Virgínia Fulber

Por que Ainda Guerreamos Tanto?

            A procura a dominação num dado território,

            foi sempre a base dos comportamentos

            humanos.A dominação permite guardar à  sua

            disposição um ser  ou um objeto que é cobiçado

                                   por outros – Henri Laborit-

 um cientista libertário- entre a biologia e a psicologia*

O assunto ao qual  me detenho, é tão antigo quanto a civilização,Guerra-paz, amor e ódio, crime e castigo... Culpa e medo, ataque e fuga, perseguição às diferenças...

 

Creio que diariamente poderíamos refletir sobre este tema, por que guerreamos tanto... Neste pequeno texto recorro a alguns pensadoresda cultura  e  cientistas   além da   minha experiência de vida; não pretendendo  esgotar o assunto de tamanha complexidade com as referências  aqui contidas, há inúmeras, no entanto restrinjo-me a estas , tampouco desejo impor  a minha visão de mundo, apenas  relembrar estes que me afetam e  me são  referências recorrentes  em momentos    de espanto    diante a atitudes de verdadeira barbárie, destrutivas,  crueldade não somente nos campos de batalha, mas no cotidiano. 

 

Detenho-me, pois creio que podemos fazer algo pela Paz Global, por e sobretudo através de atitudes conscientes, buscando aperfeiçoamento pessoal através do conhecimento, auto e geral, não me  refiro à mera informação, mas na experimentação de uma dose diária de um mínimo de serenidade,  indispensável ao convívio em sociedade.   Poderíamos fazer a diferença, fazer diferente ? Iniciando  com  atitudes individuais uma mutação celular, por uma ecologia mental-afetiva, construir novas

células de paz que gerariam novos paradigmas...

 

Utopia ? Talvez. Entretanto, nos é sabido que o modelo mecanicista é passado, as novas  ciências, dialogando entre si,  tem-nos auxiliado a entender que o  Universo está em constante mutação e, sendo nós partícula deste podemos algo a seu, a nosso favor e da expansão das progressivas transformações dos Estados do Ser no mundo, do individual

ao coletivo; quiçá ...Ou    continuaremos  guerreando uns contra os outros até a extinção, exaustão de nossas energias, medindo forças ?  

 

Com os avanços tecnológicos, inclusive não haveria necessidade de patrões, hierarquias, confinamentos. Na atualidade, poderíamos vincular cultura, trabalho, alegria, Poesia Amor e Sabedoria como nos sugere inteligentemente Edgar Morin, entre outros intelectuais...  

 

Ainda admiro a coragem dos que se negam à violência e não entram no círculo do "ódio; escolhem, pois sempre temos opções: implantarcriar, inventar, se necessário for uma alternativa, uma saída pacífica,nem que seja pela fuga, lembrando Henri Laborit , em o Elogio à fuga ...

Navegar pelas encostas...

 

Quando não consegue mais lutar contra o vento e o mar  para prosseguir seu caminho, tem duas rotas que um

veleiro pode ainda pegar : a vela o submete à derivado vento e do mar, e a fuga diante da tempestade costeando

a onda na retaguarda com um mínimo de pano. Longe das costas a fuga é, seguidamente, a única  maneira

de salvar o barco e sua equipagem. Ela permite também descobrir margens desconhecidas que surgirão no

horizonte das calmarias encontradas. Margens desconhecidas, ignoradas sempre por aqueles que têm a sorte aparente de poder

seguir a rota dos cargueiros e dos navios-tanque, o caminho sem imprevisto imposto pelas companhias de transporte

marítimo...

Você conhece sem dúvida um veleiro chamado- Desejo- Nós só vivemos para manter nossa estrutura biológica, somos

programados desde o ovo fecundado para este único fim e toda estrutura viva não tem outra razão de ser, que ser...(HL 1914-95)

 

A assunção da liberdade, implica poder conviver com a incerteza e com a angústia de não saber de seu desejo. É neste ponto de fragilidade que o tirano se apresenta como aquele que sabe e instaura um princípio de

certeza inquestionável.

 

Ou como sugere  o oráculo chinês - I Ching  no trigramas ; Kên, conceito associado à Montanha. Esta  que se eleva acima da terra, uma referência à quietude; indicando que não há erro diante a  certos problemas,em manter as costas eretas e passear tranqüilamente nos jardins praças... (interpretação livre) A Poesia é uma destas belas alternativas, penso, desejo pensar ...? 

 

Lembrando sempre o compromisso com a sociedade nas vozes que se ergueram em 1932, às vésperas da invasão nazista na Áustria, Albert Einstein e Sigmund Freud, em cartas-abertas ao mundo, publicadas em 1933. Reconhecidos mundialmente por suas realizações, não tiverama devida repercussão, vozes minimizadas pelas expressões nazistas...

 

Einstein insiste na necessidade de uma autoridade supranacional Suficiente e confiáve, da criação de um governo mundial  e de umaModificação do conceito tradicional de soberania nacional. ***

 

Freud , em respostas às questões de Einstein, coloca do ponto de vista de suas teorias pulsionais; reconhecendo a existência de uma pulsão de destruição, acrescenta que : as guerras somente serão evitadas com certeza, se a humanidade se unir para estabelecer uma autoridade central a que será conferido o direito de arbitrar todos os conflitos de interesses…

Por paradoxal que possa parecer, deve-se admitir que a guerra possa ser um meio nada inadequado de estabelecer o reino ansiosamente desejado de paz perene, pois está em condições de criar as grandes unidades dentro das quais um poderoso governo central torna impossíveis outras guerra -

 

Este mesmo Freud  que em  Tótem e Tabu**  trabalhou com a idéia de que o crime inaugura-se a cultura  -A concepção que assimila a violência à perda das diferenças deve conduzir ao parricídio e ao incesto como o último termo de sua  trajetória. Nenhuma possibilidade  de diferença subsiste, nenhumdomínio da vida está a salvo contra a violência-  o assassinato do pai da

horda pelos filhos. Aí,  novamente evidenciado  o  ataque à diferença, construindo o laço, nó? social . O medo da discriminação desta violência impura, que poderia atingir qualquer membro da comunidade. Movidos também pela culpa oriunda de um sentimento ambivalente – amor e ódio – em relação ao pai morto, erigem o lugar do tótem e instituem o tabu do incesto, como forma de prevenção.

