Virgínia Fulber

Dicas 

O Tempo circular nas obras de Jorge Luis Borges*

“O UNIVERSO (que outros chamam a Biblioteca) compõe-se de um número indefinido, e talvez infinito, de galerias hexagonais, com

vastos  poços de ventilação no centro, cercados por balaustradas baixíssimas.De qualquer hexágono, vêem-se os andares inferiores e superiores: interminavelmente..” (A Biblioteca de Babel – Jorge L. Borges)

Borges foi um homem e escritor plural, Ensaísta, Contista, Enciclopedista...Um dos maiores nomes da literatura Latino-americana,embora nascido

nos Pampas,teve instrução internacional, tendo mudado para Suíça, em suas obras encontramos temas filosóficos, metafísicos, mitológicos

e teológicos´...

Dica 1 –  Borges enquanto Poeta –

PRIMEIRA POESIA-   reúne, em edição

bilíngüe, os três primeiros livros de poesia de Jorge Luís Borges: Fervor de Buenos Aires (1923), Lua defronte (1926) e Caderno San Martín (1929). Exalta em Poesia  um passado cristalizado no tempo,, sua atenção foca crepúsculos,horizontes em passeios distantes da verticalidade das metrópoles  VER sinopse no link http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&ProdTypeId=1&ProdId=21259792 

Dica 2 –Contos -  O Aleph-(1949) – Companhia das Letras- Obra que contém vários Contos .( O imortal- O morto- Os teólogos- História do guerreiro e da cativa- Biografia de Tadeo Isidoro Cruz (1829-1874)- Emma Zunz- A casa de Astérion- A outra morte- Deutsches Requiem- A busca de Averróis- O Zahir- A escrita de Deus- Abenjacan- o Bokari- morto no seu labirinto- Os dois reis e os dois labirintos- A espera- O homem no umbral- e O Aleph.

Neste Conto Aleph seu protagonista depara-se com a possibilidade de conhecer o ponto do espaço que abarca toda a realidade do universono porão de um casarão em Buenos Aires, prestes a ser demolido. Chama de  Aleph( letra inicial do alfabeto hebraico-o alfa grego o a do alfabetos romanos.)Um dos temas Borgeanos é idéia de unidade na multiplicidade .

 Ver no link mais sobre a obra  http://www.travessa.com.br/O_ALEPH/artigo/fd925f6a-a505-491d-af59-e9aae4edde4d

“A Biblioteca é ilimitada e periódica. Se um eterno viajante a atravessasse em qualquer direção, comprovaria ao fim dos séculos que os mesmos volumes se repetem na mesma desordem (que, reiterada, seria uma ordem: a Ordem). Minha solidão alegra-se com essa elegante esperança.” (A Biblioteca de Babel – Jorge L. Borges)

 Dica 3 - HISTÓRIA DA ETERNIDADE- Jorge Luis Borges - Editora: Globo,                                                                                                     

este  disponível para  Download


História da eternidade compreende meditações e revisões originais sobre

a idéia geral de Eternidade e seus desdobramentos históricos, e sobre

as teorias filosóficas acerca do Eterno Retorno e do chamado tempo circular.

Em todos esses ensaios, que, à semelhança dos contos fantásticos do autor,

nos levam ao domínio do insólito e a conclusões imprevisíveis e irônicas,

se torna evidente o pensamento segundo o qual nenhuma doutrina filosófica

ou religiosa detém a palavra final sobre a verdade do ser, nenhuma esgota

a visão da problemática do homem e seu destino, bem como radicaliza o

esforço de se refutar o tempo. Este, afirma Borges, "é um problema para nós,

um fremente e exigente problema, talvez o mais vital da metafísica;atigada esperança". Para  baixar o arquivo

 http://www.esnips.com/doc/b533d30e-850e-409f-8daa-9afff7d767ee/Jorge-Luis-Borges---História-da-Eternidade-(rev)

 

Toda sua obra é “fantástica “

“...a Biblioteca existe ab aeterno. Dessa verdade cujo corolário imediato é a eternidade futura do mundo, nenhuma mente razoável pode duvidar. O homem, o imperfeito bibliotecário, pode ser obra do acaso ou dos demiurgos malévolos; o Universo, com seu elegante provimento de prateleiras, de tomos enigmáticos, de infatigáveis escadas para o viajante e de latrinas para o bibliotecário sentado, somente pode ser obra de um deus.Para perceber a distância que há entre o divino e o humano, basta comparar esses rudes símbolos trémulos que minha falível mão garatuja na capa de um livro, com as letras orgânicas do interior: pontuais, delicadas, negríssimas, inimitavelmente simétricas.... (A Biblioteca de Babel – Jorge L. Borges)

Para ler Os teólogos (Jorge Luis Borges) http://conselheiroacacio.wordpress.com/2008/08/14/os-teologos-jorge-luis-borges/

*Borges (24-08-1899- Buenos Aires- 14-061986- Genebra-sua

cidade preferida, como brujo que foi, parece ter adivinhado que ali

faleceria conforme seu desejo )

Viveu entre os LIVROS,como poucos, amava as Enciclopédias,

el brujo de Babel,disse não gostar do que escrevia "Acontece que não gosto do que escrevo. Nesta casa voce não encontrará                   umúnicoivro meu, pois quem sou eu para ombrear-me com Euclides da Cunha, Camões ou Montaigne?" A velhice (tal é o          nome que os outros lhe dão)pode ser o tempo de nossa felicidade.O animal morreu ou quase morreu.Restam o homem e sua      alma.Vivo entre formas luminosas e vagasque não são ainda a escuridão.Buenos Aires,que antes se espalhava em subúrbios          

em direção à planície incessante,voltou a ser La Recoleta, o Retiro, as imprecisas ruas do Once e as precárias casas velhas

que ainda chamamos o Sul.Sempre em minha vida foram demasiadas as coisas;

Demócrito de Abdera arrancou os próprios olhos para pensar;

o tempo foi meu Demócrito.

Esta penumbra é lenta e não dói; flui por um manso declive

e se parece à eternidade.

Meus amigos não têm rosto,

as mulheres são aquilo que foram há tantos anos,

as esquinas podem ser outras,

não há letras nas páginas dos livros.

Tudo isso deveria atemorizar-me,

mas é um deleite, um retorno.

Das gerações dos textos que há na terra

só terei lido uns poucos,

os que continuo lendo na memória,

lendo e transformando.

Do Sul, do Leste, do Oeste, do Norte

convergem os caminhos que me trouxeram

a meu secreto centro.

Esses caminhos foram ecos e passos,

mulheres, homens, agonias, ressurreições,

dias e noites,

entressonhos e sonhos,

cada ínfimo instante do ontem

e dos ontens do mundo,

a firme espada do dinamarquês e a lua do persa,

os atos dos mortos,

o compartilhado amor, as palavras,

Emerson e a neve e tantas coisas.

Agora posso esquecê-las. Chego a meu centro,

a minha álgebra e minha chave,

a meu espelho.

Breve saberei quem sou.

( pág. 81 do livro "Elogio da Sombra” Jorge Luis Borges  Editora Globo - Porto Alegre, 2001 -tradução: Carlos Nejar e Alfredo Jacques

 “não sou possuidor de nenhuma estética....

Descreio das estéticas. Em geral, não passam de abstrações

 inúteis...”   (do -Elogio da sombra--Jorge Luis Borges)

Afetuosamente Virgínia  agosto 08

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