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Dicas
Meu organismo estremece
numa expiração longa, como um eco. O
grito do Vento das estrelas,
vento solar anterior
, interior, exterior, o que sempre houve e haverá numa ruptura
na linha do tempo ,a voz não é
a minha voz é, pois a
Voz do Tempo
que me usa para
potencializar e reivindicar pela VIDA ! <<Se, com Spinoza, entendemos por Ética a determinação de estratégias de ação, nossa época de hipertecnificação defronta-se com dilemas éticos ingentes. Selecionar valores que favoreçam a vida, redefinir o sentido do que é ser humano - eis o desafio que nos cabe enfrentar. >> * "o
homem não cansa de aprisionar a vida" G. Deleuze “O homem branco parece não
perceber o ar que respira” Discurso
feito pelo Chefe Seattle ao Presidente Franklin Pierce em 1854 (depois
do Governo Americano ter dado a entender que desejava adquirir o Território
da Tribo)
O
grande chefe de Washington mandou dizer que desejava comprar a nossa
terra, o grande chefe assegurou-nos também de sua amizade e benevolência.
Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não precisa de nossa
amizade. Vamos,
porém, pensar em sua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o homem
branco virá com armas e tomará nossa terra. O grande chefe de Washington
pode confiar no que o Chefe Seattle diz com a mesma certeza com que nossos
irmãos brancos podem confiar na alteração das estações do ano. Minha
palavra é como as estrelas - elas não empalidecem. Como
podes comprar ou vender o céu, o calor da terra? Tal idéia nos é
estranha. Se não somos donos da pureza do ar ou do resplendor da água,
como então podes comprá-los? Cada torrão desta terra é sagrado para
meu povo, cada folha reluzente de pinheiro, cada praia arenosa, cada véu
de neblina na floresta escura, cada clareira e inseto a zumbir são
sagrados nas tradições e na consciência do meu povo. A seiva que
circula nas árvores carrega consigo as recordações do homem vermelho. O
homem branco esquece a sua terra natal, quando - depois de morto - vai
vagar por entre as estrelas. Os nossos mortos nunca esquecem esta formosa
terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela é
parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo,
a grande águia - são nossos irmãos. As cristas rochosas, os sumos da
campina, o calor que emana do corpo de um mustang, e o homem - todos
pertecem à mesma família. Portanto,
quando o grande chefe de Washington manda dizer que deseja comprar nossa
terra, ele exige muito de nós. O grande chefe manda dizer que irá
reservar para nós um lugar em que possamos viver confortavelmente. Ele
será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, vamos considerar a
tua oferta de comprar nossa terra. Mas não vai ser fácil, porque esta
terra é para nós sagrada. Esta
água brilhante que corre nos rios e regatos não é apenas água, mas sim
o sangue de nossos ancestrais. Se te vendermos a terra, terás de te
lembrar que ela é sagrada e terás de ensinar a teus filhos que é
sagrada e que cada reflexo espectral na água límpida dos lagos conta os
eventos e as recordações da vida de meu povo. O rumorejar d'água é a
voz do pai de meu pai. Os riois são nossos irmãos, eles apagam nossa
sede. Os rios transportam nossas canoas e alimentam nossos filhos. Se te
vendermos nossa terra, terás de te lembrar e ensinar a teus filhos que os
rios são irmãos nossos e teus, e terás de dispensar aos rios a
afabilidade que darias a um irmão. Sabemos
que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um lote
de terra é igual a outro, porque ele é um forasteiro que chega na calada
da noite e tira da terra tudo o que necessita. A terra não é sua irmã,
mas sim sua inimiga, e depois de a conquistar, ele vai embora, deixa para
trás os túmulos de seus antepassados, e nem se importa. Arrebata a terra
das mãos de seus filhos e não se importa. Ficam esquecidos a sepultura
de seu pai e o direito de seus filhos à herança. Ele trata sua mãe - a
terra - e seu irmão - o céu - como coisas que podem ser compradas,
saqueadas, vendidas como ovelha ou miçanga cintilante. Sua voracidade
arruinará a terra, deixando para trás apenas um deserto. Não
