Virgínia Fulber

Para Que Servem Os Poetas?

'imaginar sempre será mais que viver pois envolve ensaiar diferentes modos

de viver, inventando e instaurando outras realidades, extraindo de nós mesmos

a força demiúrgica que nos faz plural. Força alimentada por um pensamento

dinâmico, onde razão e imaginação caracterizam-se como criadoras, ativas,

abertas e realizantes.' (Gaston Bachelard, filósofo e ensaista francês]

Cantávamos Imagine de John Lennon, hoje mais que nunca precisamos cantar e utilizar da potência criadora de nossos corpos, da plasticidade e dinamismo da nossas mentes. Urge que tomemos em mãos a poética do viver e conhecer, que a vida seja encarada com sua força de poésis de cada um.
Conhecer envolve a experiência afetiva, envolve o desejo que precisa ser alimentado desde a tenra infância. Observamos a vida e seus contraste, com eles nos debatemos, nos deparamos diariamente e só uma resposta genuína, criativa poderá iluminar um novo estilo, uma nova estética um nova percepção e utilização do potencial humano . Não somos iguais, a cada afeto temos diferenciadas respostas é o que dá colorido e encanto à vida. O direito de sermos e sentirmos por nós mesmos é algo a ser conquistado pela coragem de experimentar, inovar e sobretudo sonhar.

Ao utilizar a imaginação, dos devaneios e entregamo-nos ao nosso devir ,à fluidez que experimentamos na infância...
Imaginemos portanto , deitar um olhar sobre as experiências primeiras, nossos afetos de infância, nossos contatos com os elementos, a vida que havia em tudo e sentíamos profundamente “tocados”, afetados pela água, fogo, ar e a terra, em contatos nos quais estes nos foram brinquedos, magia, encantamento.

Divaguemos um tanto sobre a infância. Os devaneios nos aproximam deste estado lúdico, criativo, intenso onde recriávamos o mundo. Sejamos co criadores de nosso tempo com a presença da inocente visão na qual ainda e sempre é nos possível sorrir diante ao mais ínfimo resquício de vida.

Na infância o não tempo é constante, portanto já conhecemos nestas idades, a experiência do ” Aqui e Agora “ do viver o tempo presente em constante abertura ‘as mudanças de ânimo .

Estar no presente é estar sem prévias ocupações, numa vivência intensa e tranformadora.

Haja poetas a nos lembrar da inocência, haja poetas a nos recordar a sua e a nos reportar a nossa infância.
Haja Poetas a balançar os peitos tesos/tensos rígidos e ressentidos.

Haja Poetas a manifestar o canto e bulir com as dobras do tempo !

O ser humano sobrevive à condições precárias devido a esta capacidade de sonhar distrair-se de si mesmo, das dores obsessivas e brincar!

Não há espaço/ tempo para o medo quando o ser está entregue a experiência criativa , a ela entregues vivenciamos o ”deus em si “ na realização, potencializada a percepção do estar e ser presente , atuante ,ardente, há integração !

Sabemos que o medo paralisa a ação e ou coloca o indivíduo a uma atividade desordenada caótica e por vezes num estado hipnótico que não o permite pensar, sentir por si mesmo e refletir, o que o leva a fácil ”domesticação”, manipulação .

“existe um sentido em falar de análise poética do homem. Os psicólogos não sabem tudo. Os poetas trazem outras luzes a respeito do homem” (Gaston Bachelard)

Escrever é tornar-se, é um vir a ser, lançar-se nas e através das percepções e dos afetos , registrá-los na memória do tempo.
As percepções já são multiplicidade no momento em que delas se lança mão, serão além, impressões de vida ,vida mesmo potencializada e potencializando afetos capazes de provocar encontros e reencontros nas dobras do tempo, assim sendo escrever também é viver em outras dimensões de Espaço tempo,é tornar-se a própria dobra e desdobrar-se sobre ela mesma sendo outros, vários dispositivos de afetos .

Virgínia fulber –além mar poeta dez 2005 in http://www.poetasdelmundo.com/verNot.asp?IDNews=467

"Pensar com sensatez é a virtude suprema, e sabedoria é dizer a verdade e obrar perscrutando conforme a natureza." (Heráclito de Éfeso Aforismo 112)

- Canal de Filosofia  http://www.vaniadiniz.pro.br/espaco_ecos /filosofia_virginia/colaboradores.htm

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