Virgínia Fulber

Delírio I e II

      Delírio I

Movimento  de sombra e luz, jogos  que  além  das     palavras

suscitem algo do mais obscuro ,    num redemoinho , turbilhão

de afetos jogados como um lança     chamas sobre   as  formas

prontas, derrete-se a imagem inicial,    convertendo-a    noutra

que se afina  num presente inaugural.

Surpreendente torvelinho de idéias,  pulsa  em delírio e /vento.

Num salto sobre o ardor  ,cavalga o verbo intransitivo

Desponta   como música, atravessando os lagos ,   o cavaleiro

já é passado,   razão e luz é o cavalgar !

 

        Delírio II

 Escrever é tornar-se, é um vir a ser, lançar-se nas e através  das percepções  e dos afetos , registrá-los na memória do tempo. As  percepções  já são multiplicidade no momento em que delas se lança mão,   serão além, impressões  de vida ,vida mesmo  potencializada e potencializando afetos capazes de provocar encontros e reencontros nas dobras do tempo, assim sendo escrever também é viver  em outras dimensões de Espaço tempo,é tornar-se a própria dobra e desdobrar-se sobre ela mesma sendo outros, vários  dispositivos de afetos .

            Virgínia Fulber  ( de Além Mar

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