Virgínia Fulber

Compilações - AMOR , Literatura, Poesia, Arte ,Mitologia

"Seja qual for o caminho que eu escolher um poeta

já passou por ele antes de mim"  (S. Freud )

Ah! O AMOR – romântico, tema do mês de  maio e sempre ...

Ah! se não tivéssemos a literatura,como saber dos sentimentos, como declará-los,

como investigar a nossa subjetividade...

Brinde aos grandes Poetas, Autores , às Artes , referência da  complexidade do que    é ser humano...

 Neste mês de maio  Maia , Circe ?     


Circe Invidiosa de John William Waterhouse

O nome do quinto mês Maio tem origem  mitológica  Maio- provém de  Maia, na mitologia grega

era uma das sete irmãs que, fugindo do gigante Órion, se transformaram na constelação das Plêiades.

Era uma ninfa. Com Zeus teve Hermes, o belo mensageiro dos Deuses.

Maia e Hermes temiam a fúria de Hera, por ciúmes de Zeus. Porém, em vez de serem odiados,

os dois conseguiram a simpatia de Hera. (Equivalente, em Roma, a Juno, deusa protectora das

 mulheres e do casamento e do nascimento. É irmã e esposa de Zeus, e mãe dos deuses Hefesto e Ares.) 

A Maia era consagrado o dia 15 de maio. 

Seguimos a  tradição romana, que é uma "cópia" da Grega, Maia, deusa romana da fertilidade.

Assim, entre a Páscoa e Pentecostes era uso saudar a primavera com cantos e instalar na praça central

 a Árvore de Maio, representando a Árvore da Vida. Já na Idade Média havia rituais ligados ao acasalamento,

 a Festa das Noivas de Maio.

Quem melhor que William Shakespeare (Stratford-upon-Avon, 23 de Abril de 1564 — Stratford-upon-Avon,

 23 de Abril de 1616-(A data refere-se ao calendário juliano. No calendário gregoriano, Shakespeare foi batizado

 em 6 de Maio e  faleceu em 3 de Maio. ) Falou sobre o AMOR ?

Diversos filósofos e psicanalistas estudaram as obras de Shakespeare e a maioria encontrou uma riqueza psicológica

 e existencial. Entre eles, Arthur Schopenhauer, Freud e Goethe são os que mais se destacam. No Brasil, Machado Assis

 foi muito influenciado pelo dramaturgo. Diversas fontes alegam que Bentinho, de Dom Casmurro, seja a versão tropical

de Otelo. A revolta dos canjicas, em O Alienista, é provavelmente uma outra versão da revolta fracassada do Jack Cage,

descrita em Henrique IV. Na introdução de A Cartomante, Assis utiliza a frase "há mais coisas entre o céu e a terra do

 que supõe vossa vã filosofia", frase que pode ser encontrada em Hamlet.
Em 1593 e 1594, quando os teatros foram fechados por causa da peste, William publicou dois poemas eróticos, hoje

conhecidos como Vênus e Adônis e O Estupro de LucréciaEm Vênus e Adônis, um inocente Adônis rejeita os

avanços sexuais de Vênus (mitologia); enquanto que o segundo poema descreve a virtuosa esposa Lucrécia que é

violada sexualmente. Ambos os poemas, influenciados pela obra Metamorfoses, do poeta latino Ovídio, demonstram

a culpa e a confusão moral que resultam numa determinada volúpia descontrolada.  Uma terceira narrativa poética,

 A Lover's Complaint, em que uma jovem lamenta sua sedução por um persuasivo homem que a cortejou, fora impresso

 na primeira edição do Sonetos em 1609. A maioria dos estudiosos hoje em dia aceitam que fora Shakespeare quem

 realmente escreveu o soneto A Lover's Complaint. Os críticos consideram que suas qualidades são finas e dirigidas

 por efeitos.

 ( versos  atribuídos a William Shakespeare ...)

