblar ondas e vendavais

Não temais  entre  o córtex  e a cortina

Tens  um Oceano a mais !

Virgínia F. de Além Mar   26/11/2004

http://vicamf.multiply.com/journal

 vicamf@yahoo.com.br

 

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