sei. Nossos modos diferem dos teus. A vista de tuas cidades causa tormento
aos olhos do homem vermelho. Mas talvez isto seja assim por ser o homem
vermelho um selvagem que de nada entende. Não
há sequer um lugar calmo nas cidades do homem branco. Não há lugar onde
se possa ouvir o desabrochar da folhagem na primavera ou o tinir das assa
de um inseto. Mas talvez assim seja por ser eu um selvagem que nada
compreende; o barulho parece apenas insultar os ouvidos. E que vida é
aquela se um homem não pode ouvir a voz solitária do curiango ou, de
noite, a conversa dos sapos em volta de um brejo? Sou um homem vermelho e
nada compreendo. O índio prefere o suave sussurro do vento a sobrevoar a
superfície de uma lagoa e o cheiro do próprio vento, purificado por uma
chuva do meio-dia, ou rescendendo a pinheiro. O
ar é precioso para o homem vermelho, porque todas as criaturas respiram
em comum - os animais, as árvores, o homem. O homem branco parece não perceber o ar que respira. Como um moribundo em prolongada agonia, ele é insensivel ao ar fétido. Mas se te vendermos nossa terra, terás de te lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar reparte seu espírito com toda a vida que ele sustenta. O vento que deu ao nosso bisavô o seu primeiro sopro de vida, também recebe o seu último suspiro. E se te vendermos nossa terra, deverás mantê-la reservada, feita santuário, como um lugar em que o próprio homem branco possa ir saborear o vento, adoçado com a fragância das flores campestres Assim
pois, vamos considerar tua oferta para comprar nossa terra. Se decidirmos
aceitar, farei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta
terra como se fossem seus irmãos. Sou
um selvagem e desconheço que possa ser de outro jeito. Tenho visto
milhares de bisões apodrecendo na pradaria, abandonados pelo homem branco
que os abatia a tiros disparados do trem em movimento. Sou um selvagem e não
compreendo como um fumegante cavalo de ferro possa ser mais importante do
que o bisão que (nós - os índios ) matamos apenas para o sustento de
nossa vida. O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Porque tudo quanto acontece aos animais, logo acontece ao homem. Tudo está relacionado entre si. Deves
ensinar a teus filhos que o chão debaixo de seus pés são as cinzas de
nossos antepassados; para que tenham respeito ao país, conta a teus
filhos que a riqueza da terra são as vidas da parentela nossa. Ensina a
teus filhos o que temos ensinado aos nossos: que a terra é nossa mãe.
Tudo quanto fere a terra - fere os filhos da terra. Se os homens cospem no
chão, cospem sobre eles próprios. De
uma coisa sabemos. A terra não pertence, ao homem: é o homem que
pertence à terra, disso temos certeza. Todas as coisas estão
interligadas, como o sangue que une uma família. Tudo está relacionado
entre si. Tudo quanto agride a terra, agride os filhos da terra. Não foi
o homem quem teceu a trama da vida: ele é meramente um fio da mesma. Tudo
o que ele fizer à trama, a si próprio fará. Os
nossos filhos viram seus pais humilhados na derrota. Os nossos guerreiros
sucumbem sob o peso da vergonha. E depois da derrota passam o tempo em ócio,
envenenando seu corpo com alimentos adoçicados e bebidas ardentes. Não
tem grande importância onde passaremos os nossos últimos dias - eles não
são muitos. Mais algumas horas, mesmos uns invernos, e nenhum dos filhos
das grandes tribos que viveram nesta terra ou que têm vagueado em
pequenos bandos pelos bosques, sobrará para chorar, sobre os túmulos um
povo que um dia foi tão poderoso e cheio de confiança como o nosso. Nem
o homem branco, cujo Deus com ele passeia e conversa como amigo para
amigo, pode ser isento do destino comum. Poderíamos ser irmãos, apesar
de tudo. Vamos ver, de uma coisa sabemos que o homem branco venha, talvez,
um dia descobrir: nosso Deus é o mesmo Deus. Talvez julgues, agora, que o
podes possuir do mesmo jeito como desejas possuir nossa terra; mas não
podes. Ele é Deus da humanidade inteira e é igual sua piedade para com o
homem vermelho e o homem branco. Esta terra é querida por ele, e causar
dano à terra é cumular de desprezo o seu criador. Os brancos também vão
