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Burguesia, deslizes e o devir mulher “o artista antecipa o cientista, tem antenas que captam fenômenos que o cientista demora a entender.”S. Freud No inconsciente a mulher foi inscrita apenas como mãe, segundo Lacan, não existe inscrição para o feminino, já que este está identificado à falta. A mulher não existe até o século XIX por não ter o falo da fala e não o falo do homem, porém uma nova classe, a burguesia, colocam a mulher européia do século XIX em crise com aquilo que teriam sido os padrões de feminilidade. Ainda hoje a discussão sobre a questão de gênero diminui os indivíduos e os esqualifica, porém sabemos que a mulher de classes sociais mais baixas, principalmente por não ter tido recursos de estudar e qualificar-se , tinha seu destino traçado,o de mãe e esposa e Demasiadamente com este identificada e ncapacitada de manifestar-se socialmente,ter fala , discurso próprio .A histérica que chega ao consultório freudiano, se a considerarmos como fenômeno social e não como fenômeno clínico, é uma mulher em crise com os padrões de feminilidade do final do século XIX, A histérica seria um sintoma, não só no sentido do sintoma neurótico individual, mas uma espécie de sintoma social. O sonho de liberdade persiste , cumprir com um destino distinto, para o qual muitas ainda estão despreparadas é um dos motivos pelos quais muitas trocam apenas de marido eou tendo aventuras amorosas como alternativa crendo que irão “subir”na vida, sonho da burguesia .A idéia de mudar de vida de recriar-se através de seus próprios recursos é hoje partilhada por diversas criaturas. Deleuze, filósofo francês que muito aprecio fala no devir mulher, um devir é sempre minoritário, o homem não tem um devir homem, pois o sistema patriarcal fez do masculino a maioria ,os que detém o poder ,o racionalismo exacerbado do qual homens e mulheres , enfim todos estivemos a/ sujeitados, subjugados. Bem voltando a questão do devir ser mulher e não somente esposa e mãe é uma conquista é um lançar-se para fora do ambiente familiar, inserir-se socialmente e lançar mão da caricatura também da mulher frágil,dos padrões do que é ser mulher, de como é o comportamento dito “feminino”,encontrar-se como pessoa,experimentar-se em seu devir mulher. A pergunta que trago é o que quer uma mulher hoje? A mídia com sua oferta cada vez mais poderosa sobre os corpos , fala pela mulher que ainda não fala? Este assunto gera muito sofrimento, angustia , por este motivo que tentei trazer alguma luz através deste pequeno texto,minha fala . Escolher é mais do que fazer de um só jeito.
Virgínia Fulber ( de Além Mar ) |