Virgínia Fulber

 Auto Conhecimento, Potência e Direcionamento

      Adquirir a capacidade de estar só é essencial numa vida  saudável,  significativa favorecendo a     manifestações de nossa subjetividade .    A    subjetividade é construída a partir do outro porém o retorno ao si mesmo  é a essência do equilíbrio da personalidade.     Quanto    mais distantes de nós mesmos mais presos        aos enredos     alheios nos encontramos.Uma auto estima “suficiente boa”adquirida já  na infância facilita este estar só.  

Uma terapia pode e vem auxiliar na  construção de   uma melhor auto estima que por vezes deixou  a desejar na sua formação       ,    que é uma característica para uma vida mais  livre.                          Estamos sempre em construção, revigoramento.  Equivocadamente  indivíduos criativos,com característica mais independentes são mal interpretados e comumente tachados de egoístas, por distanciarem-se dos modelos do “rebanho”.

O egoísta não tem energia   própria;   ele se alimenta da energia que vem  do outro,  seja ela financeira ou moral. “ (F.Gikovate).          Não pretendo fazer       uma apologia    da solidão mas afirmar o exercício da liberdade,  singularidade e  beleza da diversidade .

    Nos tempos  de exterioridades excessivas,faz-se mais necessário dedicar tempo a nós mesmos,         ficar  conosco  e refletir, deixar o inconsciente aflorar,    relaxar , entrar                   em contato com as profundezas,  ricas potencialidades do ser .Frequentemente  parece uma tarefa difícil , por este entre outros motivos recorre-se  a     uma terapia,  auxilio, nesta tarefa do auto conhecimento         o que inclui certamente a consciência do potencial      psíquico e orgânico do ser humano .Segundo        Claude Bernard fisiologista francês ,"O corpo vivo, embora necessite do      ambiente que o circunda,      é, apesar disso,           relativamente         independente do mesmo.          Esta independência do      organismo com          relação  ao seu ambiente externo deriva do fato de    que, nos seres vivos, os   tecidos são, de fato, removidos das influências   externas diretas, e    são protegidos por         um     verdadeiro         ambiente  interno, que é   constituido, particularmente, pelos fluidos que  circulam no corpo. "     e segundo  este  que autor  considerado        o "pai"           da moderna fisiologia experimental, também  responsável pela descoberta   revolucionária  quanto            ao entendimento dos princípios fundamentais da  vida     orgância que continua válido até hoje,o conceito de homeostase, ou da estabilidade  controlada do ambiente interno,      composto  pelas células e tecidos.Este propôs que a "fixidez do ambiente interno é a condição  para   a vida livre" .Em Canguilhem B.veremos “A doença não  está   em algum lugar no homem.Ela está em todo o homem, e ela   é  inteira dele. (...) A doença não é somente     desequilíbrio ou desarmonia,   ela é também, e talvez sobretudo,esforço da natureza no homem    para obter um novo equilíbrio.          A doença é reação generalizada  com a intenção de cura.O organismo faz uma doença para se curar.”

     As técnicas terapêuticas                    vêm neste sentido auxiliar o

Indivíduo a reconhecer sua potência e melhor fazer uso   desta  que   no mínimo irá torná-lo menos dependente  da energia alheia.     Não estou querendo afirmar entretanto,     que todos precisam de terapia  mas que em determinado momento esta é uma ferramenta    auxiliar             na  descoberta das potencialidades individuais e         possibilidades  dum alargamento da consciência o que contribui  para uma vivência mais rica, satisfatória  aberta e criativa o que certamente irá   refletir

no ambiente sociocultural.        Lembrando      que somos enquanto humanos,  seres de desejo e não somente de  necessidade e,     os   desejos assim que satisfeitos nos lançam        a insatisfação    ,uma dependência excessiva do outro às nossas insatisfações  provocam constantemente equívocos e são fonte de desentendimento entre o meu  desejo e o do outro.Lembro-me aqui de Claude Bernard "Feliz

é aquele que sabe ao certo  o que procura, porque quem não  sabe

o que procura,  não vê  o que encontra." 

     Para saltarmos da postura de “moral de escravo”  ( Nietzsche) à Ética libertadora      faz-se necessário o reencontro com    a própria potência e aceitação desta restabelecendo  o centro para  dele nos lançarmos     à aventura criativa que produz o  lançamento a novos direcionamentos,  com    um novo   olhar, dos eventos  e       capaz

de experimentar o sabor  real  deste, despidos dos ressentimentos .

Virgínia Fulber ( de Além Mar ) vicamf@yahoo.com.br

http://www.vaniadiniz.pro.br/virginia_fulber/index.htm

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