Virgínia Fulber

Ode à Dionísio

Ode à Dionísio

 "dionísio: Sê sensata, Ariadne!
Tens orelhas pequenas, tens a s minhas orelhas:
acolhe nelas uma palavra sagaz!-
Não há de odiar primeiro, antes de amar?...
Eu sou teu labirinto..." Nietzsche
 

Uma fenda no tempo

Propicia tua chegada

Oh deus perseguido

Nada fizeste

Além de alegria

Das sombrias existências

Fazeres brotar ...

 

Néctares te foram oferecidos

Mas só o nobre vinho fez-te

Aos instintos entregar-te

 

Misto de homem e deus

És o renascido do Olimpo

Por tantas vezes cuspido

Ainda assim teus poderes

Crescem e tempestades  semeias

Delas nascerão alvoradas

 

O predileto do povo

Que na tragédia se reconhece...

 

Em transe ébrio gozas e o riso se faz dança

 

Ergues tua taça e derramas sobre os homens

O necessário sacrifício, exaurir-se em dança

E celebrar visceralmente a vida

Entregando-se ao labirinto sem medo de errar

 

Destemidos ante a perseguição dos

Atuais Pentheus

Pois em teus poderes confiamos

 

Oh Dionísio vieste e em

Ditirambos sem assombro

Permear minha voz

 

O caos precede a ordem...

E quando a lua míngua

É sob o sol que te louvo

Revestida da força felina

Semeio poesia

Invertendo a ordem das coisas

Ditas normais

 

No breu da noite acendo a fogueira

Sombra verte e inflama

Apolínio desejo desfaz-se

Em cinzas

Ao fim a fênix renasce

Arrefecendo a sede de mim!

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A ESTA BELEZA DE PEDRA
SE REFRESCA MEU ARDENTE CORAÇÃO”

Fragmet.15 da Obra Ditirambos de Dionísio F  Nietzsche

Companhia das Letras, Editora Schwarcz Ltda., 2007

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