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Intimidade Quisera uma intimidade maior algo substancial que repartisse em flocos brancos a névoa entre os corpos e a TV,uma companhia que saltasse das telas e abraçasse as banalidades entre o tapete e macia poltrona, as cores da sala mescladas de vidas cinematograficas já não bastavam ao anseios internalizados,vieram sonhos devaneios jamais imaginados, frenesi e quase loucura , pensou, haverá entre nós promessas rasgadas, risos infantis ,despedidas além do controle remoto? Viviámos todos ligados no remoto controle , relógios estrelares num estalido imperceptível, apitos de trens em descompassos,lágrimas verdadeiramente úmidas além das telas crescidas ,estavam multiplicadas, nos restaurantes no metrô, nos estabelecimentos bancários imagens,informações em demasia, uma rasa colher o cerebro humano, sem substância o caldo escorria sem saciar estômago tampoco a alma crescia. Bastava um clic e a torta de legumes reaparecia. Criava-se uma angustia uma vontade de fora percorria a lingua ,queria dizer também , sem desligar o aparelho televisivo ,ainda de meias nos pés, foi à garagem ligou o carro , saiu, rodou a cidade inteira, ninguém lhe vinha a mente,sem lembranças da última vez que estivera num bar, estremeceu, onde ir, que fazer? Onde encontrar alguém que o quisesse ouvir ou trocar palavras beijos, abraços? Voltou à casa, deitou no sofá, ligou 800 alguma coisa e ouviu de lá a voz,”para falar com um de nossos atendentes disque 9”, discou, ouviu,perguntou e concluiu;- - gostaria de encontrar-me e falar pessoalmente num local onde não houver câmaras de Tv, tampouco um balcão ou mesa entre nós? Do outro lado da linha a moça responde,_ perdão senhor, não temos esta opção . - Virgínia F. de AlémMar -
''Um
grão de loucura e devaneio, quem sabe, é desta falta que padecem nossas
almas mortas, famintas de encantamento e razão de viver.''
"Na
era das sensações, o interesse pela intimidade praticamente desapareceu.
Os sujeitos, envolvidos na agonia da 'paixão de espera', não mais
aceitam viver o demorado processo da descoberta íntima e sentimental do
outro". Sem
fraude, nem favor, p. 217)
''Hoje, seja para o insucesso amoroso, seja para o profissional, receita-se Prozac. Esse é o pior dos mundos. É o mundo de George Orwell. É o primeiro passo para a servidão voluntária.''Jurandir Freire Costa http://www.jfreirecosta.com/ |