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Do Dizer Que Já Não Cala... Sobrevive!
"No começo dos flagelos e quando eles terminam, faz-se sempre um pouco de retórica. No primeiro caso, não se perdeu ainda o hábito, e no segundo, ele já retornou. É no momento da desgraça que a gente se habitua à verdade, quer dizer, ao silêncio. Esperemos".(A. Camus A Peste )
Como os Albatrozes alguns sentimentos, hábitos e valores estariam em extinção? As palavras simples, as mais puras expressões dos sentimentos na correria da vida moderna não encontram acolhida, o tempo dedicado a escuta cada vez mais raro,nos lares, nas escolas, esquinas, nos corredores discursos vazios de sentido ou carregados de fria erudição. Perdeu-se o hábito de sentar-nos em silêncio,dar o tempo necessário ao dizer que já não cala em cada corpo que estremece e, transborda em vida, desejo de pronunciar seu grito de Albatroz... Encontramo-nos na era das comunicações, a velocidade impera, requer Síntese objetividade, mas como chegar a síntese em um discurso sem a escuta prévia da verborragia que precisa sangrar ... Ais que o poeta espreitador do
silêncio captura, ais que a literatura abriga, nos dizeres simples de
espanto e Não nos é ensinados nas escolas e nos lares que as obras de arte antes de serem expostas passaram por processos, recortes, muito suor, aflições e erros... Quanto tempo ainda emprestamos à frugal escuta ao escritor ou ao ouvir estórias do cotidiano, dos mais humanos sentimentos, erros,buscas tão comuns à cada um ? Cabe ao olhar treinado observar o vôo destemido? Ou seria no resgate dum viver mais arejado,num desaprender um pouco a severidade, recuperar o próprio tempo da escuta que contém o desejo de compreender, de assimilar a beleza das tormentas,delas recuperar a força do alçar-se em relâmpagos, flashes e dizer simplesmente com coragem de inovar linguagem escuta e pensamentos ? Coragem de errar um pouco, de não desistir ante ao olhar ácido e desencorajador de certos mestres que fixam-se nos modelos e preconceitos, transferindo seus medos,angústias mesmo que inconscientemente... Ouvir silêncios, interpretar doçuras nos rostos, sem vista que desliza sobre o outro atentamente, requer o exercício de aprender a dizer e de ouvir o que não cala ...Ouvir ( ler) atentamente a si no outro, nos intervalos ... Seria o tempo dedicado às leituras, à música, ‘a Poesia, ou ainda às crianças e ao povo em sua diferença o que viria favorecer o entendimento entre os não poetas que sufocam-se mutuamente ?
Ouvindo Ária – Cantilena – Bachianas n.5 de Heitor Villa-Lobosna simplicidade desta apresentação onde a riqueza de sentimentos e capacidade de expressá-los põe-me a saudar-vos Albatrozes e demais sobreviventes...
virgínia
além mar 11 julho 2007 'Se, com Spinoza, entendemos por Ética a determinação de estratégias de ação, nossa época de hipertecnificação defronta-se com dilemas éticos ingentes. Selecionar valores que favoreçam a vida, redefinir o sentido do que é ser humano - eis o desafio que nos cabe enfrentar. ' [Luiz Alberto Oliveira físico, doutor em Cosmologia, Prof. De Filosofia da Ciência RJ |