Virgínia Fulber

Até a lua acontecer ...

& Renascer no Mar ... ( prosa e versos)

Como já é domingo, madrugada morna, o vento que aqui sopra vem do Norte...

Como a lua mostra-se inteira, acolho e compartilho lembranças de  uma ternura imensa;

Havia  estado com os  Xavantes na Serra do Roncador (MT),a saudades do Mar era imensa decidi ir à Bahia arejar...Inicialmente à Canavieiras ,de lá à Porto Seguro e,só após à  Salvador. Como o tempo voa ! Foi em  no século passado, risos, em 1983 !  Pois bem chegando à Capital, sem desfazer a bagagem, tampouco banhar-me, exausta da viagem segui para  Itapoá. Carecia de Passar uma tarde em Ipatuã.. Ouvir o Mar de Itapoã,  deixar-me ficar em Itapuã  até não mais poder, até a lua acontecer...

De chinelas, corpo coberto de sal, cabelo desgrenhado, feliz da vida fui à feira do bairro de Caymmi, ser trespassada por sua doçura, por seu ser que  foi, é e será  para mim todo Poesia, e o Universo conspirou a meu favor !

Dorival Caymmi, por  de sua simplicidade tão característica , leva-nos a sonhar , almejar o devir  baiano, pelo menos um cadinho... Suas canções povoam nosso imaginário  aguçando o desejo de viver as belezas desta orla tão singular que encanta por suas delícias,musicalidade, oralidade e sobretudo hospitalidade mestiça.  

Quão deliciosos são estes afetos, quão alegre a brasilidade dos pés na areia, do mulato que  em nós habita, o requebrado, a ginga a prosa  mansa ,o afagar da brisa ao entardecer, o corpo mole , o desejo de fazer poesia...

A prosa está boa mas a madrugada é alta e ainda tenho uns versos a dizer, desejando a todos um domingo, envolto em cantigas do coração.

virgínia  17 agosto 02:30

Renascer no mar  *Virgínia além mar *

No Saveiro partiu, ou na Jangada se foi..

Dorival Caymmi

Doce quanto o beijo das ondas do mar

 

se pescar estrelas nas nuvens

se buscar sereias na eternidade

se para nos deixar na saudade....

 

Não sei e quem souber não me conte

quero ficar acreditando que sua voz

foi morar no mar !

 

Quero crer que ao chegar à Bahia 

em Itapoã,  penteando  as franjas

das palmeiras, sua voz resiste...
 

Vou buscar na cornucópia um resto

da doçura de morrer no mar ...

morrer para o que se fez doer...

 

No silêncio que antecede  novas canções

de boa saudade,de eterna amizade,

há de se renascer no mar

virgínia além mar 16 -08 08 

Publicado no Recanto das Letras em 17/08/2008
Código do texto: T1131929

 e no http://vicamf.multiply.com/journal/item/195/195

Dorival Caymmi morre em casa, aos 94 anos, de falência renal -

depoimentos no blog http://loronix.blogspot.com/2008/08/dorival-caymmi.html

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Agradecimentos

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