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Pânico filão do mercado ...
“... essas pequenas coisas – alimentação, lugar, clima, distração, toda a casuística do egoísmo – são inconcebivelmente mais importantes do que tudo o que até agora tomou-se como importante. Nisto exatamente é preciso começar a reaprender.”
(Nietzsche Ecce Homo)
O presente texto com alguns recortes, escrevi em janeiro de 2007 para minha coluna, ora extinta, no Jornal Ecos de Literatura Lusófona. Trago-o para este Portal visto que o assunto parece-me bastante atual.
É do Pânico a vez, pânico vende, vende remédios, consultas, seguros planos de saúde, jornais, revistas,enfim nova moeda em circulação; segurança financeira a qualquer preço.
Medida de valor, correria, urgência é o tempo transformado em dinheiro.
Eu bem queria um mundo onde o tempo fosse medido por conquistas mais dignas, menos equivocadas. Há um medo circulando, sangrando nos jornais.
No capitalismo contemporâneo tudo se transforma em mercadoria.
Um pouco de dignidade, será que podemos nos lembrar que há diferença entre ter e ser realmente?
O modelo norte americano de vida massacra através da mídia. Não possuir as " tais marcas " é ser indigno de respeito?
Nós criamos valores e deles nos tornamos servos cegos.
Queremos paz, bastante difícil pensar nesta possibilidade diante aos quadros de horror que nos empurram garganta a baixo nos canais de comunicação em massa.
Precisamos de um pouco de espaço/tempo para pensar, é possível?
Creio que é oportuno neste momento repensarmos a manipulação da mídia sobre nossas escolhas, “ nossas”?
Talvez seja da Educação a tarefa de ensinar a pensar, pesar, medir com que gastamos nosso tempo, com que nos endividamos, com que e para quem empreendemos nossas energias.
A desinformação coloca o indivíduo num isolamento, a ignorância num desamparo ainda maior.
Não canso de repetir o tempo presente é o nosso maior bem, na verdade o único bem que possuímos, como o utilizarmos será decisivo para nosso futuro e das gerações a vir.
É necessário reaprender coletivamente sobre o quanto de valor depositamos nos objetos e, consequentemente em nossas vidas para que não venhamos a tornar-nos simplesmente consumidores e consumamo-nos em preocupações sem ver a importância da crise atual para uma virada no jogo, ou seja que dela advirá certamente soluções mais criativas menos massificadas.
É preciso conquistar um pouco de liberdade bem como fortalecer-nos na resistência às malhas grosseiras de ideologias frágeis , fabricadas pelo poder dominante e, que sabemos não trabalha a favor da maioria dos seres humanos.
Àqueles que viajam, lêem, informam-se compreendem que há uma diversidade maravilhosa a ser entendida e que de todos os cantos deste lindo planeta nos vem
Sopros de novas possibilidades...
virg[inia 10 de janeiro 2007