acabar; talvez mais cedo do que todas as outras raças. Continuas poluindo
a tua cama e hás de morrer uma noite, sufocado em teus próprios desejos. Porém,
ao perecerem, vocês brilharão com fulgor, abrasados, pela força de Deus
que os trouxe a este país e, por algum desígnio especial, lhes deu o domínio
sobre esta terra e sobre o homem vermelho. Esse destino é para nós um
mistério, pois não podemos imaginar como será, quando todos os bisões
forem massacrados, os cavalos bravios domados, as brenhas das florestas
carregadas de odor de muita gente e a vista das velhas colinas empanada
por fios que falam. Onde ficará o emaranhado da mata? Terá acabado. Onde
estará a águia? Irá acabar. Restará dar adeus à andorinha e à caça;
será o fim da vida e o começo da luta para sobreviver. Compreenderíamos,
talvez, se conhecêssemos com que sonha o homem branco, se soubéssemos
quais as esperanças que transmite a seus filhos nas longas noites de
inverno, quais as visões do futuro que oferece às suas mentes para que
possam formar desejos para o dia de amanhã. Somos, porém, selvagens. Os
sonhos do homem branco são para nós ocultos, e por serem ocultos, temos
de escolher nosso próprio caminho. Se consentirmos, será para garantir
as reservas que nos prometestes. Lá, talvez, possamos viver o nossos últimos
dias conforme desejamos. Depois que o último homem vermelho tiver partido
e a sua lembrança não passar da sombra de uma nuvem a pairar acima das
pradarias, a alma do meu povo continuará vivendo nestas floresta e
praias, porque nós a amamos como ama um recém-nascido o bater do coração
de sua mãe. Se
te vendermos a nossa terra, ama-a como nós a amávamos. Proteje-a como nós
a protegíamos. "Nunca esqueças de como era esta terra quando dela
tomaste posse": E com toda a tua força o teu poder e todo o teu coração
- conserva-a para teus filhos e ama-a como Deus nos ama a todos. De uma
coisa sabemos: o nosso Deus é o mesmo Deus, esta terra é por ele amada.
Nem mesmo o homem branco pode evitar o nosso destino comum. Chefe
indígena - Chefe Seattle (Duwamish) Os
índios Duwamish habitavam a região onde hoje se encontra o Estado
americano Washington - no extremo Noroeste dos Estados Unidos, divisa com
o Canadá, logo acima dos Estados de Montana, Idaho e Oregon. No passado
era um "paraiso na Terra", região inspiradora de uma das mais
lindas 'poesias' dedicadas á natureza - o discurso que o Chefe indígena
Duwamish (Chefe Seattle) fez ao Governo Americano na época -, hoje, ainda
sendo bela, mas não mais um 'paraiso', sua cidade mais famosa é Seattle
(nome dado em homenagem ao Chefe), uma beleza de outro tipo que
infelizmente vem gerando graves problemas ecológicos. Os índios migraram
pelo Puget Sound para a Reserva Port Madison. O Chefe Seattle e sua filha
estão enterrados lá. Existem
muitas controversias sobre o conteúdo original do discurso. O primeiro
registro escrito que se conhece, foi feito no Jornal Seattle Sunday Star
em 1887 pelo Dr.Henry Smith, que estava presente no pronunciamento - ele
publicou suas próprias anotações com comentários sobre o Grande Chefe,
que segundo ele, era uma pessoa profundamente impressionante e carismática.
Nos anos 70 (1970) foram divulgadas várias versões deste discurso em
conexão com movimentos ecológicos e a favor da preservação da
natureza; o discurso ficou muito conhecido, quase mitificado, ficando de
lado as discussões sobre sua originalidade. Aqui,
após a tradução portuguesa de uma das mais famosas versões da década
de 70, transcrevemos a publicação americana original do Dr.Henry
Smith-1887. A foto do Grande Chefe Seattle (1787-1866), abaixo, é de E.M.Sammis
e o original encontra-se na: "University of Washington Special
Collection #NA 1511". *
Sempre agradecida a Luiz A. Oliveira _ físico, doutor em Cosmologia,
pesquisador do Laboratório de Cosmologia e Física Experimental de Atlas
Energias (Lafex) do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF/MC, professor de História e Filosofia da Ciência. Virgínia F. de Além Mar http://vicamf.multiply.com/journal JornalECOS http://www.ferool.info/ecosindex.htm Site VMDhttp://www.vaniadiniz.pro.br |