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Infância Roubada Não fosse o nome ser tão belo e santo sobrariam suas tranças negras alargando-se em brados, debruçadas na janela. Uma bela mulher irada confusa, entre a malha apertada mal suspiram seus olhos ‘a procura de confusões noturnamente.
Dois cães, um gato e o lençol bordado, em seu varal esperam... Ana Mariana possui antecedentes; seu avô, dizem, era “o louco João“, homem bravo de faca na bota. Se pai não menos estranho, jamais instalou uma torneira na casa, bebiam água do poço, a roupa lavada em baldes. Na casa não havia privada. Ana e suas irmãs tomavam banho eventualmente; uma generosa vizinha as pegava pela mão, levava-as ‘a sua bela banheira, escova-lhes as tranças, desembaraçava-lhes remelas, colocava-lhes fita no cabelo e, por uma semana Ana e as outras sentiam-se mais gente, menos roubadas pela vida, vestidas de dignidade! Um cheiro forte de urina invade o corredor do apartamento, onde vive hoje Ana “louca” Mariana que, espera o ladrão que não vem. Certa vez jogou um pela janela, diz gabando-se e, passou a vigiar a rua. Noite e dia varre a poeira das lembranças triste de sua infância. Pelo mar ressequido dos seus lábios de grito estreito, ouve-se nas noites o lamento dos sonhos encardidos , roubados , espatifados . Ana Mariana espera, espera pegar em flagrante o ladrão, alguém para punir e, quem sabe sarar... http://www.vaniadiniz.pro.br/virginia_fulber/dicas.htm POEMAS http://www.vaniadiniz.pro.br/virginia_fulber/poemas.htm
Jornal Ecos
http://www.jornalecos.net/fulber.htm "Orkultural" em parceria com Blocos Onlinehttp://www.blocosonline.com.br/literatura/prosa/colunistas/cherrmann/chindex.htm http://vicamf.multiply.com/journal http://alemmarpeixevoador.blogspot.com/ Virgínia F. de Além Mar 14/novembro 2006 |