*Virgínia Fulber

Presentes- breve reflexão

Ouvindo pessoas falando sobre sugestões de presentes para o Natal que se aproxima e a grande ansiedade gerada entorno das festividades, lembrei-me de  compartilhar como costumo lidar com esta questão.

Na data propriamente do  Natal, não costumo presentear com objetos, apraz-me fazê-lo através de uma boa conversa seja por telefone, carta ou pessoalmente se possível, acompanhada de um grande e respirado abraço e uma ceia compartilhada com os mais chegados. Mudei o meu paradigma sobre esta data  quando meu filho nasceu a 32 anos, para que ele viesse a compreender que o  Natal e outros momentos importantes, são celebrações  de sentimentos. Presentes materiais, pouco valor possuem diante ao compromissa-se com os afetos e reconhecê-los como tal.

Infelizmente o comercio facilmente, com nossa conivência,  apropriou-se além das datas comemorativas religiosas como de quase tudo que envolve as  emoções humanas. Deixamo-nos conduzir como cordeiros e, o que é pior  pelos lobos de pastores disfarçados. A insensatez é ainda mais cruel quando faz sofrer os desprovidos não só de racionalidade e capacidade de reflexão mas também de recursos financeiros para dar conta da demanda dos desejos e sentimentos de abandono ante as grandes e luminosas edificações e manifestações da matéria em detrimento do contato afetivo. Lembrando que os festejos natalinos com seus adereços artesanais, teve início na cultura alemã, esta que sabemos tem imensa dificuldade de manifestar o amor através  contato físico; abraços, beijos, carícias. Nesta cultura amor demonstra-se com trabalho =  técnica = artefatos= indústria.

O Natal Cristão é  um momento, oportunidade, de renovar a fraterna comunhão e tendo sido  a data escolhida para festejar o nascimento do grande e nobre sábio que entre nós viveu; um incansável idealista pela igualdade, justiça e liberdade. Jesus Cristo deixou-nos a mensagem de compartilharmos o pão e aprendermos que o perdão é essencial, perdoar a nós mesmos e seguir em frente fazendo-o com o outro, que  enquanto humano é passível de falhas, que sinceramente reconhecidas,podem ser remediadas e, a partir de então outros modos de conduta, tentativas de acerto possíveis.

Promover encontros e reencontros, significativos entre os seres humanos não é fácil, mas algumas vezes conseguimos reescrever algumas  histórias. Corpos encontram e se reencontram em abraços, enlaçam-se olhares, entrelaçam-se palavras na busca de algum sentido que transcenda o convencional, redimensionando espaço-tempo, cozendo lentamente novas e mais assertivas, afirmativas e pacíficas formas de existência...  

Desejo um ótimo tempo de advento aos Cristãos e que este culmine numa celebração à vida.  Que cada um consiga manifestar seus afetos; presentear; dar  de si  e receber para si livremente, o que implica numa  intimidade e harmonia consigo mesmo inicialmente.

Que haja criatividade, menor nível de ansiedade possível, nestes tempos que se destinam principalmente à reflexão e a renovação.

Presentes são surpresas, aberturas a outras perspectivas...

 

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