Virgínia Fulber

Poema Fado para Bailarina

Denuncia de ausências em tarde chuvosa,

pretende ainda um  sorriso  de alvorecer,

por entre as águas deste olhar !

 

Talvez numa e outra tarde

Quiçá, dos ares, em pestanas pesadas

virá um alento;

    Mão que segura teu rosto

    Recolhe   perfume de

    antigo marejar !

 

Ternura, dispersa nuvens

que  encobrem o pensamento,

Ternura é um Fado choroso, no colo de Bailarina

Sonha  viver ao lado de um Beija- Flor

Inventa silenciosa hora

Em seu berço há uma flor a espera de talvez,

talvez uma mão que a afague ao amanhecer !

 

   Dou-te por agora, Bailarina

   Um sonho colorido,

   Arco- íris em  pequena taça

   para  beberes lentamente

   Atenta ,minha menina 

   de sorver um gole  do antigo mel de tuas saudades,

   para que estas não a atormentem

   em descuidado pensamento!

   Virgínia F. de Além Mar  Novembro/2004

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