Virgínia Fulber

 Desejo

     Encantam-me as texturas,   descobrir as vozes   entre os vazios de cada fibra, desmembrar os fios de despedias , destinos de cada cor,   seus desejos anteriores ao fugaz entreterimento de  encontros aleatórios

de fusão de tintas em estações do tempos  do vir a ser.

     Desejo desde sempre, ouvir  no vento que ecoa estas vozes  caladas, que em nós  e laços formam  fibras

e corpos. Escuta , escuta um olhar que grita na tempestade distante !

     Uma tênue luz me apraz,  ver demasiadamente, pode cegar as mãos !

     Desejo penetrar os mistérios da vida ,  nutre-me a ânsia de  continuar.

     Brotam fontes d’água  no cordão inicial que a toda teia  ilumina, aquece as manhã d’orvalho  desconhecido!

     Sim ao orvalho desejo pertencer ainda , esta ínfima ternura de toda textura  incomensurável que é a existência contida , do fogo nascida ! Energia  latente , semente, sêmem que jorra ainda quente na  esperança dum ovulo fecundar !

     Espírito  latejante nos dedos do artesão  ! São suas mãos que eu quero saber , seus desejos 

desconhecidos nos desfiles de ondas elétricas,  uma estética  desprendida da estática  figura esculpida .

    Vida instinto prenuncio dum  resto , fragmento, enxerto ? O nada preenche  este vaso inerte que ao devir da descoberta entrega-se ao desvelar-se no outro e neste  continuar   ... em  lançamento, envolvimento ,Eros ,elo étnico,  criatura !

Virgínia F. de Além Mar 06/11/2004

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