Virgínia Fulber

Ariadne
... as coisas  “dançam nos pés do acaso”  (F.Nietzsche)

escrever é:

juntar letrinhas

sentimentos

entre-laçar pontos, linhas

saltar distâncias, fazer um bordado

atravessar  paralelas curtinhas

juntar figuras de linguagem ... 

dançar um lindo balé

voar mais alto

ver como os gaviões

lamber areia feito mar...

 

é tirar sons de castanholas

de velhos teclados

desenhar sonhos

correr feito rio

sentir nos pulmões ventanias

soprar o aroma das manhãs...

é deixar escorrer o néctar do coração

purgar salivas ancestrais

espremer  e esticar o cérebro...

aconchegar como uma mantilha de lã...

é brincar na areia nas tardes de sábado

construir castelos de areia, de sonhos ... 

 

é rolar entre as folhas do outono

beijar flores, respingar orvalho sobre os lençóis

fazer amor com a humanidade...

é aprender a calma das pedras

a beleza das nuvens...

é cantar e fazer-se ouvir em silêncio

despertando as próprias canções do leitor

é apurar ouvido, escutar sinfonias

dos gramados, riachos,colinas,florestas...

navegar, flutuar com velas içadas

entre canais estreitos e mar aberto...

 

 

escrever é:

das estrelas tentar aprender rumos

navegar e mergulhar em profundas águas

desvendar mistério dos mares de si... 

perder-se de si

para reencontrar o luar...

é permitir a si e ao outro

o baile do florescer primaveril

e dançar  as nuvens de algodão 

enamorar-se das fronhas que sabem guardar segredos...

talvez mais...

talvez menos...

 

 es-crê-ver... é sempre um devir infância...

     Afirmação da VIDA !

            virgínia além mar 24 de julho 207

MISTÉRIO DE ARIADNE SEGUNDO NIETZSCHE

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