Perguntei a um sábio ,
a diferença que havia
entre amor e amizade,
ele me disse essa verdade...
O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.
O Amor nos dá asas ,
a Amizade o chão.
No Amor há mais carinho,
na Amizade compreensão.
O Amor é plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande e querida
companheira.
Mas quando o Amor é sincero
ele vem com um grande amigo,
e quando a Amizade é concreta,
ela é cheia de amor e carinho.
Quando se tem um amigo
ou uma grande paixão,
ambos sentimentos coexistem
dentro do seu coração
.

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De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfange não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade.
Se isso é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.

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notícias  do outro lado do mar...Alemanha | 30.04.2004 Amor e bruxaria: as festas de 1º de maio -Na Alemanha,

o início do quinto mês representa bem mais do que o Dia do Trabalho, passeatas e feriado.http://www.dw-world.de/dw/article/0,2144,509950,00.html

 

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A questão que  não quer calar é porque seguimos  no emisfério sul o calendário mítico-religioso do emisferio Norte

Se houvesse  uma figura mitológica feminina a reverenciar por   aqui  neste período outonal ( lá é primavera)

Quem sabe  seria  Circe -a tecelã dos destinos ...

 
Circe Offering the Cup to Odysseus.1891-obra de John William WaterhouseOldham Art Gallery, Oxford, U.K.

 

Circe, figura mítica, é retratada como filha de Hélio, deus-sol e da ninfa Pérsia. Por ter envenenado seu marido,

o rei dos sármatas, que habitava o Cáucaso, foi obrigada a exilar-se na ilha de Ea ou Eana, localizada no litoral

oeste da Itália. O nome da ilha "Ea" ou "Eana" é traduzido como "prantear" e dela emanava uma luz tênue e fúnebre.

Esta luz, identificava Circe, como a "Deusa da Morte horrenda e de terror". Era também associada aos vôos mortais

dos falcões, pois assim como estes, ela circundava suas vítimas para depois enfeitiçá-las. O grito do falcão é "circ-circ"

e é considerado a canção mágica de Circe que controla tanto a criação quanto a dissolução. Sua identificação com os

 pássaros é importante, pois eles têm a capacidade de viajar livremente entre os reinos do céu e da terra, possuidores

 dos segredos mais ocultos, mensageiros angélicos e portadores do espírito e da alma.

 

Antigos escritores gregos citavam-na como "Circe das Madeixas Trançadas", pois podia manipular as forças da criação

e destruição através de nós e tranças em seus cabelos. Como o círculo, ela era também a tecelã dos destinos.

Circe era considerada a Deusa da Lua Nova, do amor físico, feitiçaria, encantamentos, sonhos precognitivos, maldições,

 vinganças, magia negra, bruxaria, caldeirões. Com o auxílio de sua varinha, poções, ervas e feitiços, ela transformava

homens em animais, fazia florestas se moverem e o dia virar noite. Os escritores antigos
Homero, Hesíodo, Ovídio e Plutarco relataram suas proezas, garantindo para ela um lugar nas lendas.

 Na Odisséia de Homero
No decurso das suas perambulações, o herói Ulisses e sua tripulação desesperada, desembarcam na praia da ilha de

 Eana,

onde vivia Circe, a filha do Sol. Ao desembarcar, Ulisses subiu a um morro e, olhando em torno não viu sinais de habitação,

a não ser um ponto no centro da ilha, onde avistou um palácio rodeado de árvores. Ulisses envia à terra 23 homens,

 chefiados

por Eurícolo, para verificar com que hospitalidade poderiam contar. Ao se aproximarem do palácio, os gregos viram-se

rodeados

de leões, tigres e lobos, não ferozes mas domados pela arte de Circe, que era uma poderosa feiticeira. Todos esses animais

 tinham sido homens e haviam sido transformados em feras pelos seus encantamentos. Do lado de dentro do palácio vinham

os sons de uma música suave e de uma bela voz de mulher que cantava. Euríloco, chamou-a em voz alta, e a Deusa apareceu

e convidou os recém-chegados a entrar, o que fizeram, de boa vontade, exceto Euríloco, que desconfiou do perigo.

