Virgínia Fulber

Pulsações

 No silenciar das vozes

Ouça o verbo do vento domingueiro

Que há em cada manhã

Escute as marés nas tardes febris

Ouça o arquear das laranjeiras

Sob o entardecer 

 

Sob o solo as sementes entoam

Sinfonias de misericórdia    

Nos leitos rios executam marchas delicadas

Toadas e corajosos Odes ao vir a ser

 

Ouça pequenas longínquas asas arriscando-se

Harmonicamente em fá maior

 

Escute e deixa-te  dançar

 

Das sombras dos ramos o murmúrio

Não são lamentos

São segredos a aprender

 

Desventura é deixar o rumor insano

Arrebentar os mistérios

Avançar os limites do suportável

Obscurecer a infinidade de hinos estrelares

 

Escute deixa-te  pulsar   

 

 

Aguardem-nos   mensageiros

Na nave silenciosa

Da noite  embarcaremos 

Convosco na semente das horas estaremos

 

A dançar

 

 

Apartados de nossas tagarelices infames

Que nos seqüestravam das essências escutas

E nos impediam de pulsar

 

“Quero conhecer os pensamentos de Deus...O resto é detalhe.”
       Albert Einstein

  virgínia fulber  ( de além mar )

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