|
|
|
Das Efemeridades – livre associação |

Perdoem-me amigos, estou de partida, despeço-me
da ausência escondida, uma pérola perdeu a cor, outrora comovida. Das areias
quentes tenho saudade e só por isto movo-me em sofreguidão.
Haverá de se fazer uma estrela antiga renascer, por mais que se sinta que ela
ainda vibra e, com sua luz embutida constrói-se sonhos nas noites de rede e
folclórica ilusão. Creio que não renascerá mesma chama. Estamos em despedidas,
dói um pouco saber que o que fomos se foi para sempre e que as sementes das
chamas dormitam em lama. Hoje mais que antes sabemos da impermanência e do
quanto a paisagem se transforma e, nosso rosto pede o sorriso do encanto que se
foi.
Morremos a cada página escrita, a cada olá já em despedida .
Perdoem meus amigos assim como chego já parto. Também vos perdôo por viverem a
efêmera sua, também vida. Que o encanto que ficou no retrato seja resguardado da
dor que houve e não pode ser aliviada. Que o esplendor reine sobre desassossegos
e nos abra aos momentos que ainda virão galopando miragens. Anseio ainda ,
dizer-vos que tal qual membrana híbrida fortaleço-me em cada despedida e, assim
espero que façam e ousem adentrar a monotonia com tamanha fibra, para que sobre
nós alguma sentença seja proferida; houve perseverança, lutaram e deixaram-se
transformar !
virgínia f. além mar- 19 de agosto
vicamf@yahoo.com.br