 

Freud, pensador da cultura, filósofo, cientista enquanto médico neurologista,criador da psicanálise,criticado,atacado,investigador dos estados mentaisdo  inconsciente humano,  teve entre seus  amigos e colaboradores

intelectuais que ainda nos iluminam; distanciou-se de alguns,foi além de seu tempo, outros foram adiante, nem por este motivo poderíamos desconsiderarsua obra, só o fazem, penso aqueles que não a conhecem e a temem?

Também expressou sua admiração à criatividade humana referindo-se especialmente aos  escritores e Poetas na famosa frase  Seja qual foro caminho que eu escolher, um poeta já passou por ele antes de mim, tendo consciência de que  mentes criativas acessam zonas do cérebro e antecipavam-se aos cientistas e pensadores... Os poetas têm clara compreensão do mecanismo e sentidos dos atos falhos -***  

 

Pertinente lembrar do Filósofo G. Deleuze que proferiu -a resposta é criar !

Nas palavras do Prof Filósof Cláudio Ulpiano***** - Há uma doutrina que provavelmente tem início no séc. I d.C. - chamada animismo – que afirma que  tudo aquilo que existe tem vida. Ou seja, o animismo  coloca a alma em todas as coisas. Essadoutrina, por sua própria maneira de se apresentar, cai num misticismo exagerado...  e praticamente se perde. E [se perderia pra sempre,] caso não fosse adotada pela Filosofia  do Plotino. Para pensar o tempo,o corpo e o próprio pensamento,... que vai trabalhar com a noção de contemplação - .... Toda a razão de ser da noção de contemplação está diretamente  ligada à questão do tempo. Essa noção já é platônica... - mas noPlotino ganha uma diferença. Essa tradição que nasce  com Plotino, vem até hoje, na obra do Gilles Deleuze. Ou seja, sem medo de  errar - Deleuze é neo-platônico.

 

 

Pinceladas à parte, esperando que as referências sejam de alguma formaúteis , despeço-me brindando  as sublimações possíveis, à capacidade imagináriado cérebro humano, à transgressão da Arte, aos seus arautos, às amizades, às Filosofias ***** às Ciências, aos intelectuais, pesquisadores ****, que possam o que as religiões, as convicções, os dogmas, a rigidez, o autoritarismo não

puderam: Sopros de Liberdade ...

               virgínia além mar  -poetinha 18 jan 09 – Poetinha –

Poeta Del Mundo , ofício terapeuta, por um mundo mais consciente e amoroso  

Publicado no Recanto das Letras em 20/01/2009 Código do texto: T1395645-


Notas -Henry Laborit tradução  Elogio da Fuga - http://f1.grp.yahoofs.com/v1/gGV2ScAjcnYDH3HK3w0ocVB6Dml0O-XHUoEHc2lsKlzgow6XRU83R9JckcQ1HLFswzr5Tsi-y5c5PCV3MqnnAQ/virg%80%A0%A6%EDnia%20al%80%A0%A6%E9m%20mar%20/psico%20e%20%20Biologia%20/Elogio_da_Fuga%
 20henri%20LABORIT.doc  

**SFreud Totem e Tabu- http://www.scribd.com/doc/6249872/Sigmund-Freud-Totem-y-Tabu
·         ***S.Freud – Sobre as psicopatologias da vida cotidiana arquitos http://www.scribd.com/doc/6081335/sigmund-freud-vol
·         **** O Corpo Co-Manda - Uma Reflexão sobre Genética, Linguagem e Cultura http://www.scribd.com/doc/3119339/O-Corpo-CoManda-Uma-Reflexao-sobre-Genetica-Linguagem-e-Cultura
·          
·         *****Corpo orgânico e corpo histérico – aula do Filósofo Prof Cláudio Ulpiano http://www.claudioulpiano.org.br/aulas_040195.html

Notas -Henry Laborit tradução Elogio da Fuga - http://f1.grp.yahoofs.com/v1/gGV2ScAjcnYDH3HK3w0ocVB6Dml0O-XHUoEHc2lsKlzgow6XRU83R9JckcQ1HLFswzr5Tsi-y5c5PCV3MqnnAQ/virg%80%A0%A6%EDnia%20al%80%A0%A6%E9m%20mar%20/psico%20e%20%20Biologia%20/Elogio_da_Fuga%
20henri%20LABORIT.doc
 

• **SFreud Totem e Tabu- http://www.scribd.com/doc/6249872/Sigmund-Freud-Totem-y-Tabu
• ***S.Freud – Sobre as psicopatologias da vida cotidiana arquitos http://www.scribd.com/doc/6081335/sigmund-freud-vol
• **** O Corpo Co-Manda - Uma Reflexão sobre Genética, Linguagem e Cultura http://www.scribd.com/doc/3119339/O-Corpo-CoManda-Uma-Reflexao-sobre-Genetica-Linguagem-e-Cultura

• *****Corpo orgânico e corpo histérico – aula do Filósofo Prof Cláudio Ulpiano http://www.claudioulpiano.org.br/aulas_040195.html

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