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Entre A Mulher Branca E A Índia De Mim Um dia quis ser índia banhar-me nua nas águas do rio dançar descalça rir faceira diante a menor surpresa
Um dia sonhei em lançar mão dos preconceitos culturais em purificar-me em fundir-me no canto das aves em atravessar os espinhos , a morte em desfazer-me das amarras...
Um dia fui índia senti um pouco de fome um sol muito quente uma sombra ligeira o gosto da fruta a escorrer queixo abaixo lambuzei-me da graça das siriemas no cerrado
Um ano inteiro não assisti TV, não ouvi as notícias, não li os jornais Um ano inteiro eu vivi intensos aromas, sem sabonetes sem desodorantes sem adereços dos homens brancos...
Um dia sonhei ser livre como a capivara correr não de medo mas de alegria dançar reverenciando o amanhecer muitos dias vivi tal qual sonho de infância e destes dias é impregnado meu ser
confesso da terra dos homens civilizados não tive saudades
Agora entre a branca e a índia de mim ressurge a criança sem nome que às águas e matas se entrega |