A Deusa fez seus convivas se assentarem e serviu-lhes vinho e iguarias. Quando haviam se divertido à farta, ela lhes tocou

com uma varinha de condão e eles imediatamente se transformaram em porcos, com "a cabeça, o corpo, a voz e as cerdas"

de porco, embora conservando a inteligência de homem.

Euríloco apressou-se em voltar ao navio e contar o que vira. Ulisses, então, resolveu ir ele próprio tentar a libertação dos companheiros. Enquanto se encaminhava para o palácio, encontrou-se com um jovem que a ele se dirigiu familiarmente,

mostrando estar a par de suas aventuras. Revelou que era Mercúrio e informou Ulisses acerca das artes de Circe e do perigo de aproximar-se dela. Como Ulisses não desistiu de seu intento, Mercúrio deu-lhe um broto de uma planta chamada Moli, dotada

de enorme poder para resistir às bruxarias, e ensinou-lhe o que deveria fazer.

 
Galanthus, talvez MoliUlisses prosseguiu seu caminho e, chegando ao palácio, foi cortesmente recebido por Circe, que o obsequiou como fizera com seus companheiros, e, depois que ele havia comido e bebido, tocou-lhe com sua varinha de condão, dizendo:

- Ei! procura teu chiqueiro e vai espojar com teus amigos.

Em vez de obedecer, porém, Ulisses desembainhou a espada e investiu furioso contra a deusa, que caiu de joelhos, implorando clemência. Ulisses ditou-lhe uma fórmula de juramento solene de que libertaria seus companheiros e não cometeria novas

atrocidades contra eles ou contra o próprio Ulisses. Circe repetiu o juramento, prometendo, ao mesmo tempo, deixar que todos partissem são e salvos, depois de os haver entretido hospitaleiramente. Cumpriu a palavra. Os homens readquiriram suas formas,

o resto da tripulação foi chamado da praia e todos magnificamente tratados durante tantos dias, que Ulisses pareceu haver-se esquecido da pátria e ter-se resignado àquela inglória vida de ócio e prazer.

 

Afinal seus companheiros apelaram para os seus sentimentos mais nobres, e ele recebeu de boa vontade a censura. Circe ajudou nos preparativos para a partida e ensinou aos marinheiros o que deveriam fazer para passar sãos e salvos pela costa da Ilha das Sereias. As sereias eram ninfas marinhas que tinham o poder de enfeitiçar com seu canto todos que o ouvissem, de modo que os infortunados marinheiros sentiam-se irresistivelmente impelidos a se atirar ao mar onde encontravam a morte.

 Circe aconselhou Ulisses a cobrir com cera os ouvidos dos seus marinheiros, de modo que eles não pudesses ouvir o canto, e a amarrar-se a si mesmo no mastro dando instruções a seus homens para não libertá-lo, fosse o que fosse que ele dissesse ou

fizesse, até terem passado pela Ilha das Sereias.

 

No poema "Endimião", do poeta Keats, podemos ter uma idéia do que se passava no pensamento dos homens que eram transformados em animais pela feiticeira Circe.

 

Esses versos abaixo teriam sido ditos por um monarca que tinha sido transformado em elefante pela deusa:

 

Não lamento a coroa que perdi,

A falange que outrora comandei

E a esposa, ou viúva, que deixei.

Não lamento, saudoso, minha vida.

Filhos e filhas, na mansão querida,

Tudo isso esqueci, as alegrias

Terrenas olvidei dos velhos dias.

Outro desejo vem, muito mais forte.

Só aspiro, só peço a própria morte.

Livrai-me desse corpo abominável.

Libertai-me da vida miserável.

Piedade Circe!

Morrer e tão-somente!

Sede, deusa gentil, sede clemente!


The Lady of Shallot, obra de John William Waterhouse -based on The Lady of Shalott by Alfred Lord Tennyson.

                                       

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