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Ode à Dionísio Ode à Dionísio
"dionísio:
Sê sensata, Ariadne! Uma fenda no tempo Propicia tua chegada Oh deus perseguido Nada fizeste Além de alegria Das sombrias existências Fazeres brotar ...
Néctares te foram oferecidos Mas só o nobre vinho fez-te Aos instintos entregar-te
Misto de homem e deus És o renascido do Olimpo Por tantas vezes cuspido Ainda assim teus poderes Crescem e tempestades semeias Delas nascerão alvoradas
O predileto do povo Que na tragédia se reconhece...
Em transe ébrio gozas e o riso se faz dança
Ergues tua taça e derramas sobre os homens O necessário sacrifício, exaurir-se em dança E celebrar visceralmente a vida Entregando-se ao labirinto sem medo de errar
Destemidos ante a perseguição dos Atuais Pentheus Pois em teus poderes confiamos
Oh Dionísio vieste e em Ditirambos sem assombro Permear minha voz
O caos precede a ordem... E quando a lua míngua É sob o sol que te louvo Revestida da força felina Semeio poesia Invertendo a ordem das coisas Ditas normais
No breu da noite acendo a fogueira Sombra verte e inflama Apolínio desejo desfaz-se Em cinzas Ao fim a fênix renasce Arrefecendo a sede de mim!
**************************** Fragmet.15 da Obra Ditirambos de Dionísio F Nietzsche Companhia das Letras, Editora Schwarcz Ltda., 2007 |