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Embriagai-vos De Infância “o pensamento não é coisa de especialistas,mas um exercício de vida.” M.Foucault Não há receitas prontas , o jogo em andamento cria possibilidades, o jogador disposto ao seu “devir infância” assume a surpresa do instante ,numa poésis de vida , o jogo de olhares sobre as Imagens recria , reinaugura o caminho, caminhar e caminhante.Pela potência de cada um abrem-se linhas de fuga que a partir do momento desdobram-se em novas formas imanentes, desejos libertos no brincar. Ao experimentar a novidade como na resposta “alegre “ de Deleuze: “criar “ eis a única proposta ao novo homem .Modos de existência mais livres mais potentes que atravessem e deixem livres estas jovens potências que estão em constante experimentação.Penso que aprenderemos com as crianças o “novo olhar”e, mais que educar pais e educadores precisam aprender ou reaprender a brincar. “De que valeria a obstinação do saber se ele assegurasse apenas a aquisição do conhecimento e não, de certa maneira, e tanto quanto possível, o descaminho daquele que conhece? Existem momentos na vida em que a questão de saber se pode pensar diferentemente do que se pensa, e perceber diferentemente do que se vê é indispensável para continuar a olhar e a refletir.” Foucault O sucateamento contemporâneo da humanidade mais-do-que-impõe a questão:
o que pode o
pensamento contra todas as forças que, ao nos atravessarem, nos querem
fracos, tristes, servos e tolos?
como obra de
arte,
o filósofo (o intelectual, o cientista, o artista) como grandes
estilistas do agora.
que convém ou
não, que atravessam o sujeito-que-quer-conhecer ou não, que
conectam com alguma estratégia, interesse ou paixão, ou sequer terão
interesse. Vê-se, pela força dos problemas colocados, pela grandeza neles implicada, pelo nível de exigência ética, política e intelectual que eles exprimem, como regurgitam aqui
e ali, na
intensidade e atualidade de um campo de pensamento como
este, mineiraizinhos em miríades mil desmentindo a aridez desértica. não sentirdes o fardo horrível do Tempo, que vos abate e vos faz pender para a terra
é preciso que vos embriagueis sem cessar.
de um fosso, na
desolada solidão de vosso quarto, despertardes, com a embriaguez já
atenuada ou desaparecida, perguntai ao vento, à vaga, à estrela,
ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o
que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai-lhe que
horas são; e o vento, e a vaga, e a estrela, e o pássaro, e o relógio,
hão de vos responder: Utilizei aqui fragmentos do ARTIGO MIRÍADES POR ENTRE MAIO DE 68 E O DESERTO de Paulo Tarso Cabral de Medeiros, com devida permissão do autor, que poderá ser encontrado no endereço (http://www.geocities.com/ptreview/17-medeiros.html, com a finalidade de ampliar a discussão e o novo olhar sobre a complexidade implicada no processo do pensamento e suas diretrizes a partir da proposta aberta que pensadores como G. Deleuze e Foucault nos apresentam,deixemo-nos afetar por estes “luzeiros “ tal qual estes foram por Espinosa e Nietzsche .Entregues, a embriagues do “devir infância” e, pela potência dos corpos, quiçá possamos de forma criativa e receptiva entendermos as três transmutações do espírito segundo Nietzsche em Zaratustra “do espírito em camelo, do camelo em leão e do leão em criança. O camelo, espírito de carga, que a tudo renuncia e é respeitoso, foge para seu deserto. No solitário deserto, o espírito se torna leão, almejando obter liberdade e ser o senhor do local. Para isso, o espírito de leão precisará lutar com o dragão "Tu- deves", dizendo "eu quero". Diz o dragão "todo o valor já criado, e todo valor criado - sou eu. Em verdade, não deve haver mais nenhum 'Eu quero'!" [18] O leão não conseguirá criar novos valores, mas apenas liberdade para a nova criação. O começar de novo e a capacidade de criação somente será possível com sua transformação do leão em criança.” Virgínia Fulber ( de Além Mar) |