Virgínia Fulber

Escolher é Deixar

      Escolher é deixar ", a cada dia nos     deparamos     com esta  dificuldade, <escolhas > ,podemos         escolher entre estar de bem conosco ou de  "mal". Quando  nos sentimos mal é porque fizemos más escolhas, escolhemos  ficar de "mal conosco", crendo que estar de "bem com o mundo que nos   cerca" é um dever. porém  a verdade é  que  escolhemos estar "de bem como o mundo" pois temos medo de perder      alguns afetos, e muitas vezes      este "medo de perder" nos distancia a cada" má escolha" de nós mesmos.

     Somos ambíguos         em "nosso querer".        Temos desejos equivocados, desejamos que os outros mudem...sentimos raiva de nossa própria  impotência .Nos preenchemos de raiva para não sentirmos o vazio,.  que também  passará quando o medo da solidão for enfrentado e compreendido, surgindo assim    o renascer diante de si. Um encontro com o Ser !

     A solidão maior é a de estamos apartados de nós mesmos !

     Ao realizamos boas escolhas , estamos mais próximos do si mesmo de nós , o que inevitavelmente nos leva à bons encontros, encontros  com semelhantes, pessoas que buscam deixar suas ilusões, o mundo das aparências.

     O sentimento de vazio inicial é natural visto que          estávamos cheios de escolhas equivocadas e as alimentando . Percebemos  que quando escolhemos estar conosco , ouvirmo-nos , sentiremos um vigor.         Se a culpa povoar em alguns instantes , não atenhamo-nos  à ela...Este sentimento esconde a Raiva e o medo .

     Toda  realidade é    ” trabalhável “.             Construir  o futuro é tarefa a ser empreendida no presente, no estar presente ,consciente de si mesmo    diante à realidade. Somos  dotados duma capacidade          extraordinária a de inteligir.

Nosso corpo  é flexível e pouco utilizamos da plasticidade deste .    Mantemo-nos em apego à velhos padrões           de comportamento que é um dos fatores  geradores do descontentamento, pois padrões, são padrões    apenas índice da rigidez físico/mental. Escolher é deixar é entregar-se ao devir      de si mesmo numa atitude de fé na vida e na aquisição da           potência existencial. O ser humano tem  um potencial criativo que não utiliza em virtude de seus medos , dúvida ante as “escolhas”.  O  exagerado medo de errar conduz ao erro    e  ao amortecimento  da percepção. Desejamos a liberdade de sermos nós mesmos e para tanto há que  correr o risco , enfrentar o desafio de ser o que se é .  Difícil

por vezes abandonar a acomodação de determinada situação conhecida     pelo

novo. Em  artigo  anterior citei a obra que continua a sugerir ,:A Solidão Domesticada - a angústia de separação em psicanálise >     Autor -Jean-Michel Quinidoz - Ed.Artes Médicas. Concluindo       embora em termos cronológicos somos adultos, porém enquanto               não cortarmos o cordão      emocional continuaremos   agindo como             crianças  “afetivamente dependentes da aprovação materno/paterno  e projeções destes . O novo homem é o   homem criativo, adulto que conserva em si a vitalidade da infância ,    curiosidade   e capacidade de recriar-se  a cada dia, utilizando de sua potência,  numa atitude positiva diante  à vida ,fazendo escolhas, arriscando-se   ao          devir de sua existência  ,alçando-se ao seu vôo solitário, porém sem deixar de ser solidário,            pois o  homem satisfeito ,alegre ,consigo mesmo é generoso,       já possui a si mesmo .O rancor é fruto  da insatisfação pessoal!

           Virgínia F. de Além Mar

 

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