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Virgínia Fulber
Dicas de Leitura
Tema -
Felicidade
Estante -
Filosofia
Obra - A
Conquista da Felicidade
Autor -
Bertrand Russel -Filósofo e matemático (1872-1970),
Bertrand Russel
, que não visa a erudição acadêmica mas a partir de sua experiência traz
considerações sobre a felicidade.
Obra dividida em duas partes ;
As causas da infelicidade
e
As causas da felicidade.
Esta obra ocupa
minha instante, recomendo-a aos meus pacientes, citando-a como por exemplo
no Artigo O
Sentimento de Culpa nesta Coluna
Sobre a Obra de
B. Russel aqui abaixo
Fragmento do
Texto elaborado para a disciplina "Fundamentação Lógica da Ética",
do curso de pós-graduação em Filosofia, ministrada pelo Prof.
Dr. Leônidas Hegenberg autor da obra entre outras -<Doença:
um Estudo Filosófico>
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Russell aborda
superar obstáculos requer alguma perícia. A perícia é fundamental para
incentivar os instintos criativos. Nesta compreensão, o prazer em sua base
deve ser entendido como a realização de algo que enseja a criatividade.
Nesta conceituação, o prazer pode ser alcançado tanto pelos cientistas que
tentam responder os problemas por métodos rigorosos, quanto pelos pintores
e literatos ao contemplarem suas obras concluídas. Portanto, Russell
indica que o prazer é o caminho para a felicidade quando desperta no homem
a criatividade.
É evidente que, no tempo vivido por Russell, a criatividade estava
oprimida pelas máquinas. Assim, a infelicidade dos jovens de seu tempo
poderia ser explicada pela substituição dos trabalhos pelas produções com
recursos técnicos mecânicos. Mas, para o filósofo esta infelicidade
sentida pelos jovens pode ser facilmente contornada. Basta os jovens
sentirem no trabalho que desempenham, a atividade por vocação. Sentir a
vocação não é uma tarefa fácil, mas se for projetada ou despertada será
perseguida e a vida deixa de ser monótona para ser criativa e inventiva.
Ainda neste incentivo à criação, Russel explica que fatores importantes
para atingirem a felicidade são a cooperação e a associação. Isso
significa que, as criações e invenções devem ser dialogadas ou comunicadas
para aumentarem o incentivo entre os homens para a vocação. A associação
de homens, em torno de uma crença, pode trazer questões científicas ou
artísticas, de modos diversos, mas que causam o prazer. A felicidade,
então, possui um caminho bem traçado que é a crença em ideais da busca
pelo prazer.
No livro, em
questão, o filósofo dedica um capítulo específico que diverge de tais
explicações existencialistas. Para ele, as pessoas desejam ser amadas e
não toleradas. No entanto, pedir amor é pedir muito do que a vida pode dar
e isso é o que leva alguns pensadores, literários e artistas a se sentirem
melancólicos. A melancolia é a perda do gosto de viver. E Russell dedica
um especial capítulo, neste livro, para tentar investigar essa perda pelo
gosto de viver. Vejamos a seguir os principais argumentos que ele
apresenta.
A condição para o homem se distanciar da melancolia é ter o gosto por
viver. E a felicidade é a tradução deste apetite pela vida. Por apetite de
viver, se deve entender o interesse pelas coisas que a vida nos apresenta.
Para Russell, quanto mais objetos pelos quais o Homem se interessar mais
ocasiões ele terá para ser feliz. No entanto, o Homem para se interessar
por coisas da vida deve ser atento. Por atenção, Russell explica que é o
interesse pelas coisas que rodeiam a vida, mas ao perceber tais coisas
muitas vezes encontramos a nós mesmos. A busca da felicidade nesta
compreensão significa o Homem se interessar por maior número coisas
possível. Os interesses, quando se apresentam muito restritos distanciam o
Homem da felicidade porque a chance da decepção, é ainda maior. Portanto,
a continuação do caminho para a felicidade é o gosto pela vida e isso
implica em se surpreender com o mundo. Aqui verificamos que Russell admite
que a vida intensa em uma especialização pode significar a fuga ou o
esquecimento de outros aspectos da vida. Esta fuga, muitas vezes pode
conduzir ao exagero. Neste caso, a fórmula grega antiga da ética parece
conveniente. A fórmula da moderação. Isso porque, em nome do exagero se
pode desenvolver uma grande atividade intelectual quanto também uma grande
melancolia. Esta fuga ou esquecimento é sintoma da perda da liberdade que
Russell parece considerar como a principal causa da falta de estima.
Para que haja um resgate do gosto de viver, o Homem precisa se sentir
amado. Ao ser amado o Homem compreende a afeição como uma bondade.
Deixaremos claro, que Russell quer buscar os significados básicos para que
a felicidade seja resgatada por todos independentemente de sua localização
ou cultura. Então, a bondade deve ser compreendida como algo universal e
para isso a investigação ganha um sentido mais simples. Deve resgatar o
bom “em si mesmo”. Um aspecto importante deste “bem em si mesmo” é a
afeição que devemos receber e ao mesmo tempo dar. Por afeição, o Homem
deve não agir por interesse, mas visar sempre a bondade inerente ao
ser-humano. Portanto, a afeição é uma troca desinteressada que não deve
almejar segurança, proteção ou fuga da solidão. Ao contrário, a afeição
deve ser incentivada na medida que integre o Homem numa união, numa
associação que não vise nenhum interesse. Apenas a comunhão do gosto pela
vida.
O texto de
Russell foi escrito com uma condução ética hedonista. Isto é, a felicidade
deve ser considerada sempre como um bem perseguido por todos. Para uma
discussão ética, esta obra de Russell é fundamental porque se distancia
dos moralismos que tentam estabelecer uma lei máxima e a partir desta, as
ações. Russell não quer construir nenhuma lei ética, e muito menos
verificá-la nas ações. O filósofo pretende localizar a felicidade em
fundamentos simples. As categorias essenciais que procuramos demonstrar
neste texto traduzem esta tentativa do filósofo. Ao contrário, as
infelicidades são produzidas pela falta de amor à vida que causam a
desintegração do Homem. O homem feliz, ao contrário, se considerar as
categorias apresentadas para viver sentirá a unidade entre o íntimo e o
mundo exterior. Tal unidade é o que o previne da compreensão sobre a vida
como drama ou como melancolia. A unidade do íntimo como o externo é a
causa fundamental da felicidade que é um caminho a ser percorrido por
qualquer discussão ética contemporânea....(
Prof. Dr. Leônidas Hegenberg.)
Pesquisa
Internet – fev 09
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