Virgínia Fulber

Verde azu'lares

verde azu´lares
“... Venham, vamos matar o espírito de gravidade!
Agora estou leve! Agora eu vôo! Agora um deus dança
através do meu corpo.” – F. Nietzsche em sua Obra
- Assim falou Zaratustra -
“Sobre o ler e o escrever”

I -
Em algum lugar fevereiro de dentro encontrou ressonâncias, talvez porque tenha sonhado que minha janela abrir-se- ia diante ao mar e avizinharia se à tua num gorjeio juvenil, onde as algas dançam ao som de Bach.
Rasgada ao meio, a tarde liga-se por fios coloridos repletos de amizade.
É quase feriado farei planos de viagem ou organizarei os sonhos em largas tiras, avizinhando-me dos caules das orquídeas que anseiam pelas flores, filhas, em largo e esperançoso sorriso.
Haverá mais espaço nas ruas, mais silêncio nas praças. A brisa fria entre as casas, trará lembranças da estrada que se inscreve comprida, deserta de palavras... Hei de como as orlas, que escutam o tempo que virá, cozer versos futurecidos... Hei de ouvindo , zelar pelo silêncio que tece...
Mascando folhas de hortelã neste seis de setembro reflito e antecipo-me ao congestionamento e estresse das estradas que me furtariam o deleite da meditação e d´olhar-sonhar atento.

Nada perco pois sei que nalgum lugar, sob a chuva um abraço espera...

II -

Uma mesinha bem posta, guardanapo bordado por minha mãe, no vasinho a rosa recebida da paciente ...
No cálice azul transparente suco composto, abacaxi, gengibre e limão; adornado com folhas de hortelã frescas. como o bilhete da amiga que diz -" mantenha contato ".
O tapete bordô cresce como o sabor redondo e refrescante...
O som de Kitaro, "Oásis" como um manto, agasalha a tarde fria.
Sorrio lembrando-me de ti então sorrio intimamente e sigo embriagada de infância e da tal feliz idade !

Ilustração – Tela René Magritte

- Setembro 2006 - Publicado no Site pessoal da autora
http://vicamf.multiply.com/journal/